Há bem mais de duzentos anos o povo mineiro rebelou-se contra a Coroa Portuguesa ante sua abusiva cobrança de impostos na fonte. Um quinto do ouro e metais extraídos devia ser mandado para Portugal como imposto. Como as minas estivessem se exaurindo, os contribuintes já não conseguiam enviar sempre a parcela imposta e o governo imperial português estabeleceu a chamada Derrama com dia marcado para arrecadar os saldos de impostos devidos, desapropriar bens, empobrecendo quem aqui trabalhava. Diante disso, os grandes senhores das minas, aliados a outros nem tão nobres em sua linhagem e poderio econí´mico se uniram e inconfidenciaram, isso é, rebelaram-se contra a majestade portuguesa e deu no que deu. Degredo para os mais nobres e ricos num segundo julgamento e enforcamento e cabeça e corpo cortados para o menos nobre, mas mais fiel aos ideais revolucionários, o popular e confesso Tiradentes. Quarenta e tantos anos depois, no sul os Farrapos também se insurgiram contra os impostos que se concentravam sobre as charqueadas e quase um século após os paulistas se rebelaram, agora contra o próprio governo brasileiro.
No mês de abril de cada ano, o leão avança e abocanha grande parte dos nossos ganhos, não importa sejam eles grandes ou pequenos, o sugador oficial suga e suga. Fora isso, todo mês o imposto sobre a nossa renda é sugado já na fonte, para evitar que a gente deixe de pagar no famigerado abril brasileiro. Ainda, fora isso e ao longo dos anos, ao longo dos diversos governos e siglas vencedoras a cada eleição, vão sendo criados cada vez mais impostos sobre os ganhos obtidos com o nosso esforço e o nosso trabalho. A derrama agora não se faz mais anualmente com um dia marcado, é diária e vem sob as mais excêntricas siglas: FGTS, ISSQN, GPS, IRF, ICMS, IPI, IPVA, IPTU destacam-se entre os mais conhecidos, além, é claro, de todas as demais contribuiçíµes obrigatórias que temos que fazer para os sindicatos, para INMETRO, para … Não vale a pena continuar listando a derrama de encargos aos quais os brasileiros estão submetidos. Tudo no Brasil é taxado pelos governos da primeira í última instância a título de prestação de serviços í comunidade. A dinheirama é tanta e tão mal controlada que sobra um montão para a ladroeira também em todos os níveis acobertada pela impunidade na mesma proporção.
Diante desses fatos nefastos acho que é preciso também nos inconfidenciarmos, isso é, deixarmos de ser fiéis í s coroas que nos governam e expurgam diária e continuamente. As eleiçíµes estão chegando para os mandatários do primeiro escalão do país e governança dos estados e também para os legisladores das casas correspondentes e a única arma de que dispomos, pacífica mas eficaz é o nosso direito ao exercício do voto. Sugiro não votarmos fielmente em siglas e nem reprisarmos candidatos. Para os legislativos isso se torna mais fácil: votarmos em gente nova, que nunca foi deputado nem senador, escolher gente compromissada com o nosso bem estar e vaciná-los anti- corrupção e maus costumes antes de empossá-los nos cargos para os quais se elegeram. Porém, para a presidência é mais difícil: a candidata oficial do atual governo não passa de um personagem criado pelo discípulo de Maquiavel “ Lula da Silva, o líder das pesquisas não sei se inspira muita confiança no povo, os demais… sem chances. Nos estados candidaturas semelhantes e conjunturas idem. Os partidos querem é ganhar, não importa se as alianças feitas nada tenham a ver com suas ideologias (que coisa mais antiga).
Diante da Derrama, Inconfidência neles, porém, sem mortes, sem nenhuma morte, mesmo que seja apenas a morte da esperança em governos melhores, mais justos, mais sábios, mais humanos, mais eficientes, mais cumpridores dos seus deveres e promessas. E menos corruptos e ladríµes nos governos.


