Prosseguindo nossa caminhada pelas ruas de Torres, vamos encontrar mais um desses nomes que estão por toda parte, mas que quase nunca paramos para perguntar quem foi a pessoa que está por trás da placa.
Rua Sirilo Sartori
Mais um nome que encontramos pelas ruas de Torres e que, para a maioria de nós, provavelmente passa despercebido. Mas basta procurar um pouco para descobrir que, por trás dessa placa, existe uma história ligada diretamente aos primeiros tempos do turismo em nossa cidade.
A Rua Sirilo Sartori, na Prainha, homenageia um personagem que aparece nas fontes históricas também como Cirilo Romeu Sartori. A diferença na grafia merece uma observação: atualmente a Prefeitura registra o logradouro como Sirilo Sartori, enquanto fontes históricas e documentos mais antigos utilizam Cirilo Sartori.
Cirilo nasceu em 10 de fevereiro de 1908 e era filho de Guerino Sartori, integrante de uma família de origem italiana ligada a Caxias do Sul. A família Sartori teve participação importante na presença dos primeiros veranistas da Serra em Torres e também na história da hotelaria da cidade.
Foi Guerino quem esteve à frente da criação do Hotel Sartori, um dos antigos estabelecimentos que ajudaram a receber os veranistas que começavam a descobrir Torres como destino para os banhos de mar e para o veraneio. Há registros de atividade hoteleira da família já na década de 1920, embora fontes familiares façam a origem do hotel remontar a 1914.
Cirilo, porém, não foi o fundador do hotel. Em 1930, assumiu sua administração e permaneceu à frente do estabelecimento até 1970, durante aproximadamente quatro décadas. Nesse período, o Hotel Sartori tornou-se uma referência para os visitantes que chegavam a Torres, especialmente para os veranistas vindos da Serra Gaúcha.
O hotel não era apenas um lugar para dormir. Ali aconteciam encontros, reuniões políticas, sociais e empresariais, e o estabelecimento acabou fazendo parte da própria história do veraneio torrense. Há relatos de antigos hóspedes que lembram a cordialidade de Cirilo no atendimento e também da estrutura do hotel, que chegou a manter criação própria de gado para atender às necessidades dos hóspedes.
E existe uma curiosidade que ajuda a entender ainda melhor a homenagem. A rua que leva o nome de Cirilo Sartori é justamente a rua lateral do antigo Hotel Sartori.
Ou seja, não estamos diante de uma homenagem distante, feita apenas porque o personagem teve alguma relação com Torres. Seu nome ficou ligado ao próprio lugar onde passou grande parte de sua vida e onde ajudou a construir uma parte da história turística da cidade.
Cirilo Sartori morreu em 28 de novembro de 1970. O hotel, entretanto, ainda funcionou por mais alguns anos, encerrando definitivamente suas atividades em 1984. O prédio que durante décadas recebeu veranistas e ajudou a escrever a história do turismo de Torres também desapareceu, mas o nome de seu administrador permaneceu na cidade.
E é justamente por isso que vale a pena olhar para essas placas de rua com um pouco mais de atenção. Às vezes, atrás de um nome que passamos todos os dias existe uma história que ajuda a explicar a própria cidade.
No caso de Sirilo Sartori, basta seguir a placa até a antiga localização do hotel para encontrar uma pequena parte da história do turismo de Torres.
Rua Altemar Esteves de Aguiar
Altemar Esteves de Aguiar (1914–1989) foi comerciante e também teve participação na vida política de Santa Catarina, antes de estabelecer-se em Torres. No final da década de 1940, participou da organização política do município catarinense de Turvo, onde foi eleito vereador e, em 1949, tornou-se o primeiro presidente da Câmara Municipal.
Mas foi em Torres que seu nome ficou ligado a uma das marcas que fizeram parte da história comercial da cidade.
Por volta de 1960, Altemar trouxe para Torres a torrefação e moagem do Café Rosenda, café que havia sido fundada pelo seu pai, Abel Esteves de Aguiar, em 1938, em Praia Grande (SC), e que recebeu esse nome em homenagem à sua mãe que morreu jovem aos 21 anos.
A torrefação foi instalada na esquina da Rua Joaquim Porto com a Rua Coronel Pacheco, bem no centro da cidade. Quem viveu aquela época provavelmente ainda guarda na memória o cheiro do café sendo torrado e moído. Afinal, havia aromas que faziam parte da cidade e que hoje já não fazem mais.
O Café Rosenda tornou-se uma referência comercial em Torres e seu produto era distribuído também para outras regiões do Rio Grande do Sul. Durante muitos anos, esteve presente no cotidiano dos torrenses, fazendo parte daquela cidade que tinha no comércio do centro histórico uma de suas principais características.
Hoje, talvez muitos passem pela Rua Altemar Esteves de Aguiar, no bairro Igra Sul, sem saber quem foi o homem que dá nome à rua. E é justamente por isso que esta série existe: para tentar devolver um pouco de história a nomes que, de tanto serem repetidos, acabam se tornando apenas nomes de ruas.
Fontes: https://praiagrandedoscanyons.com.br/antigo/historias/abel_esteves-3.htm. Joceli Roldão.
