Na década de 1960, Torres já não era mais a mesma vila litorânea de décadas anteriores. A cidade crescia, a temporada de veraneio atraía multidões e os salões da SAPT no Edifício Amigos de Torres, que antes bastavam para abrigar bailes, jantares e reuniões, já não davam conta da vitalidade social que se instalava na cidade a cada verão. Era tempo de sonhar mais alto e de pensar em espaços que correspondessem à nova escala da vida coletiva ligados também as práticas esportivas.
Foi nesse espírito que nasceu o projeto de erguer uma nova sede social e esportiva da SAPT, às margens do Rio Mampituba. O local escolhido não era por acaso: a proximidade com o rio garantia uma paisagem singular, integrando natureza e arquitetura, e permitia que a sede simbolizasse uma nova fase da associação, mais ampla, mais moderna e preparada para receber tanto associados quanto a comunidade.
Os registros em ata e a memória oral dos sócios da época revelam um entusiasmo contagiante. Imaginava-se um espaço com quadras de tênis, futebol e até piscina para a prática de natação, ampliando as opções esportivas que até então se limitavam às práticas na areia da praia ou em pequenos terrenos improvisados. A nova sede também previa salões de festas maiores, capazes de receber bailes concorridos, festivais culturais e encontros sociais sem as limitações físicas da sede antiga.
As plantas arquitetônicas, de inspiração modernista, seguiam a linguagem do período: linhas retas, grandes janelas de vidro e integração com o entorno. A ideia era clara, criar um espaço funcional, arejado e voltado tanto para o lazer quanto para a convivência. Mais do que um clube de veraneio, a SAPT consolidava-se como centro esportivo e cultural da cidade.
O início da construção, em meados dos anos 1960, foi um marco na trajetória da associação. O projeto foi pensado como resposta direta às demandas de um balneário em transformação: era preciso acolher os veranistas, oferecer infraestrutura para os esportes em ascensão, especialmente o tênis, que vivia um momento de prestígio, e garantir que os eventos sociais pudessem ocorrer em espaço adequado.
Quando inaugurada, em 1965, a sede não foi apenas um novo endereço para a SAPT: tornou-se símbolo da consolidação da instituição como parte essencial do tecido social e urbano de Torres. Ali, às margens do Mampituba, ergueu-se um espaço de pertencimento que até hoje pulsa como coração de encontros, festas e práticas esportivas.

Se antes a SAPT olhava para o mar da Praia Grande, agora voltava-se também para o curso do Mampituba, elo natural entre estados e cidades. Assim, a associação reforçava sua vocação de união: entre lazer e esporte, entre moradores e veranistas, entre passado e futuro.
E é justamente isso que os espaços nos ensinam: que uma cidade se constrói não só nas pedras dos molhes ou nos salões de baile, mas também nas quadras, nos campos e nas festas que alimentam o sentimento de comunidade.







