Comitê da Bacia do Rio Mampituba mobiliza-se durante Semana Interamericana da ígua

29 de setembro de 2016

 

Alunos do projeto Guardiíµes da Praia participaram na Corsan de atividade explicativa sobre o funcionamento do sistema de água e esgoto em Torres

 

 

Por Guile Rocha

(Assessoria de Comunicação do Comitê do Rio Mampituba)

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Entre os dias 23 e 30 de setembro celebra-se a XXIII edição da Semana Interamericana da ígua e a XVI edição da Semana Estadual da ígua. Com o tema ígua Parada, Resí­duos Acumulados, Saúde em Risco “ A responsabilidade é de todos, os eventos visam fortalecer a consciência de coletividade, a compreensão de que a responsabilidade pela solução é de todos. E Torres também é uma das cidades envolvidas nesta importante mobilização em defesa da nossa água e mananciais hí­dricos.

 Na tarde da segunda-feira (26) ocorreu uma atividade coordenada pela Companhia Rio Grandense de Saneamento (Corsan) – com apoio do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Mampituba, da ONG Onda Verde, da gestão do Parque Estadual de Itapeva (PEVA) e do Batalhão de Patrulha Ambiental da Brigada Militar de Torres. Foi uma tarde onde alunos do quarto ano da Escola Municipal Alcindo Pedro Rodrigues puderam conhecer um pouco mais sobre como ocorrem os processos de tratamento de água e esgoto no municí­pio. Os jovens estudantes integram o Projeto Guardiíµes da Praia, e estavam acompanhados por equipe pedagógica formada pelas professoras Eni Spode, Rejane Fernandes e Aline Grossmann. Também participaram a bióloga e representante do   Parque Estadual de Itapeva, Danúbia Pereira dos Santos, e o representante do Batalhão de Patrulha Ambiental de Torres, soldado Daivison.

O evento contou ainda com distribuição de mudas (cedidas pela ONG Onda Verde) para pessoas que passavam em frente a Corsan. De acordo com a diretoria do Comitê da Bacia do Rio Mampituba – formada por Leonila Ramos (presidente); José Antonio Dambrós (Vice-presidente) e Christian Linck da Luz (Secretário Executivo) a atividade busca reforçar o compromisso das instituiçíµes com a preservação de nossos mananciais hí­dricos.

 

Aprendendo sobre os encanamentos

 

Primeiramente,os alunos que visitaram a unidade da Corsan tiveram uma rápida e instrutiva aula sobre os encanamentos de água e esgoto que circulam por Torres, proferida pela Agente de Serviços Operacionais, Marta Bitencourt dos Santos. "São canos de diversos tamanhos, sendo que os maiores (de 200mm) dão vazão aos canos menores (de 60mm), sendo estes menores utilizados em ramais de água", explicou Marta, mostrando os apetrechos utilizados para fazer as ligaçíµes dos ramais até nossas residências. Ela também informou as diferenças entre os encanamentos de água e esgoto. "Os canos de esgoto ficam instalados mais ao fundo do que os de água. Além disso, enquanto os canos de água geralmente tem a cor azul, os de esgoto costumam ser cor de laranja ou marrom", concluiu Marta. Os participantes também ficaram sabendo as causas da água da Corsan (que chega em nossas torneiras) ter, certas vezes, uma estranha coloração esbranquiçada: Ocorre que a água passa pelo encanamento juntamente com um excesso de ar, ar este que é retirado por aparelhos chamados ventosas. "Entretanto, nem sempre as ventosas dão conta de retirar todo o ar. Então, a água pode chegar esbranquiçada até nossas torneiras pelo excesso de ar. Esta cor não é causada por nenhum produto quí­mico (como o cloro), a água é perfeitamente normal, e a cor esbranquiçada some em pouco tempo"

 

 

 

FOTO: Alunos receberam explicação sobre funcionamento dos canos e das estaçíµes de tratamento de água e esgoto

 

 

Estaçíµes de tratamento de água e esgoto em Torres

 

Na sequência, os alunos que participaram da atividade contaram com uma explicação do agente de tratamento de água e esgoto José Antí´nio Dambrós. Ele abordou sobre as etapas do tratamento da estação no São Brás – que bombeia a água da Lagoa de Itapeva para nossas residências torrenses – mas não sem antes passar por um complexo processo. "A água turva que chega até a estação de tratamento no São Brás recebe, primeiramente, um produto chamado sulfato de alumí­nio (para retirar a matéria orgânica e micro-organismos). Após, a água passa pelo floculador – onde a parte sólida da microsujeira é separada da água. No decantador, esta sujeira cai e concentra-se no fundo dos reservatórios, para então passar pelo processo de filtração (onde a areia ajuda a filtrar o restante das impurezas). Finalizando o processo, a água vai para a caixa de mistura, na qual produtos quí­micos (fluor e cloro) são adicionados. E depois disso, a água da Corsan está pronta para ser bombeada até nossas residência", concluiu Dambrós.

Continuando as explanaçíµes sobre o trabalho desenvolvido pela Corsan em Torres, foi a vez do Agente de Tratamento Claiton Fortuna conversar com as crianças e professoras da escola Alcino Pedro Rodrigues. Ele destacou os processos pelo qual passa o esgoto recebido na Estação de Tratamento no bairro Salinas (que fica junto ao Rio Mampituba). "A água com dejetos, que passa pelo encanamento da Corsan em Torres, chega na ETE Salinas e vai para bacias (com filtros gigantes). Lá passa por um processo biológico, com bactérias aeróbicas e anaeróbicas consumindo (por dias) o material orgânico que vem junto ao esgoto. Esta água vai para as lagoas de maturação, onde ocorre o polimento final (por processos como filtro aerado e fotossí­nteses).O processo é concluí­do no retorno desta água para Rio Mampituba (muito mais limpa do que chegou)". Os agentes da Corsan também ressaltaram que não se deve colocar, no vaso sanitário, materiais como embalagens alimentí­cias, tampas, papel higiênico e principalmente óleo de cozinha – produto que é um dos principais poluidores da água (um litro de óleo pode poluir até um milhão de litros d’água).

 

Estrutura e atendimento da Corsan na cidade

 

A chefe da Unidade da Corsan de Torres, Juliana Mesquita Inácio, deu sequência a visita em um auditório no prédio da instituição, onde os alunos do Alcino sentaram-se e tiveram uma miniaula sobre a estrutura da Corsan na cidade. "Torres conta com um grande número de reservatórios, estaçíµes de bombeamento e elevatórias espalhadas por pontos estratégicos da cidade. Em decorrência da boa estrutura, Torres é a cidade com maior quantidade de esgoto coletado e tratado entre os municí­pios do   Litoral Norte do RS – são 55% das residências atendidas (percentual que sobe para 70% , se calculada somente a região central). E os números da coleta de esgoto devem melhorar ainda mais quando a Estação de Bombeamento no Igra for finalizada", destacou Juliana. Ela complementou o assunto, explicando que os processos que controlam o abastecimento de água e os ní­veis da cada reservatório são, em sua maioria, controlados de forma informatizada. "Há computadores e antenas que avisam quando os reservatórios estão com ní­veis baixos de água, quando os motores (de bombeamento) devem estar ligados ou desligados".

Também manifestaram-se brevemente a bióloga Danúbia dos Santos (do Parque Estadual de Itapeva), e o soldado Daivison (do Batalhão de Patrulha Ambiental de Torres). Danúbia salientou a importância do Parque Itapeva ser uma unidade de conservação para a preservação da biodiversidade local (fauna e flora), ressaltando que há nascentes hidrológicas que nascem dentro da área do PEVA. Já o soldado Deivison alertou que a poluição do nosso Rio Mampituba (infelizmente uma realidade) é crime ambiental que ocorre,também, em decorrência de ligaçíµes irregulares de esgoto.

Após as explicaçíµes dos técnicos, a professora do Projeto Guardiíµes da Praia, Eni Spode, pediu aos alunos para contarem aos seus pais, familiares e amigos sobre as importantes informaçíµes assimiladas na tarde de visitas a Corsan. Os alunos passaram a dizer o que de mais interessantes tinham aprendido, como:de onde vem a água que bebemos, a importância de não poluir o rio nem jogar coisas no vaso sanitário, a explicação pra água que chega dos canos ser branca (as vezes). As Professoras Eni, Rejane e Aline explicaram para os presentes que, no colégio Alcino Pedro Rodrigues, é realizada coleta de água da chuva – usada para regar as plantas, por exemplo.

Finalizando o passeio, os alunos se despediram do pessoal da Corsan e foram fazer um saboroso lanche com produtos orgânicos e naturais na Ecotorres. Os jovens receberam certificado emitido pela ONG Onda Verde, pela participação no projeto Guardiíµes da Praia. Ao chegarem na escola, plantaram sementes, "simbolizando um compromisso de que iremos cuidar de nossa água", conforme concluiu a professora Eni Spode.  

 

 

 

Professora Eni Spode e crianças que integram o projeto ‘Guardiíµes da Praia’ Em Torres  


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