Aberta a temporada de observação de baleias em Torres

27 de junho de 2016


Encontro reuniu interessados em impulsionar o turismo de observação de mamí­feros marinhos em Torres

 

 


1 º Encontro Internacional sobre a Migração de Animais Marinhos, realizado entre os dias 17 e 19 de junho, no Centro de Integração Ambiental no Parque da Guarita, marcou a abertura da iniciativa.
 

Por Maiara Raupp
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Buscando chamar a atenção para a riqueza da  biodiversidade que está ao alcance dos olhos em Torres, na região sul do Brasil e América do Sul, além da urgência em elaborar projetos em defesa desse bioma, foi realizado em Torres o 1 ° Encontro Internacional sobre a Migração de Animais Marinhos. O evento, que ocorreu entre os dias 17 e 19 de junho, no Centro de Integração Ambiental do Parque da Guarita, envolveu autoridades do Brasil e Uruguai, empresários, organizaçíµes da sociedade civil, acadêmicos e atores sociais interessados em estabelecer metas para impulsionar o turismo de observação de mamí­feros marinhos seguindo protocolos responsáveis e adotando boas práticas em seus processos.
Promovido pela Prefeitura Municipal de Torres por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Urbanismo (SMAURB) e pelo Instituto Oceano Vivo (OCV), o encontro contemplou ainda o 1 º Fórum da Praia do Litoral Norte “ Sustentabilidade e Economia Solidária, que debateu as questíµes relacionadas com as demandas dos trabalhadores solidários, além da abertura da temporada de observação de baleias (Rota Internacional da Baleia Franca).

Palestras no primeiro dia destacam açíµes municipais

Na sexta-feira, dia 17 de junho, o encontro iniciou com a palestra da chefe do REVIS Ilha dos Lobos, Aline Kellermann, que apresentou o atual cenário de gestão enfocando o Refúgio de Vida Silvestre da Ilha dos Lobos. Logo após, o biólogo do Parque Estadual da Itapeva (SEMA), Romulo Valim, falou da situação do Parque e explicou a Lei Federal 9.985/2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC). Em seguida, a professora Gizelani Guazzeli, explanou sobre os peixes ameaçados de extinção da Costa Sul do Brasil. Para finalizar a programação do turno da manhã, o biólogo Francis Custódio falou sobre o Projeto Caranguejo Fantasma “ Aventura e Sustentabilidade. O objetivo do projeto é demonstrar aos professores que é possí­vel aliar conteúdos do currí­culo escolar com a prática, já que geralmente a disciplina de biologia é dentro da sala de aula.  
Na parte da tarde, o encontro iniciou com a palestra do professor Walter Nisa sobre Biodiversidade de Elasmobrânquios do Sul e caracterí­sticas de processos migratórios no sudoeste do Atlântico Ocidental. Conforme o professor, existem no litoral sul 172 espécies (89 tubaríµes e 76 raias) e ainda seis tubaríµes e uma raia que ficaram de fora da lista. Na sequência o biólogo da Prefeitura Municipal de Torres e gestor da APA Lagoa Itapeva, Rivaldo Silva, chamou a atenção para a área de proteção ambiental, a preservação e recuperação da qualidade ambiental do Parque da Itapeva, Recanto do Robalo, Ilha dos Lobos e Parque da Itapeva.
Seguindo a programação, foi realizada a palestra com o biólogo Benedito Ataguille (ONG Onda Verde), sobre a migração de aves costeiras. De acordo com o professor, o motivo da migração depende da dificuldade da ave em achar um lugar confortável, além da reprodução biológica. Benedito alertou sobre os condomí­nios que estão sendo construí­dos em Torres destruindo os ambientes desses animais. í‰ impossí­vel viver em Torres sem olhar a natureza. Precisamos de um turismo sustentável em nossa região e esses condomí­nios nos assustam, confessou ele.
A palestra seguinte foi com a bióloga Helen Borges Maciel, que apresentou um projeto para criação de um espaço de recuperação de animais marinhos em Torres, cujo objetivo é a proteção e reabilitação da fauna marinha e a educação ambiental com moradores e turistas. O municí­pio tem 17 km de extensão de praia e não possui um local e nem profissionais habilitados para atender esses animais que vem até a nossa costa procurando abrigo ou doentes, disse Helen, salientando ainda que ao avistar um animal marinho é preciso manter a distância, porque além de serem animais selvagens, se estão ali é porque estão doentes ou descansando. Não se deve alimentar, nem tentar colocá-lo de volta ao mar, observar de longe e ligar para o Comando Ambiental da Brigada Militar (Patram), orientou ela.
Na sequência a servidora da secretaria de Turismo, Edinéia Pallú, e a geóloga da Prefeitura de Torres, Maria Elisabeth da Rocha, trataram o tema Geoparque: Rochas substrato da vida e fonte de possibilidades. Elas apresentaram o andamento do projeto Geoparque, que está sendo desenvolvido na Prefeitura a partir de uma iniciativa da Unesco, e sua importância. O geoparque é uma área com limites bem definidos que contenham sí­tios arqueológicos. A nossa Guarita, por exemplo, possui geosí­tios que contam a história dos continentes, afirmou Maria Elisabeth. A geóloga chamou atenção ainda para a importância da geodiversidade. Só existe vida se existir substrato. A vegetação se instala em cima de alguma coisa. Então antes da biodiversidade, vem a geodiversidade. Se uma não existir, a outra também não existirá, completou ela.
Para finalizar o primeiro dia de evento, o professor Christian Linck da Luz e a professora Leonila Quartiero Ramos, do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Mampituba, apresentaram a importância do comitê para a sociedade e para a natureza. Além da preservação de rios e nascentes, a recuperação da mata ciliar, o abastecimento e saneamento básico, e a segurança da população costeira são uns dos objetivos, informou eles.

Segundo dia foi de cooperação e intercâmbios de experiências
 


A manhã de sábado, dia 18, iniciou com a abertura oficial da temporada de observação de baleias (Rota Internacional da Baleia Franca).
Esse evento está sendo realizado para marcar a abertura de temporada de baleias franca no Brasil, como acontece nos principais destinos. A presença de grandes personalidades da área, além de colocar Torres neste mapa, é a finalidade. O evento está excepcional cumprindo seu objetivo de maneira incrí­vel para a primeira oportunidade – com muitos frutos de intercâmbio e cooperação – dentro de todas as dificuldades que enfrentamos, afirmou Thiago Lisbí´a, presidente do Instituto Oceano Vivo.

A primeira palestra do dia foi do biólogo cearense, Antonio Carlos Amâncio, especialista em Osteomontagem, que contou sobre seu trabalho com montagem de esqueletos pelo Brasil e pelo mundo. Realizamos réplicas de animais baseados na anatomia do animal, além do desenterro e preparação do esqueleto. Somos a única empresa deste segmento no Brasil, informou Amâncio, que montou baleias como a do Ceclimar, em Imbé, e do museu da PUC-RS. Amâncio se prontificou ainda em montar a baleia que está enterrada em Torres e instalá-la no Centro de Integração, além de outros animais marinhos que forem necessários. Vamos discutir a possibilidade de estar montando alguns animais aqui no espaço para poder ter um material de qualidade, bem estruturados, anatomicamente completos e por vários anos, falou ele, ressaltando ainda a importância de se ter o conhecimento, o contato, para então despertar o sentimento de conservação.

Depois de Amâncio, quem falou sobre a bioacústica de cetáceos foi Lilian Sander (OCV), que anunciou uma pesquisa inédita de cooperação interinstitucional BR – URU através da Oceano Vivo e da Organização para a Conservação dos Cetáceos para a gravação de cetáceos especialmente a baleia franca austral. Lilian apresentou ainda de que forma os animais usam os sons e o quanto a poluição sonora (embarcaçíµes, radares, sonares…) atrapalham a comunicação entre eles. Não é só o fato de se comunicar. A comunicação entre eles representa a reprodução, reconhecimento, intimidação e quando sofre fortes interferências pode prejudicar a vida marinha, explicou Lilian.

Ainda durante a manhã, Alan Claumann, do Sebrae/SC falou do programa Rota das Baleias em SC, realizado pelo Sebrae/SC para promover o empoderamento da comunidade local de Imbituba e região em torno do turismo de observação de baleias. O chefe da APA da Baleia Franca, Cecil Maya, também falou das estratégias do plano de manejo e suas interfaces com atividades e iniciativas de turismo de observação de baleias na região. As boas sementes plantadas em solo fértil tem muito potencial em germinar. Trabalhar em parceria é a saí­da. Temos que trocar as experiências daqui aplicadas lá e vice-versa, disse.
Para descontrair, a programação iniciou no turno da tarde com o grupo de música do Projeto Dandí´, no qual dois integrantes são de Minas Gerais e um deles de Terra de Areia. Após foi dado sequência í s palestras, com a abordagem sobre o Santuário de Baleias e Golfinhos ministrada pelo uruguaio Rodrigo Garcia, da Organização de Conservação dos Cetáceos. Rodrigo afirmou que tornar-se uma rota de observação de baleias é o caminho para um turismo responsável e sustentável. No Uruguai possuí­mos vários pontos estratégicos para observação de baleias. Pode-se fazer trilhas guiadas mostrando não só as baleias como também as aveias que migram pela região, disse ele, destacando a importância da cooperação para esse movimento. Apoios e parcerias í s vezes são mais importantes que dinheiro. Estamos fazendo muito com nada de recursos. í‰ necessário se unir, assegurou Rodrigo.


Observação de Baleias em foco

 

Pesquisadores querem que Torres torne-se referência em observação de baleias

Devido adiantado da hora, o coordenador técnico do Projeto Baleias do Rio Grande do Sul, José Truda Palazzo tratou brevemente sobre o preconceito que esse movimento de preservação das baleias sofreu no iní­cio. Em SC sofremos muito com a ˜farsa das baleias™. Não se acreditava no potencial. Hoje, vendo o retorno que trás para a comunidade local, todos querem ser o ˜pai da criança, informou José. Segundo ele, pode não se ver baleia todo dia, mas se houver qualificação e empoderamento das pessoas, passam a entender e a valorizar, a ver mais que um entretenimento, mas a influência em sua vida e do planeta, concluiu ele.
Estiveram presentes ainda no evento a presidente do Conselho de Meio Ambiente de Punta Del Este (URU), Sandra Cabrer, além de Miguel Lemos, representando a Prefeitura da cidade. O embaixador Carlos Rodriguez, diretor do Meio Ambiente do Ministério das Relaçíµes Exteriores (URU), programado para vir, não pode comparecer por problemas de saúde na famí­lia.
No final do evento, ao ser indagado sobre a continuidade das açíµes para transformar Torres uma cidade referência em turismo de observação de baleias, o presidente do Instituto Oceano Vivo, Thiago Lisbí´a, disse que eles, como entidade privada, seguirão as atividades regulares da temporada com o monitoramento e educação ambiental, além de fomento ao turismo como já fazem. Com relação ao poder público, Thiago acredita que, como estamos a alguns meses da eleição e existem vários impedimentos a partir desta data, dependerão da nova administração os próximos passos nessa área.  


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