Irrequieto, como uma banana.
(Vi o Guga comendo bananas na tv.)
Apago a luz da cozinha.
Acendo a luz da cozinha.
Tomo café. Faço mais café.
Vista para o mar, estou confuso.
Tanta preocupação. Tanta preocupação.
O apartamento ficou pequeno para mim.
O mundo ficou pequeno.
Sou pequeno.
Alucinação na madrugada!
Não quero olhar o relógio. Não olho.
Não quero ver tv. Não vejo.
Leio cento e três páginas da vida de Tim Maia.
Lembro e relembro que existo.
Apago a luz do quarto.
Fica escuro. Fica tudo escuro.
Existe o acaso?
Tudo é acaso e eu nem sei quem sou.
Ela sabe mais de mim que eu mesmo.
Como outra banana.
(Li que faz bem í saúde).
Lavo a louça suja ouvindo Diana Krall.
A música pára.
Amanhece e eu pensando nela. Querida!!!
Outono, mais um no calendário.
Dizem que fará muito frio no inverno.
Não gosto muito de invernos. Faz frio!!!
Saio para caminhar um pouquinho.
O mundo não veio a mim. Eu fui…
To na paz. To na boa.
Escrevo para o jornal.
Tenho coisas para contar.
Tenho que contar certas coisas.
Espalho meu eco em espelhos.
Assopro espelhos no invisível de meu mundo.
Tenho um mundo que é só meu. E dela.
Depois de nuvens, o sol.
Depois do sol, mil sonhos.
Alguns em vão…
Alguns se vão…
Eu não! Eu não!
Eu tenho que ler páginas policiais…
Eu tenho que ler colunas sociais…
Não me obriguem a fazer nada!
Sei bem do que não gosto.
Meu estilo não pode agradar a todos.
Não tenho estilo nenhum.
Sou homem.
Sou gente.
Assisto a passagem dos dias.
í€s vezes comendo bananas,
í€s vezes louco, pirado,
í€s vezes sonhando acordado,
Com ela e Deus do meu lado.


