Caxiense éo responsável pelas curiosas esculturas de pedra na barra do Mampituba

18 de dezembro de 2015

 
Edson José Rocha, de Caxias, começou a fazer as esculturas de pedra há 40 dias  



Por redação A FOLHA
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Foi desvendado o mistério. O principal responsável pelas esculturas feitas com pedras na barra do Mampituba – em tradicional ponto de pesca – é Edson José Rocha, de Caxias do Sul, aposentado de 56 anos. Há atualmente mais de 30 esculturas do tipo estampadas junto í  barra do Rio Mampituba. Edson começou a fazer sua peculiar arte há cerca de 40 dias, aos poucos, durante visitas semanais que vem fazendo a Torres com um amigo (e ex-chefe). "Enquanto ele ficava pescando eu decidi começar a empilhar as pedras, uma forma de terapia para passar o tempo, uma brincadeira. Eu faço trilhas, e já fazia esculturas do tipo. Vou equilibrando as pedras umas nas outras e elas vão ganhando forma. Então vou me desafiando, tentando encaixar cada vez uma pedra a mais. Algumas delas caem, mas não me importo com isso, cada vez que volto faço novamente", explicou Edson José.
O aposentado caxiense foi o precursor dos curiosos totens de pedra que chamam a atenção dos visitantes. E aparentemente o pessoal gostou da ideia, pois outras pessoas decidiram fazer as esculturas também. "Nem todas fui eu quem fiz", revelou ele, acrescentando ainda que no final das contas as pirâmides de pedra tornaram-se um complemento peculiar na paisagem. Fico feliz que tenha gente gostando do que eu faço e outras inclusive se inspirando", disse. Outra coisa legal é que, antes de começar a fazer suas esculturas, Edson José sempre efetua uma limpeza dos Molhes do Mampituba. Finalizando, ele contou que vêm se apaixonando tanto por Torres que pensa em vir morar aqui. Além disso, garantiu que se não houver problemas, vai continuar com seu artí­stico empilhamento das pedras.

Esculturas inspiraram outras pessoas

Ao passar pelas margens do rio Mampituba e ver aquelas esculturas de pedra, o empresário Marco Cardoso resolveu parar e observar. Sem saber quem tinha sido feito o trabalho (ou como tnha feito), Marco pegou seu dia de folga e levou a famí­lia para ver. Foi aí­ que resolveram tentar fazer uma pirâmide igual. Fomos colocando uma pedra em cima da outra. Encaixando. Até que fizemos duas torres. í‰ trabalhoso, mas ao mesmo tempo prazeroso. Passamos horas ali fazendo, contou Marco, afirmando ainda que uma das metas para 2016 é construir mais torres como essas. Todo mundo deveria fazer. Fica muito bonito e é muito gratificante. Tí´ fazendo um bem pra mim e pra minha cidade, completou ele.
As esculturas, que até então era um mistério para os torrenses, têm muitos admiradores. Acho lindo. Sempre que passo fico apreciando. Parecem aves observando o rio, disse a professora Clara Gross. O empresário Roniel Lummertz também achou um máximo. Quer ver no final da tarde, fica mais lindo ainda, garantiu. O torrense Natã Navarrina destacou a paciência do artista. Sábado no final da tarde vi um senhor fazendo essas obras de arte. Eu admirei foi a paciência que ele tinha pra ajustar os encaixes e equilibrar as pedras. Muito legal ver ele fazendo!, concluiu.


FOTO: Marco e sua filha, na tentativa de construir as esculturas  

 


O lado poético das pedras empilhadas
 

 

"Uma pedra pode ser estável, mas tente colocar várias, uma por cima das outras e toda a estabilidade desaparece, para dar lugar a algo tão frágil que o sopro da brisa pode rapidamente destruir. Por isso, as pedras empilhadas falam de equilí­brio e impermanência. Falam de paciência e de recomeço. Falam de persistência e de submissão. Falam de rir quando toda a pilha desaba pela milésima vez. Falam de sintonia para perceber o peso de cada pedra e sua forma. Falam de um jogo de alma" – Maiara Raupp, jornalista de A FOLHA

 


Significado dos totens de pedra pelo mundo


Equilibrar pedras é uma arte antiga praticada no mundo inteiro. Existem exemplos de gigantescas pedras empilhadas em vários locais de Portugal, onde se equilibram desde o neolí­tico; Na Grã Bretanha, arrumam-se em um cí­rculo majestoso chamado Stonehenge; na Irlanda sempre em cí­rculos ou semicí­rculos sagrados; na Austrália os antigos registravam sua passagem deixando aqui e ali, em meio a paisagem desértica, blocos de pedras cuidadosamente aprumados. Estas obras primas do equilí­brio também estão presentes nos jardins japoneses, fazendo refletir quem passa sobre as delicadas distinçíµes entre movimento e quietude, solidez e leveza. No Japão as pedras são tema de contemplação, como uma forma de oração.
As pedras tradicionalmente representam o imóvel, a durabilidade, a estabilidade. Estamos acostumados a associá-las com o iní­cio dos tempos, com o mais antigo, e com o mais distante do futuro que nossa imaginação consegue atingir: são as pedras que nossos filhos nossos netos verão quando não estivermos mais aqui. Muitos povos, no entanto, fizeram nascer deuses de dentro das rochas  no Japão e na China. Suas formas expressam as caracterí­sticas peculiares do espí­rito que habita, lá no fundo, seu duro e vulcânico centro.

 


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