OPINIÃO – Bolsonaro, “um corvo que cai”

O “Tramponazo” acelerou, no Brasil, a campanha sucessória ao Planalto. Próximo ano, eleições gerais.

30 de agosto de 2025

O “Tramponazo” acelerou, no Brasil, a campanha sucessória ao Planalto. Próximo ano, eleições gerais. De uma parte, incorporou ao Governo Lula um poderoso elemento de mobilização, a “soberania”, tanto que o bordão do Governo “União e Reconstrução”, deu lugar ao “Justiça Social e Soberania”. Volta-se ele, neste sentido, depois de tanto renegar, à herança getulista e até já incorpora expressões típicas da “Carta Testamento”:

“Cuidarei de atacar a exploração de forças internacionais”.

“Eles, os grupos internacionais, me atacarão de frente”

“E vão (as forças internacionais) se unir com os descontentes aqui de dentro”

“São os eternos inimigos do povo, que não querem ver a valorização do homem assalariado”

Isso se refletiu nas pesquisas. Melhorou o apoio a Lula, tanto no que concerne ao Governo como sua imagem. De outra parte, o alopramento de Eduardo Bolsonaro, ao lado de outro extremista, Paulo Figueiredo, neto do ex-Presidente Figueiredo, último ditador do período 64/85, que permaneceu seis anos no Poder, findo os quais nem ele se aguentava (no famoso comício do milhão no Rio – “Diretas Já!”-, em 1984, ao chegar de uma viagem ao exterior e indagado o que achava da referida mobilização, ele próprio respondeu que se  estivesse no país seria o “milhão e um…”) , está enterrando o bolsonarismo. Não só levou ao Presidente de um país estrangeiro a ideia de pressionar o Brasil com sanções, como acabou se desmoralizando perante os próprios seguidores ao deixar claro em conversações com o pai, que tudo se tratava da defesa deste e não das “velhinhas e velhinhos” que participaram do quebra-quebra do 8 de janeiro de 23.

O resultado está nas pesquisas Atlas Intel e Quaest…. ambas (AtlasIntel e Genial Quaest) já registraram uma alta de três a cinco pontos percentuais na aprovação do presidente Lula (de 45% para 50%, e de 40% para 43%, respectivamente)

Apesar do apoio ainda elevado a Bolsonaro, que chega até a defender o absurdo Tarifaço de 50% , que abalou a economia nacional, sua popularidade está derretendo. Com isso, mesmo com cuidados, eis que o apoio do bolsonarismo ainda lhe é crucial, o Governador Tarcísio, de São Paulo, seu provável sucessor, já está em campo. Tem até o slogan, que lembra JK: “ 40 ANOS EM 4!” . Pouco original, mas que evidencia o espírito competitivo de Tarcísio para 26.

Lula não deixa por menos. Reuniu, nesta semana,  o Ministério e deixou claro: Quem não apoiar o Governo que peça para sair..~. Recado aos titulares de pastas em seus Governo, tanto  do Republicanos, como PSD. O líder deste Partido, Kassab, até aqui vacilante, já vaticinou: Se Tarcísio for candidato, o que parece inevitável, eis que já supera nas pesquisas as chances do próprio Bolsonaro no embate com Lula, apoiará sua candidatura.

Ainda há muito tempo até outubro do ano que vem e, sobretudo analistas mais à direita, à la Rosenfield (Denis Lerrer Rosenfield = Cenário Litoral –  O Estado de S. Paulo – segunda-feira, 25 de agosto de 2025), indicam: “Não se sabe ao certo o que vai acontecer amanhã, o que dizer dentro de um ano) ainda apostam nas encrencas econômicas que recairão sobre os ombros de Lula. Mais importante, porém, do que estes problemas, é a imagem da queda Bolsonaro, em prisão domiciliar, com vigilância reforçada 24 horas, por determinação de Moraes, para impedir sua eventual tentativa de fuga, e sujeito à condenação semana que vem: UM CORPO QUE CAI, título de um clássico de Hitchcock…Vertigem que  recairá inevitavelmente sobre seus oportunistas defensores. Lula percebe isso e os trata como velhos corvos. Assim, aliás, eram denominados os detratores de Vargas. Sabe, como astuta águia, que os corvos são os únicos pássaros que se atrevem a atacá-la. Nem se importa. O único que faz é voar mais alto. Os corvos não suportam a altura e desabam do seu cangote como corpos que caem…

 

*A opinião dos colunistas de A FOLHA Torres é independente e não representa necessariamente o pensamento do jornal




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