OPINIÃO – É O BRICS, ESTÚPIDO!

"Os Estados Unidos veem, neste grupo de países dos BRICS, uma ameaça à liderança americana, apesar de que a ênfase do BRICS se volte mais à cooperação interna de seus membros com vistas ao seu desenvolvimento" *

Logo Brics (FONTE - Wikimedia - por Tom Wilkinson)
8 de agosto de 2025

A expressão “É A ECONOMIA, ESTÚPIDO”, cunhada  por James Carville durante a campanha presidencial de Bill Clinton, em 1992, destacando a importância da economia nas eleições, se tornou paradigmática para se compreender o comportamento dos eleitores nesses processos. Quer dizer simplesmente: É o bolso do eleitor que determina seu voto.

Ultimamente, a máxima tem sido muito relativizada, tendo em vista a emergência de fatores como Redes Sociais, influência dos algoritmos no processo de formação da opinião pública e “afeto” . Mas valeu em seu tempo.  Eu a retomo, agora, diante do Tarifaço de Trump, afirmando que os 50% sobre produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos, nada têm de Política Comercial. É Política Pura. Isto é, uma ação que visa penalizar países integrantes do Bloco BRICS, considerado pelo sistema de poder americano como INIMIGOS.

Trump não é apenas um desvairado espalhando irracionalidades à torto e “à direita”. Suas ações respondem à uma tentativa de reorganizar institucional e politicamente os Estados Unidos, articulada ao questionamento da ordem internacional. Ele é uma espécie de “inovador”, convocado pela crise que afeta a hegemonia americana no mundo,  “capaz” de provocar uma suposta e indispensável mudança. Não por acaso clama pelo MAKE AMERICA GREAT AGAIN, como se fosse possível banhar-se nas mesmas águas de um rio. A era da grandeza americana passou. Não só os Estados Unidos. Hoje o mundo mudou. A supremacia ocidental conquistada pelas Grandes Navegações, às quais se seguiram a Revolução Industrial e a Revolução nas Comunicações está deslocando a Economia do Atlântico para as Rotas da Seda. Nesta nova era, como registra Solange Srou, em seu artigo “Nova era da geoeconomia” , os  Governos não estão mais apenas buscando prosperidade absoluta; estão interessados em garantir vantagens relativas – 24-JCA006-DIG.pdf

O sistema de comércio internacional, herdado da II Guerra Mundial, em 1945,  baseado no livre cambismo e no multilateralismo, que culminou na organização da ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO, organismo da ONU, se cumpriu o papel de levar o american way of life ao mundo inteiro, também contribui para fortalecer economias emergentes. Assim eram denominados o Brasil, Índia, Russia e os Tigres Asiáticos até o ano 2000. Estes, sobretudo, aos quais se associou a China, fizeram das exportações a chave de seu processo de mudança estrutural e desenvolvimento. . Daí surgiu a sigla BRIC.

A origem da denominação “BRIC” refere-se à sigla que representa os países emergentes do grupo BRIC, que inclui Brasil, Rússia, Índia e China. O termo foi proposto pelo economista Jim O’Neill, chefe de pesquisa do Goldman Sachs, em um estudo de 2001 intitulado “Building Better Global Economic BRICs”. O grupo foi criado para discutir questões econômicas e políticas, visando fortalecer a cooperação entre os países em desenvolvimento. A adição da África do Sul ao grupo resultou na expansão para “BRICS” em 2011, e a inclusão de outros países, como Egito, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Etiópia e Irã, em 2024, expandiu ainda mais o grupo.

Os Estados Unidos veem neste grupo de países, uma ameaça à liderança americana, apesar de que a ênfase do BRICS se volte mais à cooperação interna de seus membros com vistas ao seu desenvolvimento. Eis, abaixo, seus principais objetivos:

Objetivos principais do BRICS , 39% da economia mundial, quase metade da população do globo, 25% do PIB Mundial – Fortalecimento da cooperação econômica, política e social, aumento da influência geopolítica do bloco e mudanças no modelo de governança global, condenação a políticas restritivas ao comércio global, papel ativo do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS e criação de um Banco de Reservas Financeiras, maior uso de moedas locais nas transações do bloco, defesa do multilateralismo

Concluo com a síntese de outro observador, destacando que o Tarifaço vai além de Trump e mergulha nas profundezas do Deep State USA, tal como afirma Creomar de Souza* – (Trump e o Brasil: Bolsonaro, negócios e hegemonia – Meio): “No caso do Brasil, a querela personalista em favor de Jair Bolsonaro se torna justificativa retórica e plataforma político-ideológica para o aumento previsível da pressão sobre a economia e atores institucionais brasileiros. As sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, neste sentido, são apenas um sinal — que tende a ser propagado como estigma — em direção a todos aqueles que se insurjam contrariamente ao esforço de Washington de reclamar sua hegemonia regionalmente”.

 

*A opinião expressa por colunistas no jornal A FOLHA Torres não representa necessariamente a visão oficial do veículo de comunicação




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