OPINIÃO – Vem aí as ELEIÇÕES 2026

"Faça sua aposta. Vote no modelo que acreditem mais adequado para o Brasil. Mas V O T E! Depois, não reclame...Aliás, a gente nunca se arrepende do que fez, mas do que deixou de fazer, em pecado de omissão"

FONTE DA IMAGEM - TRE SP
3 de outubro de 2026

Neste domingo, dia 4 de outubro (2026), o Brasil vai às urnas. Não é nenhuma novidade que dois candidatos “disputam”, concorrencialmente, o pleito: Lula, pelo PT, e Flávio Bolsonaro, PL. Primeira indagação: Vocês sabem o que significam estas siglas, aliás, qual mesmo o nome de cada um destes Partidos?

Certamente, vai lembrar que PT é Partido dos Trabalhadores. E o PL? Duvido que saibam. Eu mesmo não lembro. Vou deixar essa tarefa para Vocês… Outra pergunta: qual a trajetória de cada um deles, que ideias os inspiram, são herdeiros de quem? O que seus líderes defendem? Outra tarefa para vocês. Eu, mais velho, me lembro, mas não importa que eu me lembre, isso importa a cada eleitor: saber para qual “projeto”, ideal, programático, ou realista, como resultado da ação deles em situação de governo, apontam. Lula, certamente, vai manter o Banco do Brasil como empresa pública, Flávio muito provavelmente vai tentar privatizá-lo, como sempre quis o ex Ministro da Fazenda do pai, Paulo Guedes. Daí, talvez, se possa inferir uma ideia do que colocarão em prática, caso sejam eleitos. Nenhum deles, aliás, é novidade. Não estamos diante do que, outrora, se chamou, um “outsider”, um nome relativamente desconhecido,  tipo Collor,  de um tal PRN. PRN? O que era “isso”…?Estamos diante de duas experiências idas e vividas, Lula e Bolso. No fundo, todo mundo sabe o que Lula fez e o que Bolsonaro, agora, sustentado pelo filho Flávio, também fez – ou deixaram de fazer.  Mas, se não está conseguindo lembrar, vou tentar, em  “rápidas pinceladas”, vez que as respectivas campanhas eleitores não estão conseguindo trazer à tona com clareza a essência destes projetos, sintetizá-las.

Comecemos por situá-las no tempo. Não estamos na Roma Antiga. Nem na Era dos Descobrimentos. Estamos tentando levar adiante, no rastro do que outras nações já fizeram na Europa, desde o século XIII, e na Asia, Japão no século XIX, com a restauração Meiji, a China, depois da Proclamação da República por Sun Ya Tsen em 1911, um Estado Nacional Moderno. Para tanto, começamos a nos organizar no século passado,  em bases territoriais definidas sobre a qual  tateamos a Soberania,  ao tempo em que  fortalecemos instituições reguladoras da  vida social: uma, Política,  de organização do poder em bases racionais, de forma a impor o império da Lei, embora pleno de  “compadrios”,  e que conferiu ao Estado o papel dirigente com exclusividade do poder coercitivo, primeiro no Império escravocrata, depois na República Velha, a partir de 1930 numa sucessão de governos, ora autoritários, ora democráticos; outra, o Mercado, de organização da vida econômico , de forma a assegurar, através do aproveitamento dos Recursos Disponíveis o progresso e o desenvolvimento acessível todos os membros da sociedade. Os últimos, como diz a máxima positivista inscrita na nossa bandeira: “Ordem e Progresso”. Ou se preferirmos, Ordem tendo o amor por princípio, Progresso, através dos meios possíveis do Estado e do Mercado, como fim.

Neste esforço de construção do Estado Nacional Moderno e suas instituições, Estado e Mercado cumprem papeis fundamentais, relativamente autônomos e complementares. Em alguns modelos, sobretudo em países retardatários na conquista do desenvolvimento, o Estado é mais acionado, chegando, nos modelos socialistas puros, tido soviético, da antiga URSS (1917-1991), a sufocar o Mercado, assumindo todas as suas funções econômicas; em outros casos, como foi o caso do Japão e Alemanha, no final do século passado, como também vários países da América Latina, principalmente Brasil, no século XX, o Estado é acionado como alavanca do progresso, em razão da debilidade econômica de grupos nacionais, operando como peça indispensável das transformações socioeconômicas, primeiro, na formação de capital , depois como veículo de construção da cidadania através das transferências governamentais. Nos modelos mais tradicionais, porém,  de construção do Estado, Europa e Estados Unidos, o Estado também cumpriu papéis importantes, sobretudo na construção de infraestruturas internas e apoio em situações de desequilíbrio de mercado. Nestes países, a economia nacional não obedeceu, como na construção de uma casa, a um projeto pré-existente. Ela vai se construindo – e reconstruindo, nas crises –, paulatinamente, ao sabor das oportunidades captadas pelos fortes grupos  empreendedores – individuais ou coletivos – à caça de lucros. Como deram início à industrialização, numa etapa da história da civilização marcada por expectativas de vida muito baixas, não tiveram problemas de excedente populacional, o que viria a ocorrer em países atrasados no século XX, quando, em apenas cem anos, a população cresceu de 1,2 bilhão para perto de 8 bilhões de pessoas, dispensando-se o Estado de fortes subsídios às populações marginalizadas. Como foram, também, pioneiros da montagem de uma economia globalizada, passaram a controlar o mercado mundial, criando obstáculos a novos países emergentes. Aos não emergentes, restou-lhes o papel colonial de transferência sumária de suas riquezas para o centro do sistema imperialista.

A questão, portanto, da dinâmica Estado X Mercado está no centro das disputas políticas, não só aqui no Brasil, desde Vargas, como em vários países de desenvolvimento tardio, e se constituo  no cerne das disputas político-ideológicas contemporâneas.

Vargas, por exemplo,  no Brasil, foi o herdeiro de Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros no Rio Grande do Sul, Patronos do Republicanismo riograndense, todos guiados pela máxima da “Ordem e Progresso”, desde que fosse avançar conservando, como Cárdenas no México e Perón na Argentina. Lula, ciente ou não, é o continuador desta matriz. São os “desenvolvimentistas”, centrados no Estado como promotor do desenvolvimento e da cidadania,  graças aos quais o Brasil chegou a condição de uma das dez maiores economias do mundo – e invejado como uma diplomacia da paz.

Flavio Bolsonaro, é herdeiro do  Papai – este, aliás, preclaro saudoso do regime militar que tentou restaurar, substituindo-se à velha oligarquia dirigente, tal como fizeram seus congêneres entre 1964 e 1985,   tem uma matriz ideológica na confiança irrestrita no Mercado como uma mão invisível impulsionadora da Economia, seguindo, contemporaneamente as regras de governança dos Estados Unidos. Desde 1989, com poucas mudanças no período Trump, este conjunto de regras imperativas tem o nome de “Consenso de Washington. Michel Temer (2016-2018) pensava igual, com seu “Ponte para o futuro”. Tudo aponta para  privatizar, terceirizar e flexibilizar a legislação trabalhista, oferecendo gordos subsídios na forma de diminuição de impostos e fartos subsídios a poderosos grupos corporativos. Para ele, Flávio, estes,  tais grupos são “fazedores” de emprego, numa espécie “plutonomia”: “os mais ricos sabem o que fazem…”

Desde 1930, portanto, estamos diante deste dilema: “desenvolvimentistas” , à esquerda, x “mercadistas”, à direita.

Faça sua aposta. Vote no modelo que acreditem mais adequado para o Brasil. Mas V O T E! Depois, não reclame…Aliás, a gente nunca se arrepende do que fez, mas do que deixou de fazer, em pecado de omissão

 

***A opinião dos colunistas de A FOLHA Torres é independente e não representa necessariamente o posicionamento do meio de comunicação **




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