Como cuidar do seu pet no frio?

Diferente de nós, que podemos colocar um casaco ou ligar o aquecedor, os pets dependem do ambiente e da nossa atenção para lidar com essas variações bruscas de temperatura.

4 de junho de 2026
FONTE - Petz.com.br

Você sabe como cuidar do pet no frio? As ondas de baixa temperatura, cada vez mais comuns com as mudanças climáticas, trazem riscos reais para a saúde dos animais.

Diferente de nós, que podemos colocar um casaco ou ligar o aquecedor, os pets dependem do ambiente e da nossa atenção para lidar com essas variações bruscas de temperatura.

Por isso, é fundamental saber como cuidar do pet no frio para manter a saúde e o bem-estar de todos durante os meses de inverno.

De fato, muitos cães desenvolvem uma pelagem mais espessa no inverno, o chamado subpelo, que ajuda a reter o calor do corpo. Só que essa adaptação não acontece da noite para o dia.

Ela depende de um conjunto de fatores, como o fotoperíodo (quantidade de luz ao longo do dia) e a temperatura ambiente. Quando o frio chega de forma abrupta, o corpo do animal não tem tempo de reagir. E aí ele sente frio mesmo sendo uma raça resistente.

Além disso, a própria instabilidade do clima pode bagunçar o crescimento do pelo. Alguns tutores relatam queda de pelos o ano inteiro e isso pode estar diretamente ligado a essa desregulação.

O frio demanda cuidados específicos com o pet, envolvendo o ambiente em que eles se encontram, roupas e até vacinação. Aprenda como cuidar do animal no inverno e confira dicas para saber quando o pet está incomodado com a temperatura.

É comum a gente projetar nos animais o que estamos sentindo. Se estamos com frio, achamos que eles também estão. Mas nem sempre é o caso. Um cão que está ofegante, com a boca aberta mesmo no frio, provavelmente não precisa de roupa. Por outro lado, animais mais sensíveis, filhotes, idosos ou de pelagem curta costumam sentir mais.

Se for necessário usar roupa, é importante observar o comportamento do pet. Alguns cães travam completamente quando vestimos uma peça neles. Não é “manha”: eles realmente acreditam que não podem se mexer.

Por isso, a adaptação deve ser feita com cuidado. Comece colocando a roupa sem vestir, depois vista por períodos curtos, associando a petiscos e brincadeiras. E escolha modelos confortáveis, que permitam movimentos naturais.

Outro erro comum é montar um abrigo quentinho para o cão no canto mais afastado do quintal. Isso raramente funciona. A maioria dos cães prefere ficar perto da família, mesmo no frio. Se puder, coloque a cama em um local próximo à porta de entrada ou até dentro do quarto.

A cama deve ser protegida da umidade. Papelão, por exemplo, é um ótimo isolante térmico, mas perde essa função quando molha. Por isso, é fundamental usar uma base impermeável, como plástico grosso, sob a estrutura.

Cobertores também ajudam bastante, mesmo que o cachorro tenha o hábito de roer ou cavar. Isso é natural, e se ele não estiver engolindo o tecido, não há problema. Prefira cobertores de fibras naturais, que causam menos alergia e embolam menos o pelo.

Mas cuidado: algumas fibras sintéticas contêm substâncias que podem interferir no sistema endócrino ou desencadear reações alérgicas, principalmente em cães mais predispostos.

O frio altera o metabolismo dos animais. Quando estão tremendo, por exemplo, o corpo gasta mais energia para manter a temperatura. Isso pode aumentar o apetite e também a sede, já que a água é essencial para os processos metabólicos. Manter água fresca sempre disponível é fundamental, mesmo que o pet esteja se movimentando menos.

Apesar desse gasto energético extra, não é recomendado deixar o pet engordar. O acúmulo de gordura pode até ter feito sentido em termos evolutivos, como forma de proteção contra o frio e escassez de alimentos, mas hoje, com alimentação disponível o tempo todo e controle ambiental, a obesidade traz mais malefícios do que benefícios.

É comum que alguns cães tenham escapes de urina no frio, especialmente fêmeas castradas. Isso pode estar relacionado à incontinência urinária, causada por uma menor atividade do esfíncter da uretra. Em alguns casos, o problema pode ser amenizado com suplementação hormonal, mas sempre com orientação veterinária.

Outra possibilidade é que o pet esteja evitando sair da caminha porque está frio demais. Um bom cobertor térmico (em pets que não roem) ou um isolamento mais eficiente pode ajudar. O objetivo é que o animal tenha coragem de levantar para fazer xixi ou beber água, reduzindo o risco de escapes e desconfortos.

Gatos são especialmente sensíveis ao frio. Eles tendem a se encolher, deitar sobre as próprias extremidades e evitar posições mais expostas, como dormir de barriga para cima. Muitos se escondem ou buscam superfícies mais quentes. E embora a maioria não aceite roupinhas, é possível criar cantinhos bem isolados e protegidos, onde eles se sintam seguros.

Em roedores, o frio pode levar a quadros de torpor ou hibernação. Em hamsters, por exemplo, isso pode ser confundido com morte, já que o animal fica mole, não reage, e o corpo esfria. O erro mais perigoso é tentar aquecer de forma abrupta. O ideal é manter o ambiente em torno de 20 °C e permitir que o retorno ao estado normal aconteça de forma gradual.

Com o frio, aumentam os riscos de algumas doenças respiratórias, como a tosse dos canis. A vacinação pode ser uma proteção importante, mas deve ser feita com critério. Nem toda vacina é necessária para todo animal. Converse com o veterinário e peça para ele avaliar o protocolo que recomenda esquemas vacinais específicos para cada região e estilo de vida.

Cuidar bem de um pet no inverno vai além de colocar uma roupa ou dar um cobertor. Envolve entender como o corpo dele funciona, quais são suas limitações fisiológicas e como ele se comporta diante do frio.

Cada pet vai reagir de um jeito e cabe a nós observar e oferecer escolhas seguras e bem pensadas. Afinal, conforto não é luxo. É bem-estar, saúde e, acima de tudo, um gesto de cuidado verdadeiro.

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