OPINIÃO – O ULTIMATO DO TIO SAM

Os EUA não impuseram tarifas absurdas sobre o Brasil. Deram  um ultimato de rendição da soberania do país, paralelo à imposição das elevadas tarifas como sanção.... E isso não foi, nem por acaso, nem por um impulso irracional de Trump.

Donald Trump (AP picture - in freemalaysiatoday)
18 de julho de 2025

O tarifaço de 50% de Trump  jamais foi só sobre evitar a prisão de Jair Bolsonaro. É fruto da convergência dos interesses de grupos ideológicos, de empresários de tecnologia e dos anti-China americanos. Na investigação comercial que acompanha o tarifaço contra o Brasil, já aparece a condenação ao uso do PIX, de tecnologia nacional, que retirou bilhões dos fluxos dos cartões de crédito de bandeira americana.  Já antes das eleições do ano passado, o Itamaraty havia enviado emissários aos Estados Unidos, com vistas a avaliar as projeções, tanto dos republicanos, como dos democratas, concluindo que, no caso dos primeiros vencerem teríamos que enfrentar problemas em função de nossa Política Externa Independente e da nossa disposição em regulamentar as Big Techs. Com efeito, com a vitória de Trump,  O Brics, o avanço do Brasil sobre as plataformas digitais e a pressão da ala mais radical da direita americana (por socorrer seus aliados bolsonaristas) levaram à medida.

Como destacou Jamil Chade, colunista da UOL, em seu artigo  “China & Bigtechs: Os bastidores da investida dos EUA no Brasil”,  sobre a meta dos americanos: “criar condições para que a eleição de 2026 no Brasil abra espaço para um governo alinhado aos interesses políticos e econômicos de Trump”. Chegamos, enfim, ao século XXI. Agora, trata-se de avaliar as consequências do ultimato de Trump, acompanhado da sanção e já reverberado com nova advertência por parte do Secretário da OTAN.

Como estamos próximos do 14 de julho, data da Revolução Francesa, vale lembrar o que acontecem com o Luiz XVI. O Rei da França, mesmo diante da sangria dos nobres que teriam tingida o Sena de vermelho, lá  ficou,  no seu canto, até que em,  1793, resolveu pedir socorro  aos soberanos do resto da Europa. Não deu certo. Foi pra guilhotina e levou junto Maria Antonieta. O mesmo ocorreu agora com Bolsonaro. Vencido nas urnas, réu em processo que poderá leva-lo brevemente à prisão, resolveu pedir socorro a Trump. Deu uma de Luiz XVI. Não deu certo. Até os “jornalões” conservadores o condenaram.  É traidor. Vai perder o pescoço , levando o TARCÍSIO com ele. Lula está sabendo reagir, reconcertando pactos com empresários nacionais do agro e da industrial. Tomou fôlego e se prepara para a campanha eleitoral de 2016. Renasceu. Independentemente dos interesses econômicos advindos com o ultimado, o povo não aceita traição, sobretudo no interesse próprio. É o único pecado para o qual não existe PERDÃO.

A questão não pode se reduzir , pois, à questões conjunturais. É mais séria. Os EUA não impuseram tarifas absurdas sobre o Brasil. Deram  um ultimato de rendição da soberania do país, paralelo à imposição das elevadas tarifas como sanção. Não tem nada a ver com o Trump Tarifaço. Foi muito mais além. E isso não foi, nem por acaso, nem por um impulso irracional de Trump. Foi um movimento  que tem a ver com sua visão de respeito aos grandes blocos de poder no mundo, reafirmando o Poder dos EUA sobre a AMÉRICA como um todo, numa reedição da velho e gasta “Doutrina Monroe”: América para os americanos! Isso passa pela anulação  do Brasil como potência soberana,  com Política Externa Independente.

O papel do Presidente Lula , neste caso, é o de conduzir politicamente , junto com os demais Poderes da República e lideranças privadas , a defesa do Brasil  nos foros internacionais: ONU, Parlamento Europeu, CELAC, Mercosul e OEA.




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