Tradicionalmente, dizia-se que Minas Gerais, com suas “professorinhas” espalhadas ao longo de mais de 800 municípios, decidia a eleição para Presidente da República. Depois que assistimos Romeu Zema, um espécie de “Chico Bento”, carregado de platitudes nas entrevistas das TVs, nos damos conta de que o elevado “espírito” daquele Estado está em crise. Fernando Sabino e Guimarães Rosa se contorcem de vergonha em sua vigília eterna. Cada vez mais, analistas transferem o fiel da balança eleitoral para o “Triângulo das Bermudas”, a saber Minas, São Paulo e Rio de Janeiro, os quais concentram 40% do eleitorado brasileiro: 60 milhões. Aí, o cenário eleitoral está incerto. Lula tem uma pequena vantagem sobre Flávio em Minas, sem um forte candidato ao Governo que reedite no Estado a “Frente” nacional, na qual Partidos do Centrão se declaram “neutros”, ora apoiando um lado, ora outro. Sorte dele que Flavio tampouco tem um forte candidato ao Governo de Minas. No Rio de Janeiro, ao contrário, Lula tem um forte candidato ao Governo, o ex-prefeito por quatro mandatos do Rio, Eduardo Paes, do PSD, mas que não transfere imediatamente seus votos para Lula. O Estado é o berço do bolsonarismo e ali Flávio corre na frente. Em São Paulo, enfim, maior colégio eleitoral do país, o cenário é similar ao do Rio, há um candidato forte: O Governador Tarcísio, fiel escudeiro de “Bolsonaro pai”, mas acusado de hesitação diante da candidato filho, Flávio. Este chia e até propõe “acordos” com o Governador na tentativa de sensibilizá-lo para maior empenho em sua campanha. Cauteloso, Tarcísio, hesita. Teme levantar Flávio nas costas e empantanar-se no final da campanha frente a Haddad.
Em contraposição ao “Triângulo das Bermudas”, situa-se outro grande colégio eleitoral: Nordeste: 35 milhões de eleitores. Ali, terra natal de Lula e pela qual este tem se empenhado em vários projetos de redenção econômica, além do Bolsa Família, de larga extensão em toda a região, sua margem de vantagem é imensa e compensará eventual derrota nos Estados do Sudeste. Vejamos:
Enfim, depois do Triângulo e do Nordeste, resta o terceiro bloco eleitoral: Regiões Sul, Centro Oeste e Norte, nas quais a presença da direita vem se acentuando nos últimos anos, sobretudo em consequência da expansão do agrobusiness nas duas últimas. Mas, lamentavelmente, para Flavio o número de eleitores nestas regiões é relativamente pequeno. E com uma ressalva, no Rio Grande do Sul, Região Sul, a disputa entre Lula e Bolsonaro, deverá ser acirrada. Em eleições passadas houve oscilação. Agora, por primeira vez desde a redemocratização, a esquerda está unida no Estado, com um (sobre)nome forte ao Piratini (Brizola), hoje despontando nas Pesquisas, o que poderá favorecer Lula na reta final.
Diante de todos estes cenários regionais, ainda é cedo para se dizer quem será o vencedor ao Planalto. Lula vem melhorando a performance e deverá sair-se melhor ainda com a aprovação de Projetos de grande impacto popular antes das eleições, tais como o fim da escala 6 x 1, o fim da cobrança de imposto sobre blusinhas e a PEC da Segurança. Mas mesmo com todas as técnicas de verificação de preferências eleitorais, toda eleição é sempre surpreendente. Há processos em curso, principalmente de interferência externa, há acidentes de percurso, como o que vitimou, outrora o candidato do PSB/Pe, há “circunstâncias imprevisíveis” que produzem sentimentos inéditos. E, como dizia Ortega y Gasset: “O homem é sempre o homem e suas circunstâncias”…
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