Com debates polêmicos, realizada Audiência Pública sobre Plano Plurianual da Prefeitura de Torres

Secretário da Fazenda Felipe Valim e o Secretário do Planejamento Guilherme Biasi apresentaram síntese da proposta do PPA, mas receberam vários recados dos cidadãos presentes na audiência

6 de maio de 2025

No último dia 24 de abril, aconteceu nas dependências da Câmara Municipal a Audiência Pública promovida pela Prefeitura de Torres para que a comunidade conheça as bases do Plano Plurianual (PPA) deste governo municipal eleito em 2024. PPA este que, quando aprovado, servirá do plano macro de diretrizes e metas para os anos de 2026, 2027,2028 e 2029 (ou seja, já dando bases orçamentárias e de metas ao primeiro ano do próximo governo, a ser eleito em 2028).
O destaque deste evento – obrigatório nas regras da Lei de Probidade Administrativa – foi para a presença anunciada antecipadamente ( e cumprida) de pais e diretores/professores da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), que participaram da audiência para, publicamente, pedir que os planos orçamentários da prefeitura abrissem uma nova porta para a disponibilização de mais recursos para a entidade, que vem se mostrando debilitada financeiramente em meio ao alto volume de atendimento às pessoas com deficiência (PcD), principalmente na área de Saúde (esta atendida pelo SUS).

 

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São dez pilares estratégicos que devem nortear o governo Delci

Na audiência, os secretários de Fazenda (Felipe Valim) e do Planejamento (Guilherme Biasi) apresentaram a fundamentação do PPA e a seguir compartilharam os 10 programas de governo, que serão os pilares do Plano. São pilares qualitativos e ideológicos que englobam as áreas de atuação da prefeitura e que, quando são quantificados em previsão financeira, acabam dando as bases aos valores planejados para serem captados e investidos na cidade para os próximos quatro anos que englobam o PPA. Neste mesmo período, ele serve como guia para a elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA).
De volta a audiência pública: representantes da APAE, do sistema de Saúde municipal e vereadores utilizaram a tribuna para demandar ajustes no orçamento proposto, bem como reclamar de alguns ritos que teriam faltado para a realização da própria Audiência Pública. A Presidente do Conselho Municipal de Saúde, Fernanda Borkardt, lamentou que o a entidade que preside não tenha recebido convite formal para a audiência, o que soube somente através de leitura de comentários em rede social. Disse também que, pelos ritos normais, o PPA só poderia ser apresentado após a realização da Conferencia Municipal de Saúde, como se esta fosse uma sinalização maior para os planos municipais na área (opinião da presidente).

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Nivelamento jurídico e político

O vereador Rogerinho (PP) – presente na audiência junto com vários colegas de Câmara, perguntou quanto financeiramente que estaria sendo repassado para a APAE neste PPA, tentando objetivar a presença de tanta gente no evento democrático (mas obrigatório). A resposta da Mesa Diretora, (ocupada pelos secretários de Planejamento e de Finanças do governo Delci Dimer) foi a de que há recursos demandados, mas que a audiência pública é para que se ouça as bases da sociedade para que mais recursos (como neste caso) possam entrar na confecção final do PPA ou em peças orçamentarias seguintes.
A vereadora Carla Daitx (PP) lembrou que, nesta etapa, não estão previstas a alocação ou retirada formal de recursos, mas que estes podem ser feitos através de emendas para adequação do PPA. O secretário de Finanças Felipe Valim respondeu, ainda, que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) é a fase em que se pode objetivamente incluir ou trocar recursos de qualquer área, em processo que vem após o PPA, resolvendo a questão em pauta.

 

Suplementação orçamentária ainda em 2025

O vereador Gimi Vidal (PP), em sua participação, sinalizou para todos o fato de os recursos estipulados para a APAE em 2025 não poderiam receber valores adicionais, justamente porque estes já foram previstos no PPA passado (2022/2025), assim como na LDO de 2025 e na LOA do mesmo ano. Mas que a Câmara poderia receber, da prefeitura, um projeto de lei de Suplementação Orçamentária referente ao orçamento de 2025 (LOA) para ser parte desta ajuda urgente para a APAE. Disse também que lamenta estas audiências públicas sobre orçamentos, já que, como a prefeitura não tem obrigação de cumprir o que é emendado pela Câmara ou requerido em audiências, esta elasticidade acaba tornando as peças orçamentárias em ‘peças de ficção’ (opinião do vereador). E Gimi pediu, então, que nesta edição se colocasse em pauta regras para que a prefeitura, elaborasse uma ‘PPA real’, sem poder realocar recursos que estão constantes na peça sem autorização parlamentar.

Secretaria diz buscar ajustes, mas que problema não é de agora

Secretária Neusa Oriques afirma que governo está providenciando soluções para demandas da APAE

 

A secretária da Saúde, Neusa Oriques, ao participar se apresentou inclusive como psicóloga, afirmando que por isso entende perfeitamente a demanda dos pais da APAE, assim como respeita o movimento que está sendo realizado. Disse que “a prefeitura está atendendo o pedido dentro de suas possibilidades”, mas que a demanda sempre existiu, e que só agora se tornou mais forte “porque houve um aumento grande na busca de atendimento pelos serviços especiais na Saúde”, o que acabou causando o afunilamento da fila na APAE. Neusa, enfim, prometeu que o governo buscará encaminhar soluções para o impasse.
A demanda da Audiência Pública, em certo momento, orbitou em torno das demandas da Saúde em Geral: uma cidadã fez discurso sobre a falta de neurologista no sistema – e a secretária afirmou que a empresa terceirizada alega não ter orçamento para pagar este especialista, e que por isso a prefeitura a está notificando contratualmente para que a mesma empresa providencie o cumprimento contratual.

 

Presidente da Câmara quer aumento do duodécimo no PPA

O presidente do Conselho Municipal das Pessoas com Deficiências foi à tribuna. Ele lembrou que é histórica a falta de recursos deste atendimento, já que a APAE de Torres já teve de negar atendimento até a pessoas que fizerem parte da fundação da entidade. E que a cidade deve apoiar e ter orgulho que exista uma entidade tão importante como a APAE. O representante da classe pediu que fossem colocadas metas no PPA, para que seja atendido todo o escopo das necessidades das pessoas com deficiência intelectual e física – incluindo, além de vagas na Saúde e APAE, intervenções urbanas que possibilitem maior acessibilidade, dentre outras. “Eu quero que esta audiência seja um marco na existência de Torres” disse.
A audiência pública não disponibilizou microfone para registrar algumas intervenções de cidadãos. Mas para finalizar, o Secretário da Fazenda prometeu intervir junto a prefeitura e entregar todas as demandas da audiência, inclusive as não gravadas pela cobertura de áudio e vídeo (por conta da falta de disponibilização de microfone aos participantes, que preferiram falar da plateia).
O presidente da Câmara de Vereadores, Igor Beretta, encerrou pedindo que fosse registrado em ata e formalizada a vontade da Câmara de exigir o aumento dos valores repassados pelo Executivo de Torres para a Casa Legislativa, através do duodécimo oriundo do orçamento. Beretta vai pedir para que sejam repassados 7% do orçamento. E pediu que isto já ficasse consignado nos pilares do PPA (para a elaboração da LDO e da LOA).

 

*Editado por Guile Rocha

 

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Publicado em: Política






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