Se as pedras, o mar e os morros contam a história natural de Torres, os salões da SAPT narram com brilho e emoção a história social e cultural de uma cidade que sempre quis mais do que sol e mar: quis encontros, arte e pertencimento.
Na década de 1950, enquanto consolidava suas estruturas e transformava sonhos em concreto e tijolo, a SAPT investia também no invisível: nas emoções e nos vínculos sociais. Foi nessa fase que o antigo salão de festas ganhou uma nova função, o cinema. Um verdadeiro salto rumo à modernidade no interior do Estado, com um equipamento de última geração que colocava a SAPT à frente do seu tempo.
Mas a história cultural da SAPT não se fez apenas de tecnologia, e sim de gente. E de encontros, entre culturas, experiências e saberes. A memória oral de seus associados e associadas revela uma época vibrante, marcada por espetáculos artísticos, jantares dançantes e uma efervescência cultural que encantava quem vivia ou visitava Torres.
Presidentes e diretores, muitos vindos de cidades como Porto Alegre, Caxias do Sul e outras regiões do estado, traziam consigo um repertório diverso de experiências, de referências urbanas e culturais adquiridas em viagens pelo Brasil e pelo mundo. Inspirados por bailes em hotéis, cafés parisienses ou salões vienenses, eles propunham atividades que, ao serem realizadas em Torres, se misturavam à cultura local com naturalidade e sensibilidade. O resultado era uma programação rica, criativa e afetiva, uma verdadeira fusão entre tradição e inovação.

Um exemplo simbólico dessa mistura foi o grupo teatral feminino “As Panteras”, que nasceu de encontros despretensiosos nas segundas-feiras e se tornou um verdadeiro fenômeno local. As apresentações nas quartas-feiras, durante os jantares das mulheres, começaram como uma brincadeira e se transformaram em sucesso absoluto, ao ponto de serem convidadas a se apresentar em Porto Alegre e receber elogios calorosos da crítica:
Além do teatro e do cinema, os salões da SAPT recebiam bailes, festas comunitárias, congressos, feiras, exposições de arte e livros com sessões de autógrafos, encontros com autoridades e até apresentações da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre – OSPA, que encantou o público numa noite memorável. Tudo sendo realizado na antiga sede na José Picoral.

Entre os eventos mais aguardados, estavam os carnavais da SAPT, que lotavam os salões com fantasias, blocos, serpentinas e muita alegria. Era a euforia do verão na mais bela praia gaúcha, quando moradores e veranistas se encontravam num mesmo compasso, disputando — em clima de festa, qual seria o carnaval mais animado da cidade.
O modelo de vida social trazido de fora se somava às expressões culturais locais, resultando em novas formas de viver a cidade. Essa convivência entre culturas transformava os salões da SAPT em uma espécie de laboratório da cidade que Torres queria ser: vibrante, acolhedora, criativa e viva.
Hoje, ao revisitar essas histórias, vemos que os alicerces da SAPT não são feitos apenas de concreto. São feitos de memória, arte, música, encontros e emoções. O passado social e cultural da associação nos ensina que uma cidade se constrói também com cultura e afeto, e que os espaços de lazer e convivência são, muitas vezes, os verdadeiros palcos da cidadania.
Que a história da SAPT continue iluminando os caminhos da cultura em Torres. Porque são nos encontros, entre tempos, pessoas e ideias, que uma cidade descobre quem ela é, e quem ela ainda pode ser. (*fotos de acervo da SAPT)

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