ALIMENTO: Uns com muito, outro sem nada

13 de julho de 2015

 Cada habitante da Terra desperdiça, em média, 280 quilos de alimentos por ano. Enquanto isso, 842 milhíµes de pessoas, o que representa mais de 10% da população mundial, passam fome diariamente.

 

 

Por Maiara Raupp

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Existem 800 milhíµes de pessoas desnutridas no mundo. 11 mil crianças morrem de fome por dia. Um terço das crianças de paí­ses em desenvolvimento apresentam sério atraso no desenvolvimento fí­sico e intelectual. 40% das mulheres em paí­ses em desenvolvimento apresentam casos de anemia e se encontram abaixo do peso ideal. Uma pessoa a cada sete sofre os males da fome no mundo. Enquanto isso, 1,3 milhíµes de toneladas de alimentos são jogados no lixo anualmente em todo o planeta, segundo levantamento da Organização das Naçíµes Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

No Brasil, a cada ano 26,3 milhíµes de toneladas de alimentos são desperdiçados, volume suficiente para distribuir 131,5kg para cada brasileiro ou 3,76kg para cada habitante do planeta. Toda essa comida alimentaria facilmente os 13 milhíµes de brasileiros que ainda passam fome, nas contas da FAO.

O desperdí­cio começa na hora do plantio, colheita e armazenamento dos alimentos e continua dentro de casa. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resí­duos Especiais (Abrelpe), grande parcela da população brasileira tem o hábito de comprar alimentos in natura (não processados industrialmente), prepara a comida em casa e acaba jogando no lixo cerca de 60% do que compra. Contudo, o problema não se concentra apenas na ponta da cadeia de produção de alimentos, ou seja, nos consumidores. Estudos mostram que do total de alimentos desperdiçados no paí­s, 10% ocorrem durante a colheita; 50% no manuseio e transporte dos alimentos; 30% nas centrais de abastecimento; e os últimos 10% ficam diluí­dos entre supermercados e consumidores.

 

Danos ambientais e econí´micos

 

Além do fator humanitário, os desperdí­cios de alimentos também geram problemas econí´micos e ambientais. "O custo anual do desperdí­cio e das perdas de alimentos, expressado em preço ao produtor, é de US$ 750 bilhíµes. Se considerássemos os preços no varejo e os custos ambientais, este número seria muito maior", apontou o relatório da FAO. No Brasil, por exemplo, a redução do desperdí­cio poderia facilitar o trabalho do Banco Central no combate í  inflação. Com uma oferta maior de produtos, os preços não subiriam tanto e o paí­s poderia até mesmo diminuir a importação de feijão preto da China.

O diretor executivo do Programa das Naçíµes Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, chamou atenção ainda para a preservação ambiental. A produção de alimentos em escala global é uma das principais responsáveis pelo desmatamento e o esgotamento da água. Nada menos que 80% do desmatamento é motivado pela expansão de áreas agricultáveis e pasto para animais de corte. A perda de espécies animais e de biodiversidade acaba sendo a ˜consequência natural™, deste processo descontrolado. O modelo de agricultura e pecuária extensivos também é responsável por mais de 70% do consumo de água doce. Sem modificar essa ˜fórmula™, será difí­cil manter o nosso estilo de vida por muito tempo, afirmou o diretor, acrescentando ainda que até 2050, a população mundial deve chegar a 9 bilhíµes de pessoas. Todas precisando se alimentar. Isso vai ampliar a pressão sobre os recursos naturais. Somado a um provável aumento da poluição, a consequência para a humanidade pode ser catastrófica, completou ele.

A saí­da, segundo Steiner, é aumentar radicalmente o que os economistas chamam de produtividade: produzir mais gastando menos. Modificar os padríµes de produção e consumo, revertendo a lógica de extração, produção, consumo e desperdí­cio para uma economia verde. O consumo global já é 1,5 vez maior do que a capacidade do planeta de suportar tanto a extração de matérias-primas quanto a produção de resí­duos. Precisamos reverter isso, garantiu o diretor.

De acordo com a ONU, 65 paí­ses já estão desenvolvendo açíµes de economia verde e estratégias relacionadas. Muitas outras aderiram í  Parceria para a Ação pela Economia Verde (Page), articulação entre várias agências da ONU, para incentivar by browseonline"> investimentos e desenvolvimento de polí­ticas para tecnologias limpas, infraestrutura eficiente de recursos, ecossistemas em bom funcionamento, trabalhos verdes de qualidade e boa governança.

 

Enquanto isso no Brasil (e em Torres)…

 

 

1,3 milhíµes de toneladas de alimentos são jogados no lixo anualmente em todo o planeta

 

O Brasil pouco se mobiliza no sentido de mudar esse quadro. Desde 1998, a chamada Lei do Bom Samaritano, em alusão a uma passagem bí­blica, tramita no Congresso Nacional, e não há previsão alguma para que seja votada. A intenção da proposta é isentar doadores de alimentos de responsabilidade civil e penal, de agirem de boa fé, na distribuição de comida ” semelhante ao que ocorre em paí­ses da Europa e nos Estados Unidos.

Enquanto essa lei não é aprovada, o Estado brasileiro pune severamente os doadores. A legislação atual prevê até cinco anos de prisão caso quem receba os alimentos sofra algum tipo de dano em decorrência da comida. Com isso, donos de restaurantes, por exemplo, se sentem obrigados a despejar no lixo as sobras diárias da produção.

Vontade de fazer doação não falta, mas a legislação brasileira dificulta a generosidade, ressaltou Jeffrey Klein, presidente do Global FoodBanking Network, uma organização internacional, presente em 22 paí­ses, que procura reduzir a fome no mundo apoiando bancos de alimentos.  Defensor do fim do desperdí­cio de comida, Klein afirma que muita coisa que vai para os aterros, que polui o solo e o ar, poderia ir para a mesa dos necessitados. Mas, para isso, os paí­ses devem criar leis que apoiem os doadores, concluiu ele.

Em Torres não é diferente. Na última semana um leitor flagrou um caminhão descarregando quilos de tomates no aterro sanitário municipal. Em meio a alguns machucados e estragados, haviam milhares em estado perfeito de ingestão. Segundo o morador, essa cena é comum, já que as empresas não podem doar e também não se dão ao trabalho de separar os bons dos ruins.

 

E você, está fazendo sua parte para não desperdiçar alimentos?

 

Confira abaixo algumas dicas:

 

·                 Faça o cardápio da semana

·                 Não se preocupe com a aparência dos alimentos

·                 Cuidado ao manipular os alimentos

·                 Aproveite as partes boas de verduras e legumes

·                 Opte apenas pelo essencial

·                 Não jogue fora as sobras

·                 Sirva no prato somente o que vai comer

·                 Prefira produtos da estação

·                 Faça o alimento durar mais

·                 Aproveite cascas, sementes e talos dos alimentos


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