OPINIÃO – Riacho (ou Valão) de Torres: ponto crítico do problema das inundações

A VOZ DOS BAIRROS - Por Dani dos Santos Pereira - A FOLHA - Torres - RS

FOTO DE ARQUIVO: Valão recebeu melhorias faz alguns anos: serve como regulador do excesso d’agua dos mananciais e da urbe
16 de agosto de 2026
Dani dos Santos Pereira

Moradores de bairros centrais de Torres querem providencias sobre as inundações, principalmente quando as chuvas coincidem com o fenômeno do refluxo por maré alta. Com isso se faz necessário a instalação de um sistema de comportas e bombas de recalque que é a peça central do macroprojeto de macrodrenagem de Torres para acabar com as inundações históricas na área central, onde o sistema regula os níveis hídricos da bacia urbana, garantindo que não transborde em direção às ruas residenciais e comerciais vizinhas durante temporais volumosos.

Essa engenharia transforma o Riacho (entre a Lagoa do Violão e o Rio Mampituba) – antigo ‘valão a céu aberto’ – em um canal de amortecimento técnico de cheias, blindando o comércio e as habitações das bacias mais baixas de Torres, funcionando integrado com o sistema de macrodrenagem e a sua conexão com as ruas do centro de Torres funcionam através de etapas bem definidas, quando o nível do Rio Mampituba ou do mar sobe, ocorre o seguinte cenário:

 

O Problema da Maré Alta (Sem Comportas)

 

*Inversão do fluxo: A água do rio, por diferença de pressão e nível, entra “de costas” pelas tubulações de drenagem;

*Afogamento da rede: As galerias pluviais e os bueiros do Centro ficam completamente cheios de água salgada ou salobra vinda de fora, antes mesmo de começar a chover;

*Represamento total: Quando a chuva cai nas ruas do Centro, a água não consegue entrar nos bueiros porque eles já estão lotados. O escoamento é totalmente bloqueando, transformando as vias em bacias de acumulação imediatas.

 

Uma Solução seria colocação de comportas e bombas de recalque

 

Penso que é precisamente para romper esse ciclo que as comportas estanques e as bombas de recalque trabalham juntas. Assim que o nível do rio sobe, a comporta se fecha hermeticamente no Riacho/ Valão. Ela funciona como um “muro de contenção móvel”, impedindo fisicamente que a água do rio invada a rede de bueiros do Centro;

*Criação de um Gradiente Artificial: Com a comporta fechada, as bombas começam a sugar a água do canal do Riacho e a jogá-la no rio. Isso rebaixa artificialmente o nível da água dentro do canal da cidade;

*Rede Livre para Escoar: Como o nível interno do canal é mantido baixo pelas bombas, a água da chuva que cai no Centro encontra os bueiros e as galerias totalmente vazios, conseguindo descer e escoar normalmente por gravidade até o Riacho, de onde é bombeada para fora.

 

Um sistema completo para impedir o refluxo em redes de drenagem urbana — combinando a engenharia de macro e microdrenagem — baseia-se no princípio de criar barreiras que permitem a saída da água da chuva, mas bloqueiam fisicamente a entrada da maré alta.

 

Níveis de proteção

 

*Macroproteção: Comportas de Final de Linha – Instaladas no ponto onde os canais principais (como o da Avenida do Riacho) encontram o rio.

Comportas Guilhotina ou Deslizantes: Grandes placas metálicas que sobem e descem por trilhos de forma automatizada. Sensores eletrônicos de nível detectam quando a maré ultrapassa a cota de segurança e acionam motores elétricos ou hidráulicos para fechá-las imediatamente;

Comportas Flutuantes (Válvulas Flap/Clapete de grande porte): Funcionam como portas que abrem apenas para fora. Se o nível do canal interno for maior que o do rio, a força da água empurra a comporta e sai. Se a maré externa subir, a própria pressão do rio empurra a comporta contra o batente, selando o canal.

 

*Microproteção: bocas de Lobo e Sarjetas (Microdrenagem): A água que escorre pelo asfalto no Centro é captada pelas bocas de lobo (bueiros).

Galerias Subterrâneas: Esses bueiros despejam a água em tubulações menores que correm por baixo das vias. Elas vão se unindo a tubos progressivamente maiores até formarem as grandes galerias pluviais da área central.

 

*Ponto de Deságue (Canal da Av. do Riacho): Essas macrogalerias convergem e desembocam diretamente no canal revitalizado da Avenida do Riacho.

 

O Gargalo Resolvido pelas Bombas: Em dias normais, a gravidade empurra essa água do Riacho/ Valão direto para o Rio Mampituba. Porém, quando o rio sobe e as comportas fecham, a água da chuva vinda dos bueiros fica “presa” no canal. É aí que as bombas de recalque entram em ação, puxando essa água acumulada e jogando-a mecanicamente para o lado de lá da comporta (no rio), mantendo o nível do canal baixo e permitindo que os bueiros do Centro continuem escoando sem estagnar.

 

O Elemento Ativo: Estações de Bombeamento (Recalque) – Nenhuma barreira antirreflexo funciona sozinha durante uma tempestade, pois ao isolar a cidade da maré, isola-se também a saída da chuva.

Enquanto as comportas e válvulas trancam o refluxo da maré, bombas helicoidais ou centrífugas de alta vazão retiram mecanicamente a água acumulada nos bueiros – e a ‘cospe’ por cima ou por dentro da estrutura da comporta, em direção ao Rio Mampituba.

 




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