Entre as muitas páginas que formam a história da SAPT – Sociedade dos Amigos da Praia de Torres, uma delas se destaca pela missão de preservar todas as outras: o Museu Três Torres. Criado em fevereiro de 1996, durante a gestão do então presidente, José Chaieb, o espaço nasceu com o propósito de resgatar, conservar e comunicar a memória da SAPT transformando lembranças em um patrimônio vivo.
O acervo do museu revela a trajetória de quase nove décadas da Associação e da cidade. São atas, relatórios, documentos, livros administrativos, correspondências, mobiliário, equipamentos de escritório e sonoros, jornais, boletins informativos, troféus e fotografias e muitas peças que contam, em detalhes, a evolução social, cultural e econômica da região.
Entre as imagens que compõem essa história, uma fotografia em especial guarda grande valor simbólico: o registro do dia da inauguração do Museu Três Torres, que contou com a presença do Professor Dante de Laytano, importante historiador e referência na preservação do patrimônio cultural gaúcho. Sua participação reforça o significado daquele momento, a criação de um espaço dedicado à memória e ao conhecimento, alinhado ao que ele sempre defendeu em sua trajetória acadêmica e humana.
Ao longo dos anos, diversas pessoas se dedicaram a manter vivo esse espaço de memória. Entre elas, merece destaque a figura de Dona Henriqueta Cazzetta, cuja atuação foi essencial para que o museu tivesse seu acervo catalogado, pesquisado e exposto. Suas visitas guiadas para escolas e grupos de visitantes deram vida ao museu e o transformaram em um verdadeiro centro de aprendizagem e encantamento.
A continuidade desse trabalho encontrou em Jaime Batista um aliado fundamental. Filho da terra, músico, historiador e ativista cultural, Jaime assumiu a direção do Museu Três Torres em um período decisivo, dando prosseguimento à missão de Henriqueta e ampliando as ações de preservação e difusão da memória local. Reconhecido como uma das figuras mais conhecidas de Passo de Torres, ele atualmente é gestor de cultura do município e presidente do Conselho de Gestores Municipais de Cultura de Santa Catarina (CONGESC).
Desde 2016, o museu conta com o trabalho técnico museológico que continua a missão de aprimorar o espaço e ampliar sua relevância. Entre os planos para o futuro estão novas adequações estruturais e de acervo, com a intenção de consolidar o museu como um espaço de pesquisa, comunicação e lazer, reforçando seu papel social e educativo. Durante esse tempo, diversas atividades têm sido realizadas no Museu Três Torres, fortalecendo seu papel educativo e comunitário.
As visitações guiadas, organizadas mediante agendamento, possibilitam que escolas, grupos culturais e visitantes conheçam de perto o acervo e a história da SAPT. São promovidas ainda atividades lúdicas para crianças, especialmente em datas comemorativas como o aniversário do município e o Dia das Crianças, quando acontece a já tradicional “Noite no Museu Três Torres”, um evento que a cada ano encanta e desperta a curiosidade dos pequenos com olhares atentos e cheios de imaginação.

Tecnologia como forma de inclusão (e resgate de memória coletiva)
Em tempos recentes, o museu também tem utilizado as tecnologias como aliadas: videochamadas foram realizadas diretamente de dentro do espaço, com o objetivo de resgatar memórias de antigos associados e membros da diretoria que, por motivos de saúde, distância ou residência em outras cidades, não puderam comparecer presencialmente.
Essas iniciativas reafirmam o compromisso do museu com a inclusão, o acesso e a continuidade da memória viva da SAPT. Mas o valor do Museu Três Torres ultrapassa seus muros. Os museus, em qualquer tempo e lugar, são pontes entre o que fomos e o que estamos nos tornando. Eles cumprem o papel de guardar, interpretar e transmitir a experiência humana, oferecendo à sociedade a oportunidade de compreender sua própria trajetória.
Em um mundo em constante transformação, os museus tornam-se refúgios da memória coletiva, lugares onde o passado não se perde, mas ganha sentido e permanência. Em uma cidade como Torres, rica em histórias, mas com sua memória ainda pouco preservada, o Museu Três Torres cumpre um papel simbólico e essencial.

Mesmo nascido dentro da SAPT e voltado inicialmente à memória da instituição, o museu ultrapassa fronteiras: suas coleções e iniciativas ajudam a preservar fragmentos da história de todo o município, mantendo viva uma parte fundamental da identidade local. Em tempos em que a cidade carece de espaços que contem sua história de forma integral, o museu reafirma a importância de cultivar a consciência histórica, um compromisso que pertence a todos nós.
Em 2026, o Museu Três Torres completará 30 anos de existência, celebrando três décadas de dedicação à preservação da história e à valorização da identidade torrense. Mais do que um espaço expositivo, ele é um símbolo de resistência da memória, lembrando que sem passado preservado, não há futuro consciente.
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