Sem dúvida alguma, em nossa era permeada pelo stress em todos os níveis, pré dispíµe o indivíduo, com Ego frágil, ansiedade e medo, por exemplo, de perder o péssimo emprego que se tem. Muitas vezes o viver fica desprovido de sentido. Muitos podem ser os dilemas e sofrimentos que se carrega no cotidiano. Mas não podemos responsabilizar apenas a vida moderna, a situação econí´mica, política ou mundial como motivos para o sofrimento humano. Não podemos deixar de considerar o mundo interno do indivíduo, e de como se estruturou sua personalidade.
Assim como para construção de uma casa forte, depende um bom alicerce e material de qualidade, a construção do próprio Eu dependerá de um ambiente familiar saudável do ponto de vista psicológico “ emocional, que forneça ingredientes sólidos, como o amor, para que esta construção seja forte e resista aos dissabores da vida. Entretanto, se o alicerce construído na infância é frágil, o psiquismo, assim como a casa, poderá apresentar rachaduras e até desmoronar frente í situaçíµes adversas. Abre-se um terreno fértil para a instalação de uma enfermidade psicológica chamada Neurose
. A ansiedade, assim como o medo, por exemplo, podem ser um sintoma psicológico de uma quadro neurótico na infância ou na vida adulta. A constante insatisfação, a lamentação, a falta de objetivo, interesse e ânimo com a vida, também podem ser um sintoma neurótico, ou seja, a pessoa sofre de uma incapacidade de sentir prazer com a sua existência, com as pessoas, no trabalho, etc. Sente-se entediada, amargurada, injustiçada e vitimizada pelo mundo. Como resultado da enfermidade neurótica, o indivíduo poderá sofrer uma espécie de blindagem emocional, tornando-se árido nos relacionamentos interpessoais; evitando sentir, emocionar-se com a vida e com as pessoas, desta maneira empobrecendo seu mundo afetivo.
O terreno afetivo, das emoçíµes, para estas pessoas é perigoso, por isso elas tornam-se mais racionais e frias. A solidão e o tédio decorre da atitude do indivíduo de se fechar para a vida, para as relaçíµes, podendo tornar-se evitativo e fóbico no contato íntimo com o outro, como uma medida ilusória de proteção contra novas perdas, decepçíµes. A neurose é fonte constante de sofrimento, e custa muito cara em termos de desperdício de vida, ou seja, a pessoa não consegue mais produzir, obter prazer, vive culpada, exigente consigo e com os outros, temerosa de falhar e desagradar aos outros, perde sua espontaneidade, permanecendo em cima do muro, sem se posicionar frente í s situaçíµes que lhe desagradam, para não se indispor com o outro, renunciando sua vontade, pelo grande medo que o neurótico tem de perder o amor e aprovação do mesmo. Suas potencialidades, criatividade e até a inteligência ficam inibidas pela neurose, assim, tornam-se pessoas apáticas, desvitalizadas, passando a viver por obrigação, mecanizadas, alheias a si mesmas.
O indivíduo que sofre de neurose, torna-se refém de si mesmo, aprisionado por severa auto-crítica, culpa, que o impossibilita até de amar, passando a se ver desvalorizado, inferior, incapaz para a vida, inseguro, exigindo o tempo todo demonstraçíµes de carinho, afeto, podendo tornar-se uma pessoa cansativa e sufocante para a família, parceiro, filhos, etc. A psicoterapia poderá ser uma saída libertadora para o cárcere privado da neurose, tendo nesta trajetória, como guia, o psicoterapeuta, e a chave para acessar seu verdadeiro Eu, antes trancafiado, sufocado e dilacerado pelas amarras do sofrimento mental.


