A frase do título desta reportagem foi dita na introdução do discurso do presidente do SIMTO (Sindicato dos Municipários de Torres), na Câmara Municipal local. Ele disse isto referindo-se ao fato de que o sindicato torrense defende sempre o lado dos profissionais sindicalizados, mas logo adiante, de certa forma, se coloca justamente em cima do muro, ao afirmar que "tem esperança neste novo governo e, por isso, não o tem atacado.
André Dambrós diz ter esperança no governo Nílvia
Participou na Tribuna Popular da última sessão da Câmara dos Vereadores de Torres, realizada na segunda-feira (29/4), o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Torres, o SIMTO, Andre Dambrós. Ele foi í tribuna a pedido do vereador Davino, do mesmo PT em que o sindicalista é filiado, e fez campanha para a atual prefeita Nílvia Pereira.
O presidente do SIMTO (e um dos autores do Plano de Governo do atual governo Nílvia e Brocca) foi í câmara para responder acusaçíµes feitas ao seu sindicato pelo vereador oposicionista, Alessandro Bauer, do PMDB. í‰ que, no início do mês passado, o edil acusou o SIMTO de se comportar como partidário, ao não militar na Câmara aumentos salariais, como fazia no tempo do governo João Alberto. Alessandro acusou a entidade de não estar defendendo os interesses dos servidores, e sim do governo do PT.
Esperança foi a resposta
Mas o sindicalista, de certa forma, transferiu a coerência cobrada pelo opositor do PMDB para mais alguns meses í frente. Dambrós disse que o sindicato credita esperança no governo Nílvia, e é por isso que não vem exercendo pressão nestes primeiros meses.
Estamos nos comportando como fizemos no início do governo João Alberto, afirmou o presidente do sindicato, falando em nome de outras gestíµes da entidade, quando ele ainda não participava. Aprendi com meu pai que, quando se fica em cima do muro, recebem-se tiros dos dois lados, filosofou Dambrós.
Ele aproveitou também para manifestar sua opinião sobre o governo anterior. Disse que a arrecadação subiu de forma exponencial, mas que as obras e serviços na cidade não acompanharam este crescimento. Vimos aumentar muito o orçamento e continuamos vendo os buracos e a quase inércia do trabalho público passado, afirmou Dambrós.
Aumento salarial adiado
Mas o sindicalista não convenceu muito quando tratou sobre a falta de cobrança do sindicato em relação as perdas salariais. Durante o ano passado (ano eleitoral), era alegado pelos militantes da categoria, em alto e bom tom, que haviam em determinados setores do serviço público defasagem salarial de mais de 50%. O vereador Alessandro (PMDB) cobrou com força (em sua participação nas perguntas) uma maior coerência dos sindicalizados. Pedi há quase dois meses um histórico dos reajustes reivindicados pelo sindicato, e não recebi nada até hoje, reclamou Alessandro. Neste momento houve uma surpresa do sindicalista, que indagou, olhando para a mesa diretora: "Não recebi este pedido, o que houve?". Foi quando o presidente da Câmara, vereador Machado, também do PT de Nílvia, afirmou que teria mandado o pedido de Providência í prefeita (errado, porque não foi feito para ela). E houve um pequeno silêncio…
Mesmo assim o presidente do SIMTO não convenceu. Delegou novamente para a cota de esperança dos sindicalizados, inclusive, a total ausência da entidade quando foi votado o reajuste da categoria, já no governo atual. E não falou efetivamente sobre cobrança por reposiçíµes, as mesmas cobradas próximo í eleição de outubro de 2012.
Contratação de CCSs
A parte mais sensível do discurso do sindicalista, que inclusive comemorou sua oportunidade de estar falando em nome do trabalhador na semana que se comemorou o Dia do Trabalhador (1 º de maio), aconteceu quando ele tocou no assunto dos CCs, já que o atual governo, em 100 dias, contratou mais de 100 CCs ( quase um por dia). Somos contra a contratação de CCs, e continuamos contra", afirmou André. "Mas queremos organizar o sistema de concurso público e um novo Plano de Carreira antes de exigirmos novos certames, explicou o presidente do SIMTO. Estamos trabalhando em uma nova proposta de Plano de Carreira, já que o nosso não é renovado desde 1978, e temos esperança de conseguirmos sua aprovação.
Equiparação de professores e Carandiru
O vereador Gimi cobrou de Dambrós a sua politização partidária, ao dizer que o presidente do SIMTO reclamava (como reclamou na tribuna) de temas claramente partidários e tendenciosos. Gimi citou, como exemplo, a afirmação pública onde o sindicalista teria dito que a arrecadação da cidade aumentará, e as açíµes públicas no ambiente coletivo eram quase nulas. Esta é uma postura que estampa sua partidarização, afirmou Gimi. Quero saber se haverá equiparação entre o primo rico (a categoria dos professores municipais) e o primo pobre (os outros servidores municipais)". Dambrós respondeu que haverá, sim, a equiparação salarial, mesmo afirmando que, para o sindicato, os professores não usufruem das vantagens salariais alegadas pelo vereador peemedebista.
Alessandro, a seguir, cobrou também sobre a visível diferença de postura dos servidores frente ao Carandiru (prédio anexo da prefeitura, alugado pelo governo João Alberto para abater atrasos de IPTU do ex-dono, mas que acabou tendo o aluguel renovado e recebeu críticas). Quero saber por que em época da campanha diziam que o prédio iria cair, conforme a greve em plena campanha. Será que os funcionários que lá estão, ainda, podem sofrer com o desabamento do prédio?, perguntou ironizando o vereador peemedebista.
Dambrós respondeu afirmando que espera o cumprimento de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) feito junto ao Ministério Público por parte da prefeitura. Mas dramatizou…ou respondeu diplomaticamente. Disse que o movimento de greve na época de eleição teria sido de servidores e não do sindicato. Fomos lá afirmar que apoiávamos o movimento, mas a greve foi feita por um grupo de funcionários ( liderados por um arquiteto que também é da diretoria do SIMTO).


