A história do bairro Guarita em Torres, RS, confunde-se diretamente com a criação do seu maior patrimônio: o Parque da Guarita (oficialmente Parque Estadual da Guarita José Lutzenberger). A região destaca-se pelas suas impressionantes falésias de basalto com milhões de anos e pela fusão entre a beleza natural e a rica tradição oral local.
Antes de se tornar um polo turístico, a área da Guarita era habitada por povos indígenas, como a tribo dos Carijós. A presença histórica desses povos é comprovada por vestígios arqueológicos (sambaquis) encontrados na região do estacionamento do parque.]
O nome “Guarita” surgiu devido ao formato de uma das principais torres de basalto (com cerca de 30 metros de altura), que se assemelha a uma estrutura de guarnição ou guarita militar. Na década de 1970, o local passou por uma profunda transformação paisagística de proteção ambiental que moldou o desenho atual do bairro e do parque.
Cronologia Histórica de Luta do Bairro Guarita – Torres, RS
Anos 1970 – O Projeto do Parque e o Início do Limbo Jurídico: Entre 1972–1979, O Estado do Rio Grande do Sul inicia o processo de desapropriação de terras da família Sperb entre outros, para a criação e implantação do Parque da Guarita, sob o projeto paisagístico do ecologista José Lutzenberger. É neste período que as primeiras famílias de trabalhadores e posseiros começam a fixar residência nas franjas dessas terras.
Anos 1980 – O Mutirão da Luz e a Desistência do Estado- O Mutirão da Luz – Diante do isolamento das famílias que moravam no local, cerca de 120 moradores voluntários unem-se numa grande força de trabalho braçal para capinar, roçar o mato e limpar as ruas da cidade. A iniciativa dá ao prefeito Clóvis Webber Rodrigues, legalidade e condições para instalar os primeiros postes de energia elétrica, que atendia somente 120 residências.
A Desistência Estatal – Entre o final dos anos 80 e início dos 90, o Estado desiste oficialmente da desapropriação daquela faixa de terra específica adjacente ao Parque, devolvendo a propriedade legal à família Sperb, mas entregando-a já ocupada pela comunidade de posseiros consolidados.
Anos 1990 – O Impasse da Terra e a Organização Política, o Jurídico – Com a devolução da terra aos Sperb, a área passa a ser um terreno privado ocupado por posseiros. As concessionárias (CEEE e CORSAN) recusam-se a realizar investimentos estruturais em saneamento e energia devido à falta de regularização fundiária.
Unificação das Lideranças – É criada a Associação de Moradores do Bairro Guarita, presidida por Paulo dos Santos Maciel, onde começou a organizar o bairro. Outras pessoas o sucederam, até que assumiu Miguel Delfino. Em paralelo, o Sr. Dani dos Santos Pereira, era o presidente da União das Associações de Moradores (UAMTOR) e secretário da Secretaria Municipal de Ação Social, iniciando o mapeamento socioeconómico das famílias para mediar o conflito entre posseiros, a família Sperb e a Prefeitura.
1999 a 2003 – A Grande Ofensiva Legal e a Universalização dos Serviços – Articulação Tripla – Dani dos Santos Pereira unifica a sua força política e de classe (como Secretário, presidente da UAMTOR e presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil – SINDICIL). Como a base dos operários que erguiam Torres morava na Guarita, a luta por moradia funde-se com a luta laboral.
A União das Associações de Moradores (UAMTOR), aciona o Ministério Público e o Governo Olívio Dutra – O Ministério Público move uma ação civil que obriga o Governo do Estado (gestão Olívio Dutra) a estender as redes oficiais de água da CORSAN e extensão da rede de energia elétrica da CEEE para todos os moradores do bairro Guarita, sob o princípio de que o direito à vida e à dignidade prevalece sobre disputas de propriedade.
Representação Legislativa – Reconhecido pelo sucesso da mobilização, Miguel Delfino elege-se vereador na Câmara Municipal de Torres para dar voz contínua ao bairro e assume a Associação o Sr. Elio Serafim Bitencourt, que deu continuidade aos trabalhos e alcançando melhorias como os atendimentos na área da saúde.
Anos 2020 – Assistência Social e a Luta contra a Verticalização – 2021: É fundado o projeto Amigos do Guarita por Adriano Bitencourt, estruturando o apoio social no Salão Comunitário Nossa Senhora da Conceição. Ativistas como o marisqueiro Paulo França atuam voluntariamente na preservação ecológica diária da praia da Guarita.
2026 – Atualidade, diante de pressões externas, moradores se queixam de movimentos que em nome do meio ambiente passam por cima dos interesses dos residentes, tomam atitudes e praticam ações sem consultar população local, muitas vezes prejudicando e causando prejuízos aos moradores nativos, tudo em nome das suas lutas e interesses próprios de indivíduos que residem em outras cidades.
