OPINIÃO – PODER LEGISLATIVO ‘EXECUTANDO’ EM TORRES

Coluna de Fausto Jr - Jornal A FOLHA - Torres - RS - Brasil

FOTO - Fachada da Câmara dos Vereadores de Torres
21 de agosto de 2025
Fausto Junior

O Poder Legislativo de Torres (Câmara Municipal) entrou ‘de sola’ no trabalho ordinário do Poder Executivo. Além de críticas de vereadores na tribuna, convocações de reuniões fechadas entre servidores das pastas estão sendo realizadas, para que sejam explicadas demandas dos mandatos. E os vereadores estão colocando nas redes sociais filmagens sobre suas participações nestas reuniões para mostrar a seus eleitores o trabalho de fiscalização e cobrança executados, além do trabalho de legislador, quando em PL e Leis.
Trata-se de um avanço na relação Poder Legislativo X Poder Executivo, ainda restrito a intervenções de vereadores nas pastas do executivo. Mas penso que ainda sem grandes avanços de intervenções abertas do poder executivo no legislativo.
O interessante neste caso é o protagonismo de vereadores da oposição teórica ao governo do MDB (PP e PSDB, principalmente), mas também protagonismo de vereadores do MDB (mesmo sendo de situação) em alguns casos.

 

“FRITURA ABERTA” DE MEMBRO DA EQUIPE DO GOVERNO DELCI

 

Na sessão da Câmara de segunda (dia 11), o presidente da Câmara de Torres Igor Beretta, apontou o procurador do munício do governo municipal como um dos supostos responsáveis por não estar ‘dando andamento’ as demandas projetadas e prometidas pelo poder executivo a população (campanha), assim como aos pedidos do legislativo (que não são obrigatórias). Com criticas pessoais e diretas, Igor sugeriu que o comando da Procuradoria estaria represando processos diversos, o que estaria causando atrasos ou falta de importância necessária para temas relevantes (na opinião do reclamante).
Outros vereadores também ‘fizeram coro’ ao discurso de Igor, ao concordarem que muitos problemas demandados ao poder executivo poderiam não estar sendo respondidos por conta do procurador.
Fogo amigo ou mal entendido?

 

FEITIÇO CONTRA O FEITICEIRO

 

Muita gente reclama acerca de dificuldade e demora para ter acesso a recursos e serviços públicos, seja por direitos (lei), seja por dinheiro/pagamento por troca de trabalho/bens vendidos ao Estado (prefeituras, governos estaduais e federais em todas as instâncias). Penso que a desconfiança de parte da sociedade, quando alguns reclamantes estão juntos na concorrência (de recebimento de benefícios ou subsídios do poder público), acaba gerando judicializações diversas. E as judicializações geram demora, consequentemente gera-se mais burocracias para “atender” o reclamante das causas na justiça, ou para evitar que mais casos sejam judicializados.
Acontece que, no caso da política, os atores destes certames visando recursos públicos, de uma hora para a outra se transformam de reclamantes a contemplados. E aí em muitos casos reclamam do excesso de burocracia ou, até, reclamam de serem judicializados por demandas que considera legítimas.
É o feitiço que vira contra o feiticeiro? Ou não?

 

QUEM É O PAI DA CRIANÇA?

 

O ex-secretário do governo Carlos Souza, Matheus Junges, publicou em suas linhas do tempo nas redes sociais um filme, mostrando e comemorando a inauguração do asfaltamento de parte da via/rua Interpraias, entregue a algum tempo pelo novo governo Delci, mas que foi implementada e executada na parte de articulação orçamentária ainda no governo anterior, justamente de Carlos Souza (com participação de Matheus).
Acho que ele tem razão em lembrar que quem iniciou o projeto da bonita (e necessária) obra foi o governo anterior, quando o próprio Matheus era secretario de Planejamento, embora o governo atual tenha certo mérito por ter aplicado o plano com os recursos humanos, materiais e contratuais que estavam na conta da municipalidade, mas com competência, sem reclamações.
É importante também deixar claro que teve importante participação para o início da obra o secretário de planejamento do governo Carlos Souza, que casualmente era Matheus, mas este também iniciou a demanda com ordens e apoios necessários de todo o governo, no poder executivo, no poder legislativo, em esferas estaduais… pois sem estes apoios ele não conseguiria. E lembrar também que não é somente os Bônus que devem ser divididos entre os responsáveis. Há também a necessidade ética de dividir os ônus da culpa de obras, projetos ou promessas que não são entregues, ou foram criticadas por seu conteúdo.
O ator principal deve ser do protagonista do filme premiado, mas também deve ter participação dos coadjuvantes… assim como o “ator rejeitado” (do filme não premiado) também deve ser lembrado, com todos os coadjuvantes, eticamente. Créditos de autoria e implantação em todos os casos.




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