O Vereador e ex-secretário de obras da administração de Torres atual (Governo Delci), Dilson Boaventura, comemorou em seu pronunciamento na Câmara (para onde voltou a alguns dias) a informação do governo de que o cemitério Municipal do Campo Bonito de Torres estaria limpo e acessível para, no Dia de Finados, receber os familiares dos entes queridos que estão lá sepultados. O vereador Gimi, por sua vez, reclamou que as pessoas não têm sequer um ponto d’água disponível para poderem lavar as lápides ou gavetas dos familiares lá enterrados (com razão, penso que se trata de uma necessidade básica em qualquer lugar). Gimi ainda reclamou, mais uma vez, sobre uma espécie de monopólio de serviços para executar sepultamentos no cemitério, que é municipal e que se tornaria caro e com poucas opções de qualidade e preço para os familiares realizarem enterros como desejam. Mais uma vez, digo eu, porque já faz anos que este reclame aparece, de vários vereadores em várias legislaturas.
O assunto cemitério é polêmico porque as pessoas não gostam de falar de morte de parentes, muito menos quando há o enfretamento dos fatos que são inevitáveis – a morte, ainda tabu em várias famílias tradicionais. Um ex-prefeito de Torres perdeu uma eleição porque, diziam, que ele queria vender o cemitério, uma atitude que para comunidades tradicionais soa como uma espécie de “heresia” às tradições, embora a maioria das cidades pelo mundo tenham seus cemitérios privatizados.
Tem uma lei em Torres que não permite que se tenha uma loja de vendas de Urnas Funerárias (mais conhecidas como Caixões) na rua ou a uma distância mínima do hospital, isto por ser considerado uma espécie de ‘agouro à morte’ dos enfermos. Só que, na prática, nada mais eficaz e eficiente do que haver várias lojas do tipo ao lado do hospital, onde geralmente as pessoas morrem e os familiares precisam de opções e praticidade para realizar os atos fúnebres. E morrem por vários motivos, menos por agouro de dono de loja funerária. Ou não?
Mas o importante é as pessoas saberem que não é permitido enterrar uma pessoa na urbe pública da maioria das cidades do mundo. E se a lei não permite enterrar uma pessoa em qualquer local disponível (o que acho sensato, principalmente por questões sanitárias), o Estado (federal, estadual ou municipal) deve oferecer este serviço aos cidadãos, seja lá qual forem e suas profissões ou situações econômicas. Isto não quer dizer que os cemitérios tem que ser públicos: os locais são permeados por uma questão sanitária e de impactos ambientais, por isso devem ter licença ambiental e sanitária para isto. Mas podem muito bem serem privados e os governos oferecerem sepultamentos para seus cidadãos por unidade (o que acontece em Torres). Se não, seria proibido morrer.
Portanto, penso que não é correto trabalhar com estes dogmas preconceituosos e sinistros sobre a morte para definir coisas práticas na cidadania – como dar o direito de uma família enterrar seu ente querido falecido já que é proibido enterrar o mesmo em qualquer lugar. Todo o ônus tem que ter um bônus, mas as prefeituras não precisam ser donas de um cemitério para isto, nem uma loja de venda de caixão deve ser proibida de se localizar próximo ao hospital (na minha opinião). São dogmas preconceituosos que podem ser causadores de dores de cabeça (e nos bolsos/cofres) aos cidadãos, aos gestores públicos e aos empresários – que trabalham com o necessário serviço de oferecer sepultamento para os familiares que perdem seus entes queridos. A Morte é a única coisa certa na vida.
Que o dia de Finados seja com energias iluminadas para todos os vivos perante seus entes queridos que se foram
