A obesidade é caracterizada como uma síndrome clínica originada pelo excesso de gordura corporal, capaz de comprometer a saúde e a funcionalidade de vários órgãos e sistemas. Atualmente, essa afecção é considerada a principal doença nutricional na clínica de pequenos animais. Em razão dos inúmeros malefícios relacionados ao excesso de peso, há uma preocupação crescente com a alta proporção de seres humanos e animais de companhia que se encontram nessa condição.
A alta prevalência de obesidade em cães e gatos é agravada pela baixa procura dos tutores por orientação veterinária para o controle de peso, ou mesmo pela demora em buscar atendimento especializado para o tratamento dessa enfermidade. Geralmente, o pet obeso é levado à consulta devido a alguma comorbidade ou alteração provocada pelo sobrepeso, tais como dificuldade locomotora, distúrbios osteoarticulares, alterações cardiorrespiratórias, diabetes mellitus (em felinos), pancreatite, lipidose hepática felina e manifestações cutâneas não alérgicas.
O que causa a obesidade?
O excesso de peso é provocado por um desequilíbrio energético, caracterizado pela discrepância prolongada entre a ingestão e o gasto de energia. Estabelece-se, assim, uma condição de balanço energético positivo crônico, que culmina no acúmulo de energia em forma de gordura no tecido adiposo.
Vale destacar que não é necessário um nível muito elevado de balanço energético positivo para que o animal ganhe peso, embora excedentes maiores resultem em um ganho mais rápido. Um leve excesso na ingestão calórica diária pode provocar um ganho de peso expressivo a longo prazo.
Conscientização dos tutores sobre o excesso de peso de seus pets
Para animais acima do peso, o primeiro grande desafio na rotina clínica é convencer o tutor sobre a real condição do animal. É muito comum que os proprietários subestimem o estado corporal de seus pets; estudos constataram que mais da metade dos tutores de cães e gatos obesos não reconhecem o excesso de peso dos animais .
Para o correto diagnóstico, deve-se avaliar o Escore de Condição Corporal (ECC) por meio de uma escala validada. Para cães e gatos, o modelo mais atual e amplamente recomendado utiliza uma pontuação de 1 a 9, sendo o excesso de peso diagnosticado quando o animal apresenta ECC acima de 5. A avaliação do ECC consiste na análise visual e palpatória dos depósitos de gordura corporal, onde cada ponto da escala possui características físicas correspondentes:
A utilização dessas escalas, associada à demonstração prática da palpação no momento da consulta, são ferramentas fundamentais para conscientizar os tutores. É de suma importância que o médico-veterinário realize essa avaliação rotineiramente, independentemente do motivo principal do atendimento, garantindo que o paciente receba a orientação nutricional adequada.
Após a conscientização do tutor, o segundo desafio é engajá-lo a instituir e seguir corretamente um programa de perda de peso. Para tanto, é preciso informá-lo sobre as consequências negativas à saúde e a redução significativa na expectativa de vida do animal, já demonstrada em cães e evidenciada em gatos. A colaboração do tutor — e de qualquer outra pessoa envolvida na rotina do pet — é o fator determinante para o sucesso do tratamento, que consiste em submeter o paciente à restrição energética associada, quando possível, ao aumento da atividade física.
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