Prosseguindo com a série “Figuras e ruas da cidade”, trago mais algumas dessas pessoas que, de uma maneira ou de outra, fizeram parte da história de Torres e acabaram emprestando seus nomes às ruas da cidade.
Alguns foram personagens importantes da política, outros participaram do desenvolvimento da cidade e outros ainda deixaram sua marca na cultura e no cotidiano dos torrenses.
Rua Coronel Pacheco
O torrense João Pacheco de Freitas era mais conhecido como Coronel Pacheco. Nasceu em 26 de dezembro de 1872. Seu pai, Theodoro Pacheco de Freitas, era um professor muito conhecido na cidade.
João Pacheco foi escrivão titular do Cartório de Órfãos e Ausentes e teve 16 filhos.
O título de coronel surgiu em 1901, quando foi nomeado Coronel Comandante da 27ª Brigada de Infantaria da Guarda Nacional. A partir daí, o título acabou incorporando-se ao seu nome e passou a ser a maneira pela qual era conhecido.
Na política, teve uma longa trajetória. Seu primeiro mandato foi de 1901 a 1905. Depois vieram outros três: de 1905 a 1909, de 1909 a 1913 e de 1921 a 1925.
Também governou Torres após a renúncia do intendente Manoel José de Matos Pereira, permanecendo à frente do município entre 1918 e 1921.
Ao terminar seu último mandato, em 1926, aconteceu um fato que hoje parece quase impossível. O Coronel Pacheco apresentou as contas da administração municipal e deixou mais de 7 mil réis em caixa, sem nenhum débito a ser pago pelo município.
Depois disso, transferiu sua residência para Porto Alegre, onde faleceu em 30 de dezembro de 1952.
Rua Kalil Sehbe
Kalil Sehbe nasceu em 10 de junho de 1887 e morreu em 4 de dezembro de 1973. Libanês, veio para o Brasil em 1904 e acabou construindo uma importante trajetória empresarial.
Em 1927, na cidade de Caxias do Sul, investiu em uma promissora indústria de confecção. Também entrou no ramo da hotelaria, criando a rede Alfred Hotéis.
Um desses hotéis funcionou em Torres, cidade onde Kalil Sehbe costumava veranear.
Assim, seu nome ficou ligado não somente à atividade empresarial, mas também à história do veraneio em Torres.
Rua Élcio Lima
Élcio Lima nasceu em Bento Gonçalves, em 7 de abril de 1907, e veio para Torres a convite de José Picoral para trabalhar na manutenção das máquinas do Hotel Picoral.
Com o fechamento do hotel, passou a trabalhar como eletricista na usina da Prefeitura de Torres. Foi responsável pela instalação dos primeiros postes de energia elétrica da cidade.
Trabalhou também para a Prefeitura e dirigiu obras importantes, entre elas a construção da primeira hidráulica de Torres, localizada na Praia da Cal.
Mas Élcio não se limitava ao trabalho. Nas horas vagas, consertava rádios e chegou a instalar a primeira antena da cidade, com mais de 40 metros de altura.
Morreu jovem, aos 57 anos.
É um daqueles personagens que talvez não tenham ficado conhecidos fora de Torres, mas que ajudaram, com seu trabalho, a transformar a pequena cidade de antigamente na Torres que conhecemos hoje.
Rua Bento Gonçalves
Bento Gonçalves da Silva foi um militar brasileiro e um dos principais líderes da Revolução Farroupilha, movimento que durante dez anos confrontou o Império do Brasil e chegou a proclamar a República Rio-Grandense.
Foi seu primeiro presidente e tornou-se uma das figuras mais importantes da história do Rio Grande do Sul.
Seu nome está presente em inúmeras cidades gaúchas. Em Torres, também virou nome de rua, perpetuando a lembrança de um dos personagens mais conhecidos da história do Estado.
Rua Ludgero Vidal Ramos
Ludgero Vidal Ramos era torrense e filho do famoso maestro Antônio João Ramos, responsável pela primeira banda de Torres.
Ludgero fazia parte do conjunto musical, onde tocava clarineta ao lado do pai e dos irmãos. Com a morte de Antônio João Ramos, em 1936, passou a ser o segundo regente da banda, que continuou sua trajetória até aquele período.
Mais tarde, já na década de 1940, fundou a Corporação Musical Carlos Gomes, em Morro Azul.
É uma história que mostra que Torres também teve sua tradição musical, construída por famílias e músicos que, muitas vezes, permanecem esquecidos pela memória atual da cidade.
Rua Pinheiro Machado
José Gomes Pinheiro Machado nasceu em Cruz Alta, em 8 de maio de 1851, e morreu no Rio de Janeiro, em 8 de setembro de 1915. Foi um dos políticos mais influentes da República Velha. Senador pelo Rio Grande do Sul, exerceu enorme influência na política brasileira e ficou conhecido como “o Condestável da República”.
Seu nome também está ligado à chamada “política dos governadores”, característica do período inicial da República.
Em Torres, Pinheiro Machado aparece duas vezes na nossa geografia: existe a Praça Pinheiro Machado e também a Rua Pinheiro Machado.
É mais um exemplo de como certos personagens acabam ficando tão incorporados à cidade que seus nomes passam a fazer parte do nosso cotidiano, mesmo quando já não sabemos exatamente quem foram.
E talvez seja justamente esse o objetivo desta série: olhar para essas placas que encontramos todos os dias e descobrir que, por trás de cada nome, existe uma história.

