Aconteceu a primeira das duas Audiências Públicas promovidas pela Câmara de Vereadores de Torres, que foram programadas para colher opiniíµes sobre a votação do projeto de Lei que autoriza que o governo Nílvia compre o prédio do ex-hotel Beira Mar, para que no local funcione, de forma centralizada, a sede da prefeitura de Torres. O primeiro encontro aconteceu na última quarta-feira (17) í s 16 horas na própria Câmara Municipal. A maioria dos participantes da audiência pública, que serviu para a posição das entidades da chamada Sociedade Civil Organizada manifestou-se favorável a compra do prédio. Mas a questão ficou polarizada. Os representantes dos empresários foram quase unânimes em apoiar o projeto de Compra. Já os representantes de bairros e outras associaçíµes mais de serviços ou de trabalhadores se posicionaram na maioria contra.
Foram a favor o juiz Cláudio Scandolara, titular da Vara do Trabalho de Torres, o representantes do Sindilojas, da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas), do Simto (Sindicato dos Municipiários de Torres), da Umes (União Municipal dos Estudantes), do CREA (Conselho Regional de Engenharia), do Lions, da Associação dos Construtores de Torres, do PP e da Rede Torres Imóveis. Foram contra os representantes da Associação dos Radialistas, do Bairro Campo Bonito, do Bairro Porto Alegre, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e a diretora de uma escola estadual, inclusive filiada ao PT, partido do governo Nílvia.
A audiência durou quase quatro horas e meia, com casa lotada na maioria do tempo. Lá estavam presentes, além dos representantes formais de entidades, pessoas de diferentes segmentos da sociedade. Contou, ainda, com a participação dos 13 vereadores, da prefeita Nílvia Pereira, do vice-prefeito Ildefonso Brocca, de secretários municipais e servidores da prefeitura, que foram aplaudir as manifestaçíµes favoráveis í compra do prédio.
Bombeiros afirmam que o prédio necessita de vários ajustes.
Nílvia diz que nenhum prédio da cidade tem Plano contra incêndio
Antes da manifestação da prefeita, o público ouviu o Comandante do Corpo de Bombeiros de Torres, capitão Rodrigo, e o sargento Everaldo sobre as condiçíµes do prédio na visão dos bombeiros. Conforme eles, a estrutura do prédio está boa, porém, são necessários ajustes para ficar de acordo com a legislação. Após a apropriação dos quesitos necessários ficaria em condiçíµes de ser habitado. Cerca de 80% da situação fica resolvida com a implantação de escadas enclausuradas ao invés das comuns e com a adoção de portas contra fogo em todos os andares, informou. Mas os bombeiros adiantaram que é necessário uma analise mais detalhada, já que o prédio nunca recebeu licença de operação dos Bombeiros: ele teria operado sempre ilegalmente.
Com relação específica ao parecer do Corpo de Bombeiros, a prefeita Nílvia garantiu que vai entregar í população um prédio seguro com um Plano de Prevenção de Combate a Incêndio. Destacou, porém, que em Torres nenhum prédio público possui um PPCI. Que após o sinistro ocorrido em Santa Maria, boates de Torres foram fiscalizadas pelos bombeiros e Prefeitura e, ainda, visitados outro locais nos últimos dias, sendo que todos precisam se adequar. A seguir, a prefeita apresentou argumentos e dados que evidenciavam a importância de um centro administrativo para Torres. Destacou que não há corretagem, que os juros vão diminuindo ano a ano, enfim, que não há nebulosa nesta negociação.
Dois pólos agudamente divergentes
O juiz Cláudio Scandolara, do Foro da Vara do Trabalho de Torres, foi o primeiro a manifestar-se, fazendo uma calorosa defesa pela compra do prédio diante das más condiçíµes da atual Prefeitura. Compra soma patrimí´nio, disse. E a prefeitura atual mostra total falta de dignidade. Olhem as prefeituras por aí afora. Onde está Torres neste contexto? Como podemos ser representados com o prédio atual?
Já o representante dos locutores de rádios e dono de uma rádio Dirlenes Silva fez manifestação contra. Questionou a manchete de um jornal que a compra do prédio seria um balcão de negócios por parte dos vereadores. Tudo indica que isto não vai terminar bem, disse ao se referia a um partido que já faz parte do governo justamente neste período. Divulgou uma pesquisa de rádio que mostrou que 85 % dos entrevistados eram contra. Listou alternativas e afirmou ser contra, e que apóia a pesquisa feita em uma rádio.


