Figuras da história de Torres: Alferes Manoel Ferreira Porto

No início do século XIX, uma peça-chave no processo de formação de Torres foi o sargento do Império Manoel Ferreira Porto, considerado por muitos o fundador da cidade

28 de agosto de 2025

A cidade de Torres, no Rio Grande do Sul, teve seu desenvolvimento impulsionado por figuras e eventos cruciais no início do século XIX. Uma peça-chave nesse processo foi o sargento do Império Manoel Ferreira Porto, considerado por muitos o fundador da cidade. Ele e a Casa N°1, por ele construída, são o ponto de partida de qualquer roteiro em Torres, seja ele virtual ou real.

A história de Manoel Ferreira Porto com a cidade inicia-se com sua transferência para a guarda militar de Torres em 1801. Naquela época, Torres já era um ponto estratégico devido às suas formações rochosas de basalto — as “torres” que dão nome à cidade e que funcionavam como a única passagem entre os morros, conectando o Rio Grande do Sul ao restante do país. A chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil em 1808 e o consequente foco no desenvolvimento e segurança do território brasileiro só aumentaram a importância estratégica da localidade.

Um dos maiores legados de Manoel Ferreira Porto foi sua persistência em obter a autorização para a construção de uma capela. Embora os colonos quisessem a capela no Morro da Itapeva, ele decidiu erguê-la ao lado do Posto da Guarda, onde hoje se encontra o Morro do Farol. A permissão foi concedida em 15 de fevereiro de 1815 pelo bispo do Rio de Janeiro, Dom José Caetano da Silva Coutinho. A construção da capela, iniciada em 1815 e inaugurada em 1824, foi o verdadeiro catalisador para o crescimento do povoado. Manoel Ferreira Porto, sua esposa Jerônima e seu filho Ricardo foram os primeiros moradores permanentes, estabelecendo as bases para o que se tornaria a cidade de Torres. Sua atuação demonstra a influência militar na colonização e organização territorial do Rio Grande do Sul no século XIX, transformando um posto de guarda em um próspero núcleo urbano e consolidando a presença portuguesa na região.

A história de Torres é, portanto, um testemunho da visão e determinação de indivíduos como Manoel Ferreira Porto, que, ao longo de anos, contribuiu ativamente para a transformação de um ponto estratégico em uma comunidade vibrante, moldando a identidade e o futuro da cidade por meio da fundação de instituições essenciais, como a capela, que viria a ser o coração do novo povoado.

 

Alferes Ferreira Porto: ALGUMAS DATAS IMPORTANTES

 

1806 a 1814 – Nascimentos dos filhos: Cândida (1806), Narciso (1808), Antônio (1809), Maria Laura (1811), Caetano (1814), todos batizados em Nossa Senhora da Conceição do Arroio. Falecimento de Narciso (1810) com enterro no cemitério da Itapeva.

1814 – Solicitação de terra, ¼ de légua em quadro, para uso próprio e de sua família.

1815 – Passagem do Bispo do Rio de Janeiro, Dom José Caetano Coutinho, em outubro, sua primeira passagem.

1815 – Solicitação de ½ légua em quadro para estabelecer seus filhos. Equivalia a cerca de 3 km quadrados, entre Torres e o Mampituba. A área ia desde a Torre do Meio, nas proximidades da atual rua Caxias do Sul, até o rio Mampituba, e do Mar até a Sanga da água boa, próximo da entrada do atual Condomínio Reserva das Águas. Essa doação do governador Luis Teles da Silva Caminha e Menezes, o Marques do Alegrete, tinha uma cláusula que obrigava o Alferes a fundar vila, povoação ou freguesia no distrito dessa meia légua.

1816 – Solicitação de um lote lado esquerdo do quartel e Guarda de Torres, uma área pequena de 968 m2, essa para regularizar a situação de sua casa já construída desde 1910.

1816 – Nascimento do filho Jerônimo, batizado em Araranguá.

1828 – Falecimento do Alferes Manoel Ferreira Porto.

 

Fontes: Diderô Carlos Lopes, Nelson Adams Filho e Ruy Ruben Ruschel.

Desenho: Jorge Hermann.




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