Após ventos e chuvas fortes assolarem o município de Torres (e o Litoral Norte do RS como um tudo) na semana passada, as intempéries acabaram ocasionando acidentes e problemas nas redes de fornecimento de água e luz. E a falta de celeridade e resolutividade de alguns dos problemas – por parte da CEEE Equatorial e Corsan Aegea (concessionárias de luz e água, respectivamente)- foi questionada pelos vereadores de Torres durante a sessão ordinária da Câmara realizada na segunda-feira (10 de agosto).
O vereador Dilson Boaventura (MDB) fez críticas contundentes. Para ele, “mais uma vez a CEEE não atendeu aos chamados de urgência” adequadamente. Ele lembrou, com ironia, que “as contas chegam e que não são baratas”. O vereador afirma “não saber mais o que fazer em nome da municipalidade” para resolver definitivamente o problema (ele é o líder, na Câmara, da base do governo Delci Dimer). Se tiver que ir ao MP, Dilson sugere que essa alternativa seja objetivada. “As companhias só ganham dinheiro”, desabafou. Ele acha também que aplicar multas contratuais em nome do município deveria ser uma das armas para buscar melhorias, além de, conforme disse, “recuperar o prejuízo da cidade” (financeiramente) através dessa cobrança.
Tenora (MDB,) por sua vez, reclamou de postes energizados deixados nas vias após as intempéries climáticas e reclamou de buracos nas vias – que derrubam motociclista e ciclista – deixados pela Corsan (em meio aos reparos na rede). Acabou indicando que o assunto deveria ser melhor fiscalizado pela prefeitura e pelo governo Delci (de seu MDB). “Só conversam para fazer maracutaia”, desabafou Tenora.
O vereador Jacques (PP) manteve seu tradicional tom conciliador. Disse que o vereador deve, sim, ir à luta pelas soluções (como estavam fazendo seus colegas). Mas lembrou também que a cidade cresceu e que problemas similares podem acontecer também por isso, sugerindo equilíbrio da municipalidade (prefeitura e Câmara), que deveria, ao invés de somente criticar, também propor parcerias com as empresas de água e luz para projetar soluções- que atendam tanto possibilidades quanto as limitações de ambos os lados.
Promessas não cumpridas e dificuldades no contato
O presidente da Câmara, Igor Beretta, acha triste a performance média das empresas de água e luz na cidade. Mas pontualmente sobre a CEEE Equatorial, reclamou de executivos da empresa terem ido a tribuna da Câmara, prometendo atender os contatos dos vereadores quando acionada, mas sem cumprir o prometido. “Nós temos que fazer alguma coisa com CEEE através da Câmara”, prometeu.
Zé Milanez (PL) – um arauto da divulgação pontual de problemas principalmente relativos à rede de esgoto em Torres – pediu convocação da Corsan à Câmara para explicar vazamentos. E sobre a CEEE, disse (com ironia) que “nem por telefone se consegue explicação”.
O vereador Moisés Trisch (PT) -como crítico costumaz da privatização dos serviços de água e luz do RS – disse “ficar feliz” em ouvir as reclamações dos vereadores direcionadas a Aegea Corsan e a CEEE Equatorial – mas obviamente não pelos transtornos causados aos clientes, e sim pela natureza das empresas. Oportunamente lembrou que ambas foram privatizadas por esse governo do RS – para ele uma espécie de ‘ironia do destino’, conforme sua leitura ideológica contra privatização de estatais (como eram a CEEE e Corsan antes de serem privatizadas).
Finalizando os posicionamentos sobre esse assunto, Rafael Silveira (PSDB) usou parte de sua participação de tribuna também para sugerir que essa pauta entrasse na agenda da Comissão da Infraestrutura da Casa Legislativa torrense – para verificar os contratos e apurar “quem deve fiscalizar a CEEE e Corsan” para, então, levar os questionamentos ao Ministério Público, como foi sugerido. Mas acha que a CEEE Equatorial deveria providenciar uma pessoa física sempre presente em Torres, para possibilitar que a comunidade possa buscar informações fora do sistema de comunicação eletrônica, como uma porta alternativa.







