OPINIÃO: Crítica e autocrítica após 1° turno das eleições 2026

"Urnas de domingo, dia 4 passado, abertas, sobrevieram as reações: euforia da direita, que não só conseguiu uma pequena vantagem de Flávio sobre Lula, à Presidência, como confortável domínio no Legislativo e nos Estados; espanto na esquerda, com cheiro de derrota"

9 de outubro de 2026

Urnas de domingo, dia 4 passado, abertas, sobrevieram as reações: euforia da direita, que não só conseguiu uma pequena vantagem de Flávio sobre Lula, à Presidência, como confortável domínio no Legislativo e nos Estados; espanto na esquerda, com cheiro de derrota.

Flávio, jovem e inexperiente, já pousa de Presidente e diz que vai “mudar a Constituição” para “democratizar” o Brasil. Recuou um pouco um dia depois, mas não adiantou. Todo mundo sabe que a direita não gosta da Constituição “Cidadã” de 88, que consagrou o caminho da construção de uma sociedade menos desigual e quer substituí-la por um novo marco “liberal”. Lula, altivo, mas abalado, falou que está acostumado a derrotas e vitórias. Mas reconheceu sua surpresa com o resultado, e responsabilizou a Coordenação da Campanha, sob o comando de Edinho, Presidente do PT, afirmando ter sido a pior que teve desde 1989. Disse que vai mudar o tom e convidou os jovens “influencers” de esquerda, eleitos, para renovar o tom. Já está mais combativo, embora sem apontar compromissos com o futuro. Ainda está com os olhos no retrovisor. A pergunta que emerge de tudo isso: O que aconteceu?

A resposta, ou respostas, não são simples.

Primeiro, estamos vivendo, em todo o mundo, dito ocidental, uma inequívoca crise da esquerda, revolucionária ou democrática,  com vitórias sucessivas da extrema direita em vários países. Isso não é por acaso, nem por superioridade, seja dos ideais, seja dos protagonistas deste processo. Corresponde às dificuldades econômicas deste bloco decorrentes do avanço da economia chinesa sobre o comércio mundial. Estão em crise, agudizada pelo estilo Trump.  Além disso, dois fatores, internos, se combinam para o desencanto da população: A expansão dos negócios financeiros, muito bem pagos mas exigentes de qualificação, e o intenso ritmo de inovações tecnológicas da era eletrônica, cujo último “golpe” é a inteligência artificial. Além disso recaem sobre eles ondas de migrantes assolados por guerras, miséria e questões climáticas.

Segundo, internamente, no Brasil, estivemos surfando estas “marolinhas”, pegando carona na luta contra a ditadura militar, apresentando-nos ao mundo como o último bastião na defesa de construção de uma sociedade de bem estar sem prejuízo da democracia. Isso “acendeu” na surpresa da vitória dos senadores da Oposição aos militares em 1974, culminando na aprovação da nova Constituição em 1988. Líderes, movimentos, Partidos oriundos deste processo, Ulysses no  MDB, Brizola no PDT, FHC no PSDB, Lula no PT, cumpriram seus destinos e foram enfrentando os desafios subsequentes. Lula é o sobrevivente e ora, vacila, tanto pelas dificuldades para realimentar o modelo constitucional, seja pelas consequências de seu cumprimento ao criar uma classe média emergente, ansiosa por novas conquistas, seja pelos limites estruturais do Estado para cumprir as tarefas dele exigidas.

Finalmente, a Campanha de Lula. Um desastre, admitido por ele mesmo e que agora trata de mudar de rumo. O PT inovou na esquerda nos anos 1980-2002, mas foi perdendo sua jovialidade quando inundava as cidades com bandeiras vermelhas e impressionava nos programas de TV. O chão das campanhas mudou das ruas para as avenidas eletrônicas das Redes Sociais e o Partido não conseguiu renovar-se a ponto de acompanhar este salto de linguagem. Seus líderes estão encastelados, ou no Estado ou em mandatos “cativos”. Até teria muito a comunicar, pois não foram poucas as realizações de Lula/Dilma, mas não consegue transmitir isso á população, que de resto, exige novos horizontes. Lula está preocupado e corre contra o tempo. É um homem de fé, nordestino, trabalhador, de grande valor e resistência. Um “forte”.  Alguém já disse, até,  que ele é, hoje, um Exército de um homem só, que chegou com êxito aos 80 anos.  Vejamos o que ele colherá no dia 25…




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