CARNITINA E ATEROSCLEROSE

22 de abril de 2013

Parece que o problema de comer muita carne vermelha não tem a ver apenas com o colesterol. Uma substância abundante nas carnes vermelhas, vendida como suplemento alimentar e adicionada em bebidas energéticas provoca a aterosclerose – o endurecimento ou o entupimento das artérias – e aumenta o risco de outras doenças cardiovasculares. O nome da substância denuncia sua origem: carnitina.

As bactérias que vivem no trato gastrointestinal humano metabolizam a carnitina, transformando-a em trimetilamina-N-óxido (TMAO), um metabólito já associado í  aterosclerose em seres humanos em estudos anteriores. Além disso, a nova pesquisa constatou que uma dieta rica em carnitina promove o crescimento das bactérias que metabolizam a carnitina, agravando o problema através da produção de mais do "entupidor de artérias" TMAO.

O estudo analisou os ní­veis de carnitina e TMAO em pessoas oní­voras (que comem de tudo), vegans e vegetarianos, além dos dados clí­nicos, de 2.595 pacientes submetidos a avaliaçíµes cardí­acas preventivas. Os cientistas avaliaram também os efeitos cardí­acos de uma dieta reforçada com carnitina em camundongos normais em comparação com camundongos com ní­veis artificialmente menores dos microrganismos no intestino.

Nos animais, o TMAO altera o metabolismo do colesterol em múltiplos ní­veis, explicando como ele aumenta a aterosclerose. Os ní­veis mais elevados de carnitina e TMAO nos pacientes humanos funcionou como um indicador fiel do aumento dos riscos das doenças cardiovasculares e grandes eventos cardí­acos, como ataque cardí­aco, derrame e morte. Além disso, os pesquisadores descobriram tipos especí­ficos de bactérias do intestino associados tanto com os ní­veis de TMAO no plasma quanto com os padríµes alimentares, e que os ní­veis basais de TMAO são significativamente menores entre os vegans e vegetarianos do que entre os oní­voros.

Os vegans e vegetarianos, mesmo após ingerirem uma grande quantidade de carnitina na forma de suplementos não produziram ní­veis significativos das bactérias associadas ao TMAO, enquanto os oní­voros tiveram esse efeito após consumirem a mesma quantidade de carnitina.

Em suma, as bactérias que vivem em nossos tratos digestivos são determinadas pelos nossos padríµes de dieta de longo prazo. Uma dieta rica em carnitina realmente muda a nossa composição microbiana do intestino, beneficiando aquelas que gostam de carnitina, tornando os comedores de carne ainda mais suscetí­veis í  formação de TMAO e seus efeitos de entupimento das artérias. Enquanto isso, os vegans e vegetarianos têm uma capacidade significativamente reduzida para sintetizar a TMAO da carnitina, o que pode explicar os benefí­cios para a saúde cardiovascular dessas dietas. Porém, ainda precisamos avaliar a segurança do uso crí´nico de suplementos de carnitina.


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