CONFERÊNCIA MUNCIPAL DE TURISMO (PARTE1): O turismo como oportunidade para o desenvolvimento de Torres

23 de agosto de 2013

 

Prefeita Ní­lvia em seu pronunciamento na abertura da Conferência Municipal do Turismo

 

Por Guilherme Rocha

 

Desenvolver o turismo como uma atividade econí´mica sustentável, com papel relevante na geração de empregos e divisas para a cidade. Este foi o mote para a 1 ª Conferência Municipal de Turismo, que ocorreu nesta semana, em Torres, em um processo democrático e de amplo debate.

 

A Conferência Municipal do Turismo foi aberta na noite de terça-feira (20), no espaço do Centro Municipal de Cultura. Trata-se de uma questão que merece grandes debates em nosso municí­pio, uma vez que o turismo é, direta e indiretamente, uma das principais atividades geradoras de emprego e renda aqui em Torres. E a conferência buscou, logo de cara, dar o tom de valorização aos detalhes, algo que é tão querido e especial quando tratamos da área turí­stica. Isto porque o palco para o debate foi elaborado para destacar as peculiaridades de Torres, com decoração remetendo ao nosso artesanato e a nossa ligação com o mar, em um ambiente previamente planejado e decorado, como se pensado para dar calorosas boas vindas ao visitante do municí­pio.

Após a execução do hino nacional por um saxofonista conterrâneo, os trabalhos foram iniciados com a fala do Secretário do Turismo, Carlos Souza, que lembrou que os turistas do século 21 estão mais exigentes, querem roteiros turí­sticos que se adaptem a sua realidade. Por isso é necessário que trabalhemos para destacar as belezas e peculiaridades que temos em Torres, para, a partir daí­, aumentar o consumo dos nossos produtos turí­sticos pelos visitantes, contribuindo para o crescimento da cidade como um todo.

A prefeita Ní­lvia Pereira também se fez presente, e começou manifestando-se exatamente sobre o cenário criado para a conferência. Aqui, temos um diferencial, algo que surgiu a partir do zelo com os detalhes. E é também sobre isso que o turismo se foca, na valorização dos detalhes, na qualificação dos locais, na criação de um ambiente especial para o visitante. E esta é uma tarefa que não cabe só ao poder público, mas sim a todo o cidadão, que deveria se preocupar com a limpeza de sua calçada, com a busca de melhorias urbanas, colocação de lixeiras, bancos, canteiros. Todos nós devemos primar pelo cuidado e embelezamento de nossa cidade.

Continuando, a prefeita destacou a importância da valorização da Lagoa do Violão, que fica no centro da cidade mas é pouco aproveitada para o turismo. Ní­lvia ainda sugeriu o corte das árvores em frente í  igreja São Domingos, passar a motoserra nas casuarinas (como ela disse) para que o morador e o visitante possam melhor enxergar a histórica igreja.   Ela também falou da necessidade do cidadão fazer uma autocrí­tica antes de reclamar do que acha estar errado. Um comerciante torrense vai até Gramado e acha que está tudo lindo, mas quando volta para cá, a loja deste mesmo comerciante está um lixo, mal cuidada, suja. Nós, poder público, fazemos o que devemos: executamos obras, definimos leis. Mas o morador também tem que se preocupar com a sua cidade e sua qualidade de vida, conclui a prefeita.

 

Vocação turí­stica, autoestima e regionalização

 

Após, foi a vez da Secretária Estadual do Turismo, Abgail Pereira, se pronunciar. Em um discurso enérgico e eloquente, Abgail destacou o franco crescimento do turismo no estado, que antes sequer era oferecido pela Embratur (Empresa Brasileira de Turismo). O turismo é um fení´meno social que acontece desde sempre, pois as pessoas estão em constante movimentação, indo de um local para outro. Cabe ao municí­pio que quer ter a vocação ao turismo achar formas de atrair o visitante, marcar sua identidade. Em Gramado, por exemplo, o comer bem tornou-se uma marca, a pessoa já se desloca para a cidade pensando em pedir um chocolate quente, ou um fondue. O comprar é outra motivação turí­stica, como as pessoas que vêm para Torres e aproveitam para comprar produtos do artesanato local.

A secretária Abgail, que também é veranista de Torres, disse que o poder público induz ao turismo, mas quem efetivamente faz o turismo acontecer é a iniciativa privada. Temos que envolver os órgãos de governo, empresários, a academia e a imprensa para construir e divulgar um pensamento de turismo. Precisamos de maior competitividade, a partir do investimento em infraestrutura, do desenvolvimento de um plano diretor focado nas peculiaridades da cidade,  criando diferenciais que nos façam conseguir maior investimento federal.

O desenvolvimento de um espí­rito empreendedor (a partir de incentivos por parte da municipalidade) também foi  citados por Abgail. Além disso, a secretária ressaltou a importância da especialização por parte dos gestores e profissionais que atuam na área turí­stica, uma qualificação que já é possí­vel através dos cursos profissionalizantes oferecidos pelo Pronatec, por exemplo. Cursos estes, entretanto, que não vêm sendo tão procurados como se imaginava, o que mostra certa preguiça ou baixa autoestima da comunidade. Torres é uma cidade maravilhosa, com belezas únicas como a Guarita e o Morro do Farol, e com uma gente receptiva e acolhedora. Agora precisamos nos qualificar, mostrar mais amor por Torres e por nós mesmos em busca do crescimento.

Finalizando, Abgail citou a regionalização (um dos principais pilares de sua gestão) como uma chave para o desenvolvimento turí­stico de Torres. Os eventos de Torres tem que ser fomentados e ter publicidade em outros municí­pios, bem como o torrense deve participar mais das atividades promovidas pelos municí­pios vizinhos. A regionalização foi uma das chaves para o crescimento turí­stico da serra como um todo, e o mesmo pode ocorrer com o Litoral Norte, é preciso apenas agir de forma integrada.

 

 

 

Pesquisa sobre o perfil do visitante de Torres: tendência de viagens em famí­lia e alto uso da rede hoteleira

 

Além dos eixos discutidos durante a Conferência Municipal de Turismo, foi apresentada ainda uma pesquisa (realizada pela Secretaria Estadual de Turismo, em parceria com a Faculdade Estácio/FARGS) aplicada para definir o perfil dos visitantes de verão do Litoral e da Costa Doce do RS, bem como seu grau de satisfação.

Em Torres, foram aplicadas 624 entrevistas durante janeiro e fevereiro na beira da praia, ambiente escolhido por ser considerado mais democrático e contar com maior pluralidade de perfis. Vários dados foram apresentados, entre eles a definição de que 68% dos entrevistados eram turistas, enquanto 32% se consideravam veranistas, lógica oposta dos outros municí­pios litorâneos pesquisados.

A maioria destes visitantes de nossa cidade apresenta grau de instrução alto (com segundo ou terceiro grau completos) e bom poder aquisitivo (a maioria tem renda mensal superior a R$ 4 mil). Além disso, 65%   costuma viajar com a famí­lia, enquanto apenas 1% dos entrevistados viajou por meio de excursíµes. Os argentinos foram 22%, sendo que a maioria destes veio de Córdoba (58%). A maior porcentagem (75%) dos entrevistados era brasileiros, e entre estes visitantes do Brasil que vêm para Torres, 83% eram gaúchos. A pesquisa apontou que os turistas e veranistas gaúchos vêm de várias partes do estado, sendo que os visitantes de Porto Alegre (23%) e Caxias do Sul (15%) são os mais assí­duos.

 

Muitos carros, e menor tempo de permanência

 

Em relação ao perfil dos turistas e veranistas, 47% dos pesquisados vieram para nossa cidade em busca dos atrativos naturais e culturais, sendo que 57% tiveram conhecimento de Torres por meio de amigos e familiares, enquanto 27% ficaram sabendo de nossos atrativos através da internet. A grande maioria dos entrevistados (87%) chegaram até Torres de carro, mas uma quantidade considerada significativa (6%) veio por meio das linhas regulares de í´nibus.

Em relação ao tipo de alojamento, outra caracterí­stica marcante de Torres aparece em destaque: a rede hoteleira. Isto porque 50% dos entrevistados se hospedaram em hotéis, enquanto outros 16% alugaram imóveis e 13% tinham residência própria no municí­pio.

O tempo de permanência dos visitantes em nossa cidade também mudou em relação ao passado, quando era comum um veranista vir e ficar até um mês de molho na praia. Segundo a pesquisa, 40% ficam entre 4 e 7 dias aqui em Torres, e 26% dos entrevistados ficam entre 8 e 11 dias. Além disso, apenas 27% dos pesquisados visitaram atrativos turí­sticos das cidades próximas ao nosso municí­pio.

Perguntados sobre que outros atrativos gostariam de ver aqui em Torres, uma grande variedade de respostas surgiu, com destaque para o turismo de eventos (18%) Turismo de aventura (14%) e Ecoturismo (13%). Parque da Guarita, Calçadão, Morro do Farol e praia aparecem como os pontos marcantes para os visitantes da cidade, que se mostraram relativamente insatisfeitos quanto a sujeira, a falta de estacionamento e o preço das hospedagens por aqui. Os entrevistados ainda dizem que voltariam para a cidade na temporada de inverno pela busca de tranquilidade, pelo Festival do Balonismo e por outros eventos atrativos.

 


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