Bicicleta em Torres ainda évista como brincadeira” quando na verdade éúnico transporte de muitos

30 de abril de 2010

 

 

 

A semana que passou foi mundialmente dedicada ao meio ambiente. Dentro dos assuntos que fizeram parte do evento, um estudo feito pela Fundação Fiocruz, de São Paulo, chamou a atenção pela importância de seus dados. O Brasil é o paí­s que detém o maior número de problemas ambientais no mundo: 300 ao todo. Problemas que vão de desmatamento a poluição de afluentes e rios, passando por contaminação de cidades inteiras além da manjada emissão de poluentes no ar pelos veí­culos. Segundo o estudo, a maior parte dos problemas encontra-se em São Paulo, porém, o Rio Grande do Sul aparece como importante poluidor de rios e do maior complexo lagunar da América Latina, a Costa Doce, que abrange todo litoral sul do Estado.    

O estudo apontou também que cerca de 30% do gás carbí´nico emitido no planeta vem do transporte. Diante deste péssimo cenário, a bicicleta foi eleita nos fóruns de debate como uma   importante aliada para diminuir esses efeitos, além de um meio de transporte indiscutivelmente eficaz para se locomover com rapidez e emissão zero de poluentes. Mesmo tão importante falta aos governantes atitudes que ponham em prática projetos de construção de ciclovias e locais para as magrelas. No Brasil existem aproximadamente 600 quilí´metros de ciclovias para uma frota de aproximadamente 50 milhíµes de bicicletas. E todo esse contingente ainda é tratado com indiferença pela sociedade. Os órgãos que regulamentam as leis ainda enxergam as bicicletas como acessórios de diversão. As bicicletas ainda pertencem a categoria de instrumento de lazer, na mesma graduação dos skates, patins e patinetes.  

 Em Barcelona, na Espanha, a bicicleta já integra o sistema de transportes da cidade. Em cada estação de metrí´ existe um estacionamento de bicicletas especialmente adaptadas com cartão magnético que o cidadão retira e usa para terminar sua jornada e a entrega em outro ponto no prazo de duas horas, pagando uma taxa anual de cerca de 70 reais.

   

Torres se presta para ser exemplo pela

 situação atual e sua topografia

   

A cidade de Torres que deveria ter a vocação de ser uma cidade das bicicletas, por causa de sua topografia e relevo está na contramão de exemplo de cidade ecologicamente correta. A geografia que estimula seus habitantes a prática da nobre arte de chegar ao objetivo pedalando, esbarra no pouco caso das autoridades em relação a uma construção de ciclovia que saia só do cartão postal da cidade: a Avenida Beira-Mar. Em Torres, existem cerca de 10 mil bicicletas. Número considerável para uma população estimada em 35 mil habitantes. A grande maioria dos trabalhadores e estudantes a utilizam como único meio de transporte. Infelizmente, porém, raramente se vê um ciclista usando proteção como capacete e cotoveleira. Na verdade alguns deles desconhecem por completo a legislação orgânica que prevê que não se deve circular nas calçadas e passeios e áreas ajardinadas. E nos cruzamentos, alguns deles se comportam como verdadeiros kamikases, colocando em risco suas próprias vidas e a dos motoristas também. Considerada um veí­culo, a bicicleta, mantidas as proporçíµes, deve necessariamente ser regulamentada pelos mesmos critérios dos motorizados. A orientação vem do Detran de Torres. As bicicletas devem ser conduzidas sempre í  direita na mesma mão que vai a pista. E não na contramão como reza o conselho popular.

 

   Bicicleta ainda é erradamente

   considerada supérflua    pelos

    motoristas de carros    

   

 Quem já não ouviu falar para seguir na contramão da pista, porque é mais segura, dá tempo de desviar de um carro desgovernado? O Detran, no entanto, aconselha o contrário, porque a condução na mão certa é que vai manter o carro afastado, respeitando a bicicleta. Pelo código de trânsito brasileiro, artigo 201 a distância lateral deve ser mantida em 1,5 metros. A velocidade deve ser reduzida ao se ultrapassar um ciclista. A multa para o motorista que não verificar isso é de R$ 85,13, mais quatro pontos na carteira. E o código prevê ainda que a preferência no caso de um acidente vai ser sempre do ciclista. Mas infelizmente o crime é considerado culposo e não doloso.  

 

   

Muitos dos acidentes acontecem quando o motorista finge que não enxerga o ciclista, afirma Marcelo Klein, da bicicletaria Klein. Praticante de corridas de bicicletas e passeios ciclí­sticos ele avisa que é sempre ví­tima de motoristas inescrupulosos. Já aconteceu de motoristas de caminhão que transportam caçambas de lixo passarem por nós e apertarem a gente para o acostamento só por diversão, reclama. O conselho que ele dá pra quem quer fazer valer seus direitos é estar sempre de capacete. Em dias de chuva ou com neblina usar roupa bem colorida para ser visto. í€ noite, roupas com faixas reflexivas e muita sinalização na bicicleta ajuda a ser visto de longe e sempre anotar a placa do veí­culo que o desrespeitou para fazer uma reclamação formal junto a empresa ou um boletim de ocorrência na delegacia. Nunca pare para bater boca, porque isso geralmente é perda de tempo. O mau motorista nunca vai admitir que está errado e pode até partir pra agressão fí­sica, encerra.    

 

Caminhos alternativos são opção

   

                Enquanto não são construí­da ciclofaixas e ciclovias e enquanto não se educam os condutores. os pedaleiros da cidade vão descobrindo caminhos e criando rotas alternativas para fugir do aperto que é andar no centro. O sargento aposentado, Roberto Daitx, ensina que tem uma rota particular pra alcançar vários pontos da cidade sem se estressar com a muvuca e falta de educação dos motoristas. Quando quero chegar rapidamente a algum lugar pego a Avenida Caxias do Sul, quando chega na altura da vidraçaria Lelo, converto a esquerda até o fim e pego a estrada do Faxinal, ou então pego a Rua Joaquim Porto e sigo até o valão, e entro na ciclovia, que apesar de inacabada ainda oferece um trecho razoável, daí­ sigo pela Castelo Branco, explica.    


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