COMMAM busca alternativas para reduzir mortes por afogamento na Guarita

25 de julho de 2016

Em reunião realizada na quarta-feira (20), Conselho Municipal do Meio Ambiente traçou soluçíµes que serão priorizadas para que, até a temporada de veraneio, açíµes de prevenção já estejam sendo implementadas

 

Por Maiara Raupp

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Entre 2013 e 2016, doze pessoas morreram afogadas na Praia da Guarita, em Torres, sendo quatro mortes na alta temporada (dezembro a março) e oito na baixa temporada (março a dezembro). í‰ o que informa o relatório do Corpo de Bombeiros de Torres, apresentado nesta quarta-feira (20), durante reunião do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Commam). Seria em média uma morte a cada 90 dias.Desse número expressivo, uma morte foi na área de banho que estava sob a guarnição dos salva-vidas. As demais ocorreram ou fora da temporada (onde não existe salva-vidas), fora do horário de serviço dos mesmos e/ou fora da área de banho, que seriam os paredíµes do Parque da Guarita, informou capitão RodrigoCanci Pierosan, chamando atenção ainda para a importância da ampliação da Operação Golfinho e de medidas emergenciais de prevenção. Não importa a área e nem o horário. São vidas e precisamos preservá-las, completou ele.

Para tentar reverter esse quadro, o Commam está unindo forças para executar um projeto piloto de prevenção dessas mortes. O projeto, elaborado pelo Corpo de Bombeiros juntamente com a Associação de Surfistas de Torres (AST), buscará junto ao Governo do Estado, aumentar o perí­odo da Operação Golfinho, de 1 ° de dezembro até o feriado de páscoa – diferente do que é realizado hoje, que vai de 20/12 a 20/02. Além desse perí­odo, se teria reforços nos eventos da cidade, como o Festival de Balonismo, e feriados.  

Outra opção apresentada pelo conselheiro da AST (Associação dos Surfistas de Torres), Alexis Sanson, seria a utilização de um modelo que já existe em outras cidades: os salva-vidas civis. Estes seriam formados, graduados e coordenados pelo Corpo de Bombeiros de Torres, pois já existem projetos de ˜salva surf™ sob essa perspectiva de utilizar civis no salvamento e prevenção, explicou Alexis. O conselheiro falou ainda que diariamente surfistas socorrem ví­timas de afogamento nas praias, sem terem o preparo necessário, colocando suas próprias vidas em risco. Além dessas medidas, o Conselho sugeriu como medida emergencial aproveitar o efetivo do Parque da Guarita para realizar açíµes de informação, fiscalização e prevenção. Além das placas existentes, rondas nos locais de alto risco feitas pelos próprios guardas do Parque, colocação de limites fí­sicos, distribuição de flyers na entrada com orientaçíµes são algumas das soluçíµes de prevenção sugeridas, que seriam implementadas com supervisão e parceria do Corpo de Bombeiros de Torres.

 

Problemas que comprometem o sucesso do salvamento aquático

 

Outra necessidade apontada pelo capitão Rodrigo é de um posto integrado de salvamento, que seria referência para a população buscar informaçíµes e socorro, além de suprir uma necessidade fí­sica fixa para os salva-vidas. Torres é a praia referência no Estado e não tem uma guarita padrão. Salva-vidas que vem fora da temporada para trabalhar tem que conseguir um guarda-sol e uma cadeira de praia emprestada, citou o capitão. Esse posto integrado de salvamento poderá se tornar viável com aporte público ou com a realização de parcerias público-privadas, pois atenderia toda comunidade além de veranistas e turistas que sempre estão visitando Torres. Além dessa estrutura, o capitão mencionou a necessidade de uma embarcação para os resgates no mar. O comando de Torres hoje atende seis municí­pios da região. Tem que optar o que fazer primeiro. São poucos bombeiros e temos defasagem de equipamentos. Hoje Torres tinha que ter 34 bombeiros e tem 16. O Estado todo tem apenas uma embarcação, que fica aqui, mas nos salvamentos aquáticos, dependendo das condiçíµes do mar não tem como entrar. A embarcação é antiga e pequena. Não atende as condiçíµes necessárias, afirmou Rodrigo, acrescentando ainda que a situação tende a se agravar devido ao corte de gastos do Governo do Estado.

 

Conquistas e entraves do Conselho

 

Durante a reunião do Conselho foi anunciado ainda pelo tenente Gabriel Batista, da Patram, a aquisição de uma caminhonete S10 para o Comando Ambiental com recursos do próprio Commam. A entrega oficial deve ser realizada nos próximos dias.   Esse é mais um legado que o Conselho deixa para a comunidade de Torres e para o meio ambiente, disse a presidente do Conselho, Ivana Freitas.

A presidente falou ainda sobre alguns entraves que o Conselho tem enfrentado para seguir em frente com suas açíµes em prol do meio ambiente. Dentre esses entraves, Ivana mencionou um projeto que prevê 200 castraçíµes com um custo de R$ 30 mil reais, que foi vetado pela máquina pública. O Conselho dispíµe desse recurso para esse fim e acredita na importância dele. O projeto foi aprovado pelo Conselho “ que tem 18 entidades representativas “ no final de 2014, e somente agora recebeu o parecer negativo para dar andamento í  ação. í‰ tão difí­cil se ter recursos e quando se tem enfrenta a morosidade e a má vontade das pessoas, desabafou a presidente.

 


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