Cada qual com seu Carnaval

12 de fevereiro de 2010

Por Guile Rocha

   

AO carnaval é uma data marcante, tanto do ponto de vista comercial, como social, cultural ou de mero divertimento. Em nosso paí­s poderí­amos afirmar, sem medo de errar, que ninguém desconhece sua magnitude ou mesmo que de alguma forma com ele não se envolva. Há os que esperam o carnaval para faturar, os que esperam muita diversão ou mesmo um recompensador descanso…

     A história do carnaval…    

 

As exatas origens do carnaval são obscuras. í‰ possí­vel que suas raí­zes se encontrem num festival religioso de primitivos povos pagãos do Mediterrâneo, que homenageava o iní­cio do Ano Novo e o ressurgimento da natureza. Mais fundamentada, porém, é a hipótese de que a festa tenha se originado na Grécia em meados dos anos 600 a.C., quando, em homenagem ao Deus Dioní­sio,  os gregos realizavam seus cultos em agradecimento pela fertilidade do solo e pela produção.

 Posteriormente romanos inseriram bebidas e orgias sexuais na festa da fertilidade, o que tornou a comemoração intolerável aos olhos da então recente Igreja Católica. O carnaval tornou-se então uma festa condenada por suas realizaçíµes em canto e dança que aos olhos cristãos eram atos pecaminosos. Entretanto, em 590 d.C., a festa passou a ser adotada também pelo Catolicismo, mas com o adendo oficial da Igreja que bania os ditos atos pecaminosos, deturpando assim as reais origens de alegria do carnaval. Somente em 1545, durante o Concí­lio de Trento, o carnaval voltou a ser uma festa popular.

O termo carnaval é encontrado já no latim medieval, como carnem levare ou carnelevarium, que significava a véspera da quarta-feira de cinzas, isto é, a hora em que começava a abstinência da carne durante os quarenta dias nos quais, no passado, os católicos eram proibidos pela igreja de comer carne. No perí­odo do Carnaval havia uma grande concentração de festejos populares, onde cada cidade brincava a seu modo de acordo com seus costumes. O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX tendo sido a cidade de Paris o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspirariam no Carnaval parisiense para implantar suas novas festas carnavalescas.

   Em meados do século XVIII, o carnaval chegou ao Brasil sob influência açoriana do Entrudo, festejo importado dos Açores. Desde então, passaram a ocorrer desfiles de pessoas fantasiadas e mascaradas. Somente no século XIX que os blocos carnavalescos surgiram com carros decorados e pessoas fantasiadas da forma semelhante í  de hoje.  Atualmente, nem um décimo do povo participa hoje ativamente do carnaval, ao contrário do que ocorria em sua época de ouro, do fim do século XIX até a década de 1950. Entretanto, o carnaval brasileiro ainda é considerado um dos melhores do mundo, seja pelos turistas estrangeiros como por boa parte dos brasileiros, principalmente o público jovem que não alcançou a glória do carnaval verdadeiramente popular.  

 

 

… e seus diferentes pontos de vista    

 

 

Se no papel o carnaval é uma época de festas e comemoraçíµes, na prática a data tem significados diferentes para cada pessoa. Para as estudantes Mariana e Júlia Krammer, moradoras de Caxias do Sul e veranistas em Torres, o carnaval é a época mais aguardada no verão. í‰ um feriadão bem longo, onde parece que todas as pessoas se liberam e festejam o máximo que podem. Eu gosto e aproveito bastante essa alegria toda, até porque pouco tempo depois do carnaval termina o veraneio e o clima de praia, a vida volta a rotina normal diz Júlia, que pretende participar das festas tanto na rua como nas baladas. Outros que aproveitam o tempo de folia da data são Marcio Rodrigues Marques e sua famí­lia. Eles vivem em Itaqui, municí­pio fronteiriço onde ocorre um tradicional carnaval de rua com direito até a desfile de escolas de samba. Nosso carnaval em Itaqui é bastante festejado. Este ano aproveitamos o feriado prolongado e viemos para Torres para descansar, mas sem esquecer-se de curtir bastante a época de animação, avaliou Márcio.

Opinião bem diferente tem Lauro Demarcos, natural de Porto Alegre. O empresário afirma que sempre foi averso a grandes festejos e multidíµes, e diz ter escolhido Torres como refúgio estratégico para fugir da algazarra. Há muitos anos passo o carnaval aqui na praia, pois, ainda que o movimento seja maior que em outros perí­odos, ainda pode-se curtir com a famí­lia a tranquilidade do mar e o sossego de casa, sem sofrer com o calor da capital. O porto-alegrense Rodrigo Magri é outro que prefere fugir das badalaçíµes decorrentes do carnaval. Eu acho a data ótima pelo feriadão prolongado que ela proporciona, mas não costumo participar da festa em si, não é meu estilo. Particularmente, meu carnaval perfeito seria algo como Woodstock, ai sim seria ao meu estilo  

Há tambem aqueles que não relaxam tanto assim no carnaval, como o experiente Abraão Lima, proprietário do quiosque 02 na beira da praia da Guarita. Para ele, o carnaval é uma época de muito trabalho, onde há um aumento significativo no movimento e pouco tempo para festas. Particularmente, acho que foi-se a época em que eu participava de toda a festança do carnaval, isso é coisa para os mais novos. Hoje procuro trabalhar bastante para tirar um dinheiro extra no feriado e, no final do expediente, ir pra casa curtir sossegado com a famí­lia.  

 Os soldados Marques e Souza, são outros que não tem muito tempo para festas. Vindos de Porto Alegre para compor o efetivo da Operação Golfinho no litoral, passarão o feriado este ano a serviço da segurança de nossa cidade. Sempre é bom fazer festa no carnaval, mas para nós é uma época onde temos que aumentar a vigilância para manter a ordem entre o pessoal que faz a folia.  O discurso se repete nas palavras do delegado plantonista da polí­cia civil, Roger Brutti. Infelizmente o carnaval é um perí­odo onde aumentam as ocorrências, principalmente por causa dos excessos na ingestão de bebida alcoólica. Por isso tanto para a polí­cia como para hospitais, acaba sendo uma data de muito trabalho, conclui Brutti.

     Outro lado a ser analisado é o da Igreja, ainda que muitos se esqueçam que o carnaval também foi adotado como festa oficial do catolicismo, perí­odo de celebração anterior a quaresma. Originalmente era uma data de alegria, fantasia e diversão popular, mas infelizmente parece que muito da pureza do Carnaval se perdeu, lamenta o Padre Paulo Ricardo Schmidt. De acordo com ele, a libertinagem se tornou marca principal do feriado. Historicamente, percebe-se que não há um desrespeito de valores morais que extravasou os limites, a nudez e o sexo se tornaram algo muito banal e substituí­ram as brincadeiras com fantasias e dança, finalizou o padre.    

     


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