OPINIÃO – Uma Casa de Cultura para Torres (parte II)

"Há muito tempo venho falando e me dedicando ao estudo da Economia da Cultura e, como bom rebelde, reitero: Temos que substituir a Cultura da Economia, prenhe de grossos Manuais, não poucos Prêmios Nobel de Economia e promotores de “cidades paliteiro”, por uma nova  Economia - da Cultura-, mais adequada aos nossos tempos"

11 de novembro de 2025

Há muito tempo venho falando e me dedicando ao estudo da Economia da Cultura e, como bom rebelde, reitero: Temos que substituir a Cultura da Economia, prenhe de grossos Manuais, não poucos Prêmios Nobel de Economia e promotores de “cidades paliteiro”, por uma nova  Economia – da Cultura-, mais adequada aos nossos tempos.  No Brasil, por exemplo, dos 100 milhões ocupados, com algum rendimento, 5% ganham a vida no complexo cultural.

Muito se fala, aliás,  em  Terceiro Milênio, “New Age” e  Sociedade do Conhecimento. Poucos se dão  conta, porém,  do que isso significa. Continuam “pensando” a cidade para trás, como fruto da industrialização – e a construção é uma indústria! – ,  não para o futuro.  Mas os muros gritam, há já décadas, em grafites pelo mundo inteiro: O FUTURO É AGORA!!!

Um modelo de cidade contemporânea, por exemplo,  é Barcelona, na Espanha. Ninguém sabe o porquê, mas artistas e intelectuais para lá convergem, aos bandos, como convergiu, outrora, para Jerusalém, Atenas, Paris e Nova York. É a atmosfera de futuro que os empolga: Um clima inebriante de liberdade de ser, estar  e de se expressar. Leiam-se, por exemplo, as oportunas indicações de Rejane Xavier em seus artigos e palestras: (Indicações bibliográficas – Rejane Xavier                https://rexcogitans.blogspot.com/2009/03/economia-e-cultura-producao-e.html )

É disso que precisamos: Voltarmo-nos para um conjunto de Projetos capazes de fazer de nossas cidades centros criativos, com muita inovação, conexões articuladas e inteligentes, à altura do século atual. Isto não é incompatível com o desenvolvimento econômico. Pelo contrário, é a fórmula do desenvolvimento sustentável capaz de fazer da vocação natural de cada espaço urbano um novo produto. Chega de prédios cada vez mais altos e caros, objeto da cobiça do capital especulativo.

Penso que o modelo Camboriú já era… Florianópolis, por exemplo, poderia ser, em Santa Catarina, a Capital de uma nova economia, com a cultura como eixo do turismo e do lazer: Grandes Encontros Internacionais de Artes Plásticas, um Polo de Cinema e Vídeo, um Festival Sul-americano de Poesia e Literatura, uma Califórnia de Motivos Europeus, Espaços de Criatividade e Lazer Cultural, uma Competição Nacional de Estudantes de Tecnologia. Torres, entre nós, poderia ser um centro que combinasse a dimensão turística com outros elementos culturais, de forma a se integrar, cada vez mais num eixo de turismo ao sul do país: O VALE SAGRADO DO MAMPITUBA. Maurício de Souza, criador da Mônica, acaba de completar 90 anos. Por que não pensarmos num “Parque da Mônica”, assim como existem mundo afora Disneylândias?  Mais Parques, mais Distritos Criativos, menos Indústrias…

Chega do mínimo, sempre reduzido às necessidades básicas ou o que nos brindou a natureza. Chega do mesmo: a irrefreável voracidade por espaços para construir mais um arranha-céu, que é catalogado como Indústria da Construção Civil.

Na Semana passada, à calada da noite, em terreno público, botaram abaixo, no centro da cidade o prédio da Corsan, que bem poderia ter transformado numa Casa Municipal de Cultura. A Rede Cultura de Torres até lançou esta nota, sobre a qual vale refletir, e que subscrevo:

 

“REDE CULTURA TORRES: Mais um testemunho de uma época foi apagado.

Em uma semana, de forma apressada, com trabalho noturno, quase toda uma quadra foi arrasada: só resta uma ampla superfície de escombros e, de pé, duas árvores de grande porte (ainda bem, mas sabemos que agora é só uma questão de tempo).

O turista nesses meses de verão vai ver aquilo que hoje é a nova alma de Torres: tapumes escondendo parcialmente entulhos, poeira, água empoçada. Vai ser assim na praia da Cal, na quadra do espaço cultural Muitas Luas, hoje um buraco esperando fundações dos edifícios que irão projetar as sombras e lançar as águas pluviais (na melhor das hipóteses) na praia.

Mas a quadra da Corsan era diferente, é, ainda, do poder público municipal, é nosso.

Será que é isso que nós, munícipes, queremos para uma parte central da cidade? Mais um espigão com nome pomposo vedado a nós, simples mortais?

O edifício da esquina, que ainda mantinha seus traços originais da década de 50, modernistas, poderia ser a nossa biblioteca. Estava em uso ainda poucas semanas atrás.

Mas na rede retumbam comentários que, naquele estilo primário e tosco, que se felicitam com a destruição alimentados pelo ódio e pela violência contra os “moradores de rua”, inflamados pelo som das retroescavadeira e bate-estacas, levados a símbolo da modernidade. E tem urubus já sobrevoando sobre os destroços.”

 

Vamos, enfim,  às ideias aladas como as condutoras do destino. A beleza salvará o mundo! E as Artes e artistas são seus instrumentos

 

*** As opiniões dos colunistas de A FOLHA Torres são independentes e não necessariamente refletem o posicionamento deste veículo de comunicação ***




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