OPINIÃO – UMA CASA DE CULTURA PARA TORRES (parte 1)

"Prefeitos inadvertidos continuam gastando horrores com entretenimentos, a título de cultura. Mas há sempre o olho crítico que aponta a necessidade de não se descuidar das atividades de promoção do conhecimento, não só artístico, como também científico"

18 de outubro de 2025

Conta-se que o famoso Goebbels, o homem da comunicação de Hitler, dizia: “Quando me falam em cultura eu saco do revólver”. Diante da derrota do III Reich no avanço das Forças Aliadas sobre Berlim, acovardou-se. Com medo das represálias, matou toda a família e, a seguir, suicidou-se.

Mentira ou verdade, o fato é que os extremismos, seja os de direita como os de esquerda, odeiam a cultura. Operam com base em máximas convertidas em rigorosa doutrina a que muitos denominam seitas. “Ou crê ou morre!”. Falta-lhe o senso crítico que impulsiona a coragem. Outros, não necessariamente fascistas, entregam-se a projetos megalomaníacos, como o de Camboriú, que alguns tentam imitar aqui em Torres, sob o nome de progresso. Lamentável. Não passam de especuladores bem-sucedidos. Também odeiam cultura. Senso crítico, nem se fala. São incapazes de avaliar situações complexas. “Cultura não dá dinheiro”, dizem. Tanto que, na última gestão da cidade, fecharam os equipamentos culturais e descuidaram dos mecanismos institucionais de promoção da cultura. Vá o feito!

Compreendamos que a cultura é um elemento civilizacional indispensável à expansão da inteligência.  O uso do fogo pelos nossos ancestrais permitiu o pré-cozimento dos alimentos, liberando energia sanguínea para o desenvolvimento cerebral.  Foi progresso. Os desafios da sobrevivência, à luz da escassez dos recursos disponíveis,  depois que Adão foi expulso do Paraíso e  obrigado a comer o pão com o suor do seu rosto, humanizou os hominídeos,  elevando-os ao “sapiens’. Depois vieram as festividades, os ornamentos, os rituais, tudo num concerto de celebração. E, assim como a elevação da renda dos consumidores diversifica seu consumo, também a maior complexidade da sociedade humana implicou na grande diversificação entre atividades propriamente culturais, que consistem no esforço para a permanente ativação dos saberes e dos espetáculos de entretenimento, a que os romanos já chamavam de “pão e circo”. O Coliseu era um primor da engenharia da época. E de alienação…

 

Espaços para valorização da Cultura

Em muitos casos essas atividades se entrelaçam e confundem os observadores. Prefeitos inadvertidos continuam gastando horrores com entretenimentos, a título de cultura. Mas há sempre o olho crítico que aponta a necessidade de não se descuidar das atividades de promoção do conhecimento, não só artístico, como também científico. Daí a necessidade de especialização, no mundo moderno dos espaços para as atividades culturais que dignificaram  os famosos Teatros Municipais – de Milão, de Paris, do Rio de Janeiro, de Buenos Aires e até mesmo da pacata  Porto Alegre, de 1858, com o Teatro São Pedro. Mas recentemente, Casas de Cultura semearam-se por toda parte, a primeira delas na Bélgica, como registrou Paulo Fernandes Silveira, em seu artigo “Casas de cultura e ocupações culturais”- https://aterraeredonda.com.br/casas-de-cultura-e-ocupacoes-culturais/ .

Lembro-me a propósito, da minha infância, lá pelo ano de 1951, em Santa Maria, quando, no café da manhã meus país comentavam a peça “As mãos de Eurídice”, que haviam visto na Casa Municipal de Cultura da cidade na noite anterior. Aqui, à volta de Torres, abundam Casas de Cultura, algumas verdadeiramente invejáveis, que tanto servem como Casas de espetáculos, como lugares de formação, ensaios e apresentações de grupos locais.

Perguntamo-nos, portanto, por que Torres até hoje, com uma unidade da ULBRA e outra da Universidade de Caxias do Sul, além de várias outras representações em EAD, e mais de 40 mil habitantes (além de milhares de visitantes todo verão), até hoje carece de uma Casa de Cultura? A esta indagação voltou-se o Movimento Torres Além Veraneio, criado ao final de 2018 tentando aglutinar esforços para a valorização da escala cultural da cidade.  (CONTINUA NA SEMANA QUE VÊM….)




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