Bom para os Bancos

30 de abril de 2010

O Banco central do Brasil aumentou em 0,75 pontos percentuais a taxa Selic. Este í­ndice sinaliza o quanto o governo remunera os bancos quando vende seus tí­tulos para obter caixa para rolar a dí­vida diariamente, dí­vida esta do Brasil que já alcança quase o equivalente a um ano inteiro do PIB do paí­s. Mas esta taxa sinaliza também de alguma forma que os juros ao consumidor, os  dos empréstimos empresariais e também a taxa referencial (TR),  que acompanha todos os contratos de longo prazo,  irão subir ainda mais. E isto significa que a tendência de aumento das taxas básicas de juros vai aumentar ainda mais a performance dos bancos que operam no Brasil, bancos Estatais ou Privados, indiscriminadamente. E isto significa que os lucros dos bancos no Brasil ou através do Brasil, já há anos acima de qualquer í­ndice espalhado pelo mundo afora, irão aumentar ainda mais, tudo pago afinal pelas criminosas taxas de juros cobradas dos simples viventes nacionais dos financiamentos dos limites dos cartíµes de crédito, do cheque especial, e nos carnês de lojas, que simplesmente repassam neste último caso os juros cobrados pelos mesmos bancos nas operaçíµes de compra e venda de dinheiro de seu dia a dia.  

A justificativa do governo e do Banco Central é de que as projeçíµes das taxas inflacionárias estão acima das metas para o equilí­brio da moeda projetadas. Mas sabe-se que existem outros vários remédios para combater a inflação e consumo, como, por exemplo, diminuir o imposto de importação dos produtos que estão liderando os aumentos de preços; ou aumentar o depósito compulsório dos bancos para frear eventuais exageros de liberação do crédito.  E o que parece, afinal, é que mais uma vez os donos do dinheiro estão dando as fichas, o que não é de se espantar, pois seu papel é lucrar sempre. Mas há indí­cios fortes que o governo fez um certo acordo com o sistema bancário para mantê-lo no ápice das decisíµes financeiras gerais. Ou, o que também é provável, o governo estaria com dificuldade de achar quem aceitasse as taxas pagas na venda de seus papéis. E mais, o governo estaria também interessado em aumentar o volume de dinheiro especulativo internacional no Brasil, que aplicam í  curto prazo altos valores apostando nas taxas pagas pelo governo do paí­s, e melhoram a remuneração e seus aplicadores e acionistas, todo fruto das taxas festivas pagas por nossa nação se comparadas com as pagas por outras.  

E o pior de tudo isto é a tendência de diminuir os investimentos privados das empresas brasileiras, que estavam começando a projetar crescimento de produção para os próximos anos. Com a tendência de aumentos de juros, além de ser difí­cil remunerar as taxas, o mercado interno poderá desaquecer, e as vendas das empresas consequentemente diminuí­rem de volume.  

Sendo em ano eleitoral, é de se pensar, inclusive, na possibilidade dos bancos internacionais estarem de alguma forma financiando a campanha do governo atual para a reeleição recebendo em troca este verdadeiro prêmio para quem trabalha no mercado financeiro. O aumento das taxas de juros em um paí­s que necessita crescer o dobro do que cresce, e que opera com í­ndices de juros mensais de mais de 10%, nada mais é do que irresponsavelmente tirar do povo a esperança que tanto parecia apontar no horizonte.  

 Parece que o governo Lula, que se elegeu pela primeira vez atacando o poder dos bancos, agora está no outro lado, e, o que é pior, seus opositores nada se rebelaram contra o aumento da taxa de juros, o que sugere que manterão esta atitude de tornar os papeis do Brasil digno de Jigolí´s de agiotas mundiais da economia. Ou, o que também é pior, estão também sendo financiados pelos dólares dos bancos espalhados por todo o mundo, para que coloquem na inflação a culpa do aumento das taxas de juros já lunáticas do Brasil.  


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