Comandante da BM de Torres dápanorama da segurança e pede participação ativa da população

12 de setembro de 2016

FOTO: Capitão Fábio Hax Duro  

 

Por Guile Rocha
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O capitão Fábio Hax Duro, veio da   cidade de Rio Grande para Torres em 08 de dezembro de 2014. Em busca de uma melhor qualidade de vida por aqui, assumiu o comando da 2 ª Companhia do 2 ° BPAT (Batalhão de Policiamento de írea Turí­stica), que fiscaliza os pelotíµes de seis municí­pios da região: Torres, Arroio do Sal, Dom Pedro de Alcântara, Três Cachoeiras, Morrinhos do Sul e Mampituba. E nesta terça-feira (06) o jornal A FOLHA conversou com o capitão Hax para elucidar alguns pontos relativos ao serviço de segurança pública exercido pela Brigada Militar aqui na região.
Fazendo um balanço do seu trabalho nestes últimos 21 meses como comandante da BM aqui em Torres, o Capitão Hax se disse bem satisfeito em relação a cidade   e ao efetivo com a qual trabalha. "Embora estejamos passando por dificuldades na questão do parcelamento de salário, os policiais não deixaram a comunidade desassistida, continuaram com as missíµes e demonstrando resultados operacionais positivos. Obviamente o comando fica um pouco desestimulado, mas sem abandonar o dever. E esperamos sempre a participação ativa da população, por isso pedimos que liguem para o tridí­gito 190 sempre que saibam de atividades suspeitas".
 

Intensificação do policiamento na Vila São João e arredores  

Começamos nossa conversa abordando uma questão que vêm tirando o sono de moradores da região periférica ao centro de Torres: os assaltos a estabelecimentos comerciais que vem ocorrendo recorrentemente nas margens da BR-101, em localidades como Vila São João, Itapeva, Dom Pedro de Alcântara, etc. E o Capitão Hax afirmou que, no final do mês de agosto, participou de uma reunião junto í  Associação do Bairro da Vila São João, onde o presidente da associação comunicou ao comandante da BM esse problema. "Estamos atentos a esta questão, temos um planejamento especí­fico para a Vila São João e arredores, com foco na abordagem de motocicletas e pedestres em situação suspeita. Além disso, nosso batalhão está realizando patrulhamento também com motocicletas, o que possibilita maior agilidade (inclusive em situaçíµes de perseguição). E   contamos sempre com o apoio da comunidade, que deve ligar para o 190 e passar informaçíµes (anonimamente) sobre suspeitos de crimes".
O comandante da BM em Torres nos citou 5 ocorrências (e   7 prisíµes) que foram efetuadas entre os dias 04 de agosto e 01 de setembro, na Vila São João e comunidades do entrono da BR-101. Três destes casos tinham relação direta com o tráfico de drogas, mas os outros dois casos levaram a prisão de suspeitos de alguns dos roubos realizados na região (sendo que um dos casos envolvia um menor de idade, de apenas 13 anos, que foi apreendido com uma moto preta furtada).   Estas açíµes, conforme ele, ilustram o resultado da intensificação do policiamento na área da Vila São João.
Capitão Hax também informou que, em todo estado, a Brigada Militar vêm realizando a Operação Avante, que tem como base um sistema informatizado que faz um acompanhamento das estatí­sticas criminais, demonstrando os dias, turnos e locais de maior incidência dos crimes. "Utilizando esta ferramenta conseguimos efetuar planejamento mais eficiente para combater alguns í­ndices expressivos por região. Essa questão dos assaltos na Vila São João e entorno, por exemplo, foi constatada estatisticamente. Também possuí­mos uma relação afinada com a Polí­cia do Passo de Torres, trocamos informaçíµes constantemente."

Questão de efetivo  

O jornal A FOLHA indagou, ao comandante da Brigada Militar local, se ele pensava que  efetivo da polí­cia ostensiva em Torres (e cidades próximas) está adequado para a demanda durante a baixa temporada. Capitão Hax falou que – frente aos cada vez maiores desafios da segurança pública no RS – são necessários mais policiais para a demanda atual  não apenas em Torres, mas em ní­vel estadual também. "Entretanto, por aqui compensamos (a baixa quantidade de efetivo) muito pela qualidade do pessoal.  Nossa tropa produz bastante resultado operacional. Tivemos também um incremento de horas extras importante há alguns meses, o que possibilita fazer o emprego de açíµes policiais diferenciadas, como o uso de motocicletas (em operaçíµes e patrulha)". O Capitão Hax também destacou que Torres, dentre as principais cidades do Litoral, é considerada a mais tranquila, com os menores í­ndices de criminalidade. "Em razão de fatores como a proximidade com a capital e a região metropolitana, as região de Cidreira e Tramandaí­ concentram mais açíµes criminosas".
Em relação as principais ocorrências aqui na cidade (e região de abrangência do 2 ° BPAT), o capitão Hax constata que há muitos casos relacionados ao tráfico de drogas (e de posse de substâncias ilí­citas), mas o furto ainda é o de maior incidência. " São recorrentes casos de furto a residências de veranistas, furto aos comércios. O número de roubos na verdade não tão grande mas chama mais atenção (pela violência ou grave ameaça que implica).
 

Expectativas quanto a nova gestão da prefeitura  

Outro assunto, levantado pelo jornal A FOLHA,   foi em relação as expectativa do comando local da Brigada Militar em relação as medidas para a área da segurança a serem aplicadas pela próxima gestão – que assumirá após as eleiçíµes municipais. "Independente de partido, o governo municipal que assumir apoiaria bastante a segurança pública se colocasse as câmeras de videomonitoramento em funcionamento, uma forma de coibir açíµes criminosas.", informou o Capitão Hax, lembrando que as câmaras de vigilância –   entregues para as prefeituras do litoral faz anos pela Amlinorte (Associação dos Municí­pios do Litoral Norte) não estão em funcionamento aqui em Torres. "O problema é a falta de manutenção das mesmas. Prefeituras de outras cidades, como Capão da Canoa, arcaram com a responsabilidade da manutenção e tem as câmeras em funcionamento"
O comandante destacou que outra ideia importante seria instituir agentes municipais de trânsito, para tirar a responsabilidade de fiscalizar e multar veí­culos da Brigada Militar . As atribuiçíµes relacionadas ao trânsito são da prefeitura,   mas é firmado convênio com a BM quando o municí­pio não tem condiçíµes de arcar com a responsabilidade, como em Torres. "Mas isso não é bom, porque perdemos muito tempo em fatos de menor relevância, e deixamos de nos envolver tanto em casos mais sérios".
 

Da delinquência aos moradores de rua  

Quanto as questíµes de vandalismo e delinquência – como pichaçíµes e destruição do patrimí´nio público e privado – o Comandante da BM local afirmou que, quando é acionada, a BM vai averiguar estes casos. "Mas eles (delinquentes) atuam geralmente pela noite, madrugada, de forma furtiva, por isso é difí­cil coibir. Penso que a causa dessa delinquência é a falta de educação das pessoas, que não tem a visão de que aquilo (patrimí´nio) é de todos, e não apenas dele. Más é caso de crime também, questão de dano qualificado pelo fato de ser patrimí´nio público".
A problemática dos moradores de rua em   Torres também foi debatida: "Acontece de pessoas entrarem em contato (com a Brigada Militar) e reclamarem dos moradores de rua que incomodam, que estão se apropriando de certos espaços (para dormir e deixar seus pertences). Mas se os tirarmos de onde estão ficando, o que se faz com eles? Além do mais, se o proprietário não reclamar não tem o que fazer", constata Hax. O comandante da BM informa que, se um proprietário sentir-se ofendido   pela presença dos moradores de rua em sua propriedade, deve entrar com um pedido de reintegração de posse. Ele ressalta também que é usual que, entre os moradores de rua, haja pessoas com antecedentes criminais   "Percebemos que alguns de fora se instalam por aqui um tempo e depois vão embora. Mas não temos como dar destino para eles (moradores de rua). E na verdade eles não se envolvem em muitas ocorrências criminais, trata-se mais de um problema social", conclui Hax.

 

 

 

 


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