Estiveram participando da tribuna popular da sessão da Câmara de Vereadores de Torres, nesta segunda-feira (14 de abril), representantes do IBSaúde. Eles foram lá para cumprir requerimento da Casa Legislativa que chegou ainda em 2024, pedindo que representantes da entidade – que assumiu o comando do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes (HNSN, de Torres) em março do ano passado – fossem à tribuna para explicar os serviços que o IBSaúde se propõe a oferecer ao sistema de Saúde local, através da gestão do HNSN.
O representante do IBSaúde Vinícius de Medeiros – presidente em Exercício da IBSaúde – esteve na Câmara junto com o diretor administrativo do HNSN, Isner Passos. Ele iniciou o pronunciamento lembrando que 2024 foi ano eleitoral, por isso que a entidade achou por bem não atender o convite ao debate, afirmando que agora achar que se trata do momento certo. E a seguir, Vinícius colocou uma indagação no grupo para que o debate pegasse este gancho para a discussão: Por que a AESC (Grupo Mãe de Deus), antiga gestora do HNSN, foi embora de Torres ao deixar a administração?
Para o representante da IBSaúde, saiu por conta da falta de viabilidade financeira da operação, causada por sua vez pelo resultado do contrato entre o hospital e o Sistema de Saúde local. Para o novo gestor, se trata ainda deste problema que a nova gestão se propõe a resolver, mas que deve ser feito em parceria entre a nova gestão, o sistema de Saúde (local, estadual e federal) e a comunidade torrense.
80% via SUS – quando deveria ser 60%
Ismar Passos (outro representante do IB Saúde) pegou o microfone da tribuna para expor alguns dados sobre a situação fatídica do hospital de Torres, após um ano de trabalho da nova gestão (entre março de 24/março de 25). Ele mais uma vez afirmou que o hospital opera com déficit entre receitas e despesas e que, em 2024, este valor ficou em R$ 1,7 milhões negativos. Disse que o levantamento feito pela entidade estampou que 83% dos atendimentos são feitos para o Sistema Único de Saúde (SUS) e somente os outros 17% ficam por conta de atendimentos ao sistema privado (Planos de Saúde e Particular). Afirmou que, tecnicamente, as projeções de especialistas sugerem que o limite máximo para atendimentos do SUS deva ser de 60% e, consequentemente, 40% dos atendimentos (receita) oriunda do sistema privado.
A receita oriunda do SUS para o hospital, atualmente, gira em torno de R$ 1.560.000 (1,56 milhão) por mês. E a busca do grupo IBSaúde para o HNSN, então, é focar em aumentar a participação das receitas oriundas de serviços privados (convênios principalmente), para equilibrar os percentuais técnicos sugeridos pelo sistema para o equilíbrio das contas.
Buscar direcionar mais emendas parlamentares federais e estaduais (através de articulações políticas), além de aproveitar a novidade e incorporar também algumas emendas impositivas de municipais, seria o caminho do HNSN para o equilíbrio através das receitas.
Nas despesas, por sua vez, os representantes do IBSaúde comemoraram avanços na economia de gastos. Foram 44% a menos (comparando 2023 com 2024) nas despesas administrativas, principalmente pela menor presença de pagamentos de processos judiciais, resultado que “foi fruto já da nova política do IBSaúde em relação à entidade administradora anterior”, conforme os representantes afirmam
Receitas a serem retomadas
A questão das receitas em emendas parlamentares e outras receitas oriundas de apoio do sistema político legislativo (Câmaras federal, estadual e municipais) é o principal tema que o IBSaúde busca junto a esfera política torrenses. Os representantes da empresa lamentam que perderam mais de R$ 4,5 milhões em emendas federais, emendas que foram brecadas por decisão do Supremo Tribuna Federal (STF) – no processo que avalia a legalidade destas em relação às leis federais que ocorre em Brasília. E os palestrantes da entidade na Câmara de Torres mais uma vez lembraram, também, que estão aguardando a liberação de R$ 3 milhões que a Casa Legislativa torrense (gestão de 2024 – presidida pelo vereador Rafael Silveira) encaminhou para que o Poder Executivo repassasse para o HNSN, o que depende da decisão do atual governo municipal (comandado pelo prefeito Delci Dimer) liberar, embora as decisões sejam ainda referentes ao ano de 2024 (gestão anterior de Torres, comandada pelo prefeito Carlos Souza.)
A seguir o presidente da Câmara, Igor Beretta, liberou que os colegas vereadores fizessem perguntas aos palestrantes que representavam a gestão do Hospital Navegantes na tribuna da Câmara. Carla Daitx (PP) indagou como estaria a articulação para o cofinanciamento entre municípios do entorno de Torres (e que também se utilizam da instituição de saúde), considerado por ela necessário para viabilizar a sustentabilidade financeira do hospital. A resposta foi a de que não houve retorno concreto ainda acerca do pedido do sistema aos prefeitos das 7 cidades (incluindo Três Cachoeiras, Arroio do Sal e a cidade catarinense de Passo de Torres). Somente há uma sinalização do governo de Arroio do Sal para que àquela municipalidade faça sua proposta, conforme informou Ismar na tribuna. Mas o representante acha que a sinalização da parceria formal com o governo municipal de Torres – perante sua participação no rateio do cofinanciamento – seria um sinal fundamental para que os outros gestores municipais se posicionassem sobre suas participações no sistema, para alavancar o Hospital da região.
Rafael Silveira (PSDB) também sustentou sua tese da importância da busca de corresponsabilidade entre os municípios para a sustentabilidade financeira do hospital da região.
O vereador Cláudio Freitas (Rep) perguntou quando as melhorias do HNSN estariam prontas, para que o sistema privado buscasse mais serviços (consequentemente mais receitas) junto ao hospital. Ismar respondeu que a previsão dos projetos para este fim são para 2026/2027.
Pronto Atendimento de Torres com IBSaúde?
Luciano Raupp (PSDB) reclama da demora dos exames solicitados pelo Pronto Atendimento 24h (PA) da administração municipal ao HNSN, sugerindo consequentemente que o IB Saúde assuma também o PA, como forma de buscar eficiência nos atendimentos de pronto socorro feitos atualmente pela administração municipal (Secretaria de Saúde). Ele perguntou se o IB Saúde aceitaria “pegar” esta nova função através do hospital. A resposta dos representantes foi a de que a entidade tem, sim, capacidade e competência para tal. Mas que para isto teria que ser desenhado um convenio sustentável para a viabilidade dos atendimentos. Ainda sobre a terceirização do PA para o HNSN, o vereador Rogerinho (PP) também se posicionou e afirmou que, em sua opinião, a Câmara deverá dar aprovação de 100% da proposta, caso tenha que aprovar algum PL referente ao assunto.
O vereador Tenora (MDB) perguntou se haveria chance de o hospital disponibilizar exames de Ressonância Magnética aos pacientes. A resposta foi de que o custo (investimento e manutenção administrativa e técnica) deste equipamento ainda estaria muito elevado para a atual situação do HNSN, mas que a incorporação deste serviço está em pauta nos planos do IBSaúde para Torres.
O vereador Zé Milanez (PL) acha que os antigos gestores do hospital “foram covardes em abandonar o município por perderem programas federais”.
E no final, um dos representantes do IBSaúde colocou a possibilidade da gestão de Saúde Municipal demandasse, junto ao poder executivo federal, a construção de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) para a municipalidade, colocando também a possibilidade de o IB Saúde poder administrar esta UPA de Torres (como já faz em outros municípios).






