A economia mundial vive momentos de grande turbulência, com riscos cada vez mais alardeados de uma nova crise na bolha financeira, sempre contestada com a resposta de que “desta vez é diferente”, apesar de vários revezes desde os anos 70, da queda do ritmo de crescimento das economias maduras, apenas compensada pelos “milagres” da Índia, Irlanda e Indonésia – quem diria?- , e das incertezas no comércio mundial, força motriz, desde sempre, do desenvolvimento das nações, provocadas, em grande parte pelo Presidente Donald Trump.
Desponta, neste cenário, a aprovação pela União Europeia, com o voto contrário da França, da Hungria, Bélgica e outros países de menor expressão, do ACORDO MERCOSUL / União Europeia. O texto, que ainda depende de aval dos parlamentos dos respectivos países da cada bloco e de regulamentações complementares, prevê a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 91% do comércio entre os blocos e pode ampliar o acesso de produtos brasileiros, especialmente do agronegócio, ao mercado europeu.
“A União Europeia (UE) é uma união política e econômica única de 27 países europeus que trabalham juntos para promover a paz, estabilidade e prosperidade, com um mercado comum, moeda única (o Euro, para muitos membros) e leis harmonizadas, atuando como um bloco influente no cenário global através de instituições supranacionais. Ela surgiu do pós- Segunda Guerra Mundial para evitar futuros conflitos, começando com a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) em 1951 e evoluindo para a entidade atual. “
O Mercosul, assinado no Governo Sarney, é um acordo comercial, visando fixar uma tarifa comum entre os participantes, como ponto de partida para novos horizontes, composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai; Venezuela ingressou mas foi suspensa por razões políticas, apesar dos fortes apelos de sua representante, atual Presidente Interina do pais, indignada com esta decisão. Há, também, países associados: Bolívia, Chile, Colômbia, Peru e Equador. Ultimamente, em decorrência da polarização política no interior do bloco, o Mercosul vem perdendo seu apelo como importante veículo de incremento do comércio regional. Argentina se articula cada vez mais como associada dos Estados Unidos. Uruguai, no governo anterior, esteve prestes a firmar acordo bilateral com a China.
A aprovação do Acordo MERCOSUL- União Europeia pode, porém, redinamizar o grupo, apesar das fortes controvérsias que ainda cercam sua implementação, crivada de salvaguardas, registradas sobretudo pela França e Bélgica com vistas à garantia de seus produtores agrícolas. No Brasil, a esquerda, sempre contestadora da política de liberação do comércio, na defesa de mecanismo de proteção à indústria nacional, agora, com Lula na vanguarda do multilateralismo e da liberação do comércio mundial, procura afinar-se com a palavra presidencial. Uma voz dissonante na esquerda é o Economista Paulo Nogueira Jr, ocupante de importantes posições no FMI e no Banco BRICS, hoje independente. Teme ele que o Acordo destrua todos os esforços pela reindustrialização no país. Já a direita, pouco festeja o Acordo para não encher a bola de Lula na campanha eleitoral já em curso neste ano. Não obstante, será sua base do Agro a principal beneficiária deste Acordo pois terá acesso, doravante, com vantagens competitivas inequívocas a um mercado de alto poder aquisitivo na ordem de 600 milhões de consumidores.
Independente dos resultados no futuro, Lula celebra com grande euforia a aprovação do Acordo pelo qual ele tanto se empenhou, sempre destacando que ele garantiu o desfecho de um processo que já se arrastava há mais de 25 anos. Agora, é ver no que vai dar.
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