Após não vingar, COOPESCA busca saí­da para a crise de identidade e financeira

16 de abril de 2010

 

 

                A unidade de beneficiamento da Cooperativa de Pesca de Torres, a Coopesca, deverá passar por adaptaçíµes para funcionar como uma unidade de entreposto. A mudança deverá acontecer nos próximos meses e faz parte de um conjunto de açíµes tomadas pela Emater e Secretaria de Agropecuária de Torres para tentar, junto aos cooperados e futuros sócios, revitalizar a Cooperativa.                   Transformada em entreposto, a unidade vai dar apoio ao único barco da Cooperativa, que, apesar do estado precário em que se encontra, ainda funciona com 20% de sua capacidade, e, afinal, servir de ponto-de-venda dos pescados. A fábrica de beneficiamento que está instalada lá dentro, no entanto, continuará fechada por tempo indeterminado.  

   

Falta de mercado e organização causou fechamento parcial

   

O fechamento parcial da Cooperativa aconteceu em 2008, após deliberação da própria associação dos pescadores, em parceria da consultoria de técnicos da SEBRAE e da Emater. A seção de beneficiamento, que originalmente foi concebida para limpar, filetar, embalar e comercializar o peixe levou muito prejuí­zo.    

Muito do que foi vendido para os restaurantes locais não teve pagamento, informa Luis Bohn, engenheiro agrí´nomo da Emater, que participa da coordenação da Cooperativa.  

No rol desse embargo, ficaram para trás equipamentos que, apesar de estarem bem abrigados, estão se deteriorando, além de uma dí­vida indenizatória de R$ 10 mil oriunda de indenizaçíµes de duas funcionárias, que deveria ser quitada até dia 15 deste mês de abril.    

Alguns bens da cooperativa estão penhorados pela justiça para pagamento de dí­vidas indenizatórias e estão sob a guarda da Prefeitura.  

Temos um baú frigorí­fico que já tem comprador certo e está avaliado em R$ 20mil. Mas não podemos vender diretamente, pois está acoplado em um caminhão doado pelo municí­pio í  Coopesca e que foi penhorado, afirma seu Tonico, secretário da cooperativa. Assim que vendermos, podemos quitar pelo menos essa dí­vida, completa.        

Em reunião na terça-feira, dia 13, com os assessores e consultores da Emater, a Prefeitura informou que vai colocar seu corpo jurí­dico para agilizar o processo de venda desse baú. Mas não especificou data, pois estando sob júdici terão de esperar pelos trâmites legais.  

Os entraves burocráticos também atrapalham nas reformas necessárias para o total funcionamento da associação. Segundo a cooperativa, o trapiche que serviria para atracar os barcos na indústria está destruí­do há mais de 2 anos e que, por motivos burocráticos, ainda não foi consertado.      

 

 

Fomos proibidos pela Patram e pelo Meio ambiente de mexer no local, porque é preciso uma autorização especial da Fepam para reconstruir o trapiche, desabafa Tonico. Ele conta ainda, e a reportagem de A FOLHA pí´de constatar, que o madeiramento do casario do barco está totalmente apodrecido. No interior do barco existem rachaduras de cima a baixo e muita infiltração de água, o que poria em risco de morte os tripulantes em eventuais saí­da para alto-mar. E, que, também o depósito de pescados do barco, não tem isolamento térmico adequado. O gelo que ali fosse colocado para conservar os peixes se derreteria rapidamente. Isso faria com que os peixes já chegassem em terra em estado de putrefação.  

   

Para entender o caso

   

A cooperativa foi instalada em 2007, numa área de 6.600 metros quadrados cedida pela prefeitura de Torres, no bairro Salinas. Com investimento de cerca de R$ 250 mil, vindos de recursos estaduais e do BID “ Banco Interamericano de Desenvolvimento, a Cooperativa tinha a pretensão de pescar anualmente 100 toneladas de peixes e empregar cerca de 130 famí­lias de pescadores profissionais artesanais de diversos bairros da cidade. Sua criação partiu de um projeto aprovado pelo programa RS Rural, de Fomento para a Agricultura e Pesca do governo do Estado do Rio grande do Sul, na gestão passada. Para ser oficializada, deveria contar com 125 pescadores que, inicialmente, deveriam colaborar com 350 quilos de pescados cada um para poderem se utilizar de todo complexo instalado, o que não aconteceu. Funcionou por menos de 5 meses, pois nem mesmo tinham rede.  Conforme informam os pescadores que representam a cooperativa atualmente, até hoje a rede é emprestada de um barco privado. A explicação dos órgãos administradores para o total fracasso econí´mico e mercadológico da cooperativa foi a grande crise por que passou todo mundo em 2009. Mas a falta de assessoria e visão mercadológica, garantem os  pescadores,   foi decisiva para o seu fechamento.  

Nesse curto tempo de funcionamento foram feitos cursos de capacitação de pessoal com participação até mesmo da Marinha para mestre (ou capitão do barco) e toda tripulação que também teve de ser treinada para as saí­das para alto-mar. A precariedade era tamanha que tivemos de formar toda uma equipe, conta Gerson Nardi, engenheiro agrí´nomo da Secretaria da Agricultura torrense. Depois de formados, ao invés de ficarem na Cooperativa, eles migravam para os barcos privados, completa.  

Atualmente, a remuneração de um pescador cooperado é irrisória, pois em média não recebe mais que R$ 40,00 por três dias de trabalho em alto-mar. Isso é muito frustrante e desestimulador. Isso afasta os associados que preferem pescar com caniço e vender eles mesmos seus peixes, conta Carlos Quintino dos Santos, o Catarina, presidente da Associação. Segundo ele, a debandada é tamanha que na última assembléia não conseguiram quórum para aprovar verba que pudesse salvar o negócio. A Cooperativa precisava de apenas seis assinaturas para aprovar um empréstimo de R$ 100 mil que está disponí­vel no Banco do Brasil e que tiraria a cooperativa do sufoco. Na última assembléia, no entanto, dos 125 associados, apenas 3 apareceram, justifica.  

     

Horizontes dependem de apoio de todos.

Se não der certo  a retomada, recursos

voltam para o projeto RS Rural

   

Conforme o novo projeto elaborado pela Emater para ser proposto para os cooperados, aprovado pelo prefeito João Alberto em reunião na semana passada, o futuro do projeto social e de fomento í  atividade mais antiga da cidade, a pesca, depende necessariamente de adesíµes. Precisamos da adesão da sociedade para que sejamos ajudados a unir novamente os pescadores para que eles retomem o projeto no sentido de utilizarmos da melhor forma a estrutura que ficou ociosa, afirma Luis Bohn, da Emater. Vamos iniciar tentando estruturar bem a atividade de Pesca para que a matéria-prima básica do processo, o pescado, seja trabalhado de forma profissional e tecnicamente correto, sempre em sintonia com a larga experiência prática dos pescadores envolvidos em todo o processo, continuou.  

 Os técnicos da Emater também confirmam que os recursos lá empregados e imobilizados no projeto de fomento são de propriedade dos 125 pescadores formalmente cadastrados no RS Rural.

Informaçíµes conseguidas por A FOLHA dão conta que existem pessoas ligadas í  Cooperativa que imaginam que em 2012, caso não vá para frente o projeto de fomento aos pescadores, o patrimí´nio ali empregado ficaria de propriedade da Coopesca. Mas a Emater desmente a especulação.  

 Os recursos são do RS Rural em usufruto dos 125 pescadores. Caso os mesmos não queiram assumir novas tarefas de movimentar os equipamentos e o capital imobilizado, os recursos serão devolvidos para o Projeto RS Rural, que aí­ deverá gestionar o repartimento dos recursos liberados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e a prefeitura de Torres, entidades que de fato entraram com os recursos financeiros para tornar realidade o processo fomentador, explica Bohn.        


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