OPINIÃO – INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PODE PROMOVER MAIS IGUALDADE DE GANHOS NO MUNDO?

"Talvez o lado bom disso seja a vitória da liberdade frente a imposição... E talvez maior igualdade de oportunidades e renda finalmente sejam alcançadas pelas leis irrevogáveis da oferta X procura e pela lei da causa X efeito"

21 de setembro de 2026
Coluna de Fausto Jr. - A FOLHA - Torres - RS

O aumento da ocupação do trabalho inteligente pela Inteligência Artificial (IA) e o consequente desemprego ou baixa abrupta do trabalho inteligente ocupado por humanos não vai ser o final dos tempos e sinônimo de miséria da população mundial frente a riqueza dos já ricos e donos dos aplicativos (robôs). Não fecha a conta… Não tem como haver uma parte da população faturando dinheiro sem custos e ficando mais rica se não há quem consuma. Simples assim.

Como o processo de IA vai ser colocado em todo o mundo quase obrigatoriamente (pelo menos nos países abertos ao mercado e a comunicação mundiais) para que as empresas (e nações) consigam ser competitivas frente às concorrentes que robotizam os processos, o trabalho braçal vai ser uma das únicas coisas que os seres humanos poderão trocar por dinheiro (emprego). Isso faz com que a sociedade se torne menos desigual no que tange a renda para sustento e poupança, o que vai gerar rendas médias pequenas (por conta da facilidade de aprendizado do trabalho braçal e pelo número enorme de pessoas concorrendo pelas mesmas vagas).

Penso que esse possível mundo distópico/utópico iria fazer com que o preço de tudo caísse.  Iriam derreter os valores de imóveis e de patrimônios de pessoas e empresas: Eles Iriam parar lá no chão, causando uma quebradeira incomparável e desemprego (até de robôs – que não têm sindicatos para brigar por estabilidade nem justiça do trabalho).

Os preços de bens e serviços, nesse caso, também devem ir ao chão, o que consequentemente pode deixar até a inteligência artificial ociosa, por conta de não haver necessidade de produzir mais e melhor (simplesmente porque não terá mercado).

Talvez o lado bom disso seja a vitória da liberdade frente a imposição… E talvez maior igualdade de oportunidades e renda finalmente sejam alcançadas pelas leis irrevogáveis  da oferta X procura e pela lei da causa X efeito (também irrevogável e, pensam alguns, que é a lei do universo, a lei de Deus).

 

VIDA À MODA ANTIGA EM ALTA

 

A opção de vida de morar em um sítio longe da cidade e plantar ou cultivar a maioria dos alimentos  que precisa para sobreviver talvez seja a mais moderna forma de vida nesta possibilidade de mundo futuro,  onde a inteligência artificial pode fazer o que quer para o homem, mas o homem não terá grande renda para comprar… E para morar em um sítio junto a natureza em uma casa  até de madeira construída pelos próprios proprietários, não precisa nem estudar nem ter emprego ( caso as pessoas inteligentemente se satisfaçam com uma vida com o básico e simples) .

Não precisa de carro, não precisa de tecnologia (já que não vai trabalhar com ela nem precisa dela para obter produtos e serviços). Não precisa tanto de seguro, de Plano de Saúde (porque plantar e comer o que planta não deixa as pessoas adoecerem tanto).

Basta viver, trabalhar para comer e cuidar de si e de sua família, isso junto a natureza, observando o milagre da vida (como proposito – o que poderia ter sido valorizado eternamente como já o foi em milênios atras).  E o que prova que não precisa ser rico para ter uma vida saudável e livre. Nem votar em políticos… Dinheiro não é sinônimo de felicidade. Ou é?

 

PRAIA COMO LAZER PARA OS ESTRESSADOS

 

Lugares como Torres (de turismo e descanso) serão cada vez mais procurados pelas pessoas que continuarem trabalhando em centros urbanos robotizados. O stress de viver na cidade, se alimentando de comida industrializada, cumprindo ritos burocráticos e tecnológicos e tendo de correr cada vez mais atras de dinheiro (concorrendo com robôs), dinheiro esse que também cada vez mais será diminuto, fará com que os mais urbanos se obriguem cada vez mais a passar períodos de descanso em locais a beira mar, como Torres e nosso litoral. E oferecer atendimento a esses estressados se tratará (em casos distópicos como esse dos efeitos da IA no futuro da humanidade) de uma atividade dificilmente substituída por IA.

Mas os valores oferecidos por moradia, lazer, trilhas, gastronomia e etc. terão que ser mais baixos, isso porque as pessoas em todo o mundo estarão em regime de baixos rendimentos (como sugerido acima).

Festivais de música, de rituais religiosos e esotéricos serão (acho eu) os eventos mais procurados por turistas para explicar ou compensar o seu stress da vida cotidiana em cidades muito tecnológicas (e seguir o proposito original de curtir a vida e o universo como fonte de curiosidade)

 

PODER SERÁ DOS QUE DESVALORIZAM O PODER?

 

Como os recursos circulantes de dinheiro em geral baixariam para quantidades menores, os governos teriam que se reinventar. Para pagar o que está prometido por lei para a sociedade, os governos além de rescindir a maioria dos contratos de servidores, se obrigariam e emitir dinheiro sem lastro produtivo (como muitos países já fazem ao emitirem papeis). E emitir dinheiro que não tem fundo produtivo gera inflação até em Marte e na Lua, o que acabaria baixando os valores reais dos contratos pagos pelos Estados aos cidadãos e credores do sistema (gato por lebre).

Penso que, neste cenário hipotético, o Estado então se obrigaria a inverter sua lógica coercitiva. Ele teria que dar dinheiro para todo mundo produzir e gerar circulação de dinheiro, e se obrigaria a baixar os impostos e taxas compulsórios, por óbvio. E os políticos (e governos) no final seriam praticamente formados por pessoas que se apresentariam para fazer trabalho quase voluntário para a sociedade (ao invés de organizações onerosas como hoje), pessoas voluntarias essas com motivação por solidariedade (como poderia ter sido sempre e não geraria o caos que os governos se tornaram no mundo).




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