CONFERENCIA MUNICIPAL DE TURISMO (PARTE 3): Educação e Planejamento no Turismo

24 de agosto de 2013

Francisco Reis da Silva palestrou sobre educar para o turismo  

O segundo eixo da Conferência Municipal foi educar para o turismo, e teve como palestrantes Vilma da Silva Aguiar e Francisco Reis da Silva. Representante do Conselho Municipal de Turismo, foi Vilma Aguiar quem começou falando, ao indicar que o primeiro passo para ter uma cidade educada para o turismo começa com uma autocrí­tica dos próprios cidadãos. Quantos de nós não conhecemos nossa cidade, não nos informamos sobre as coisas boas que acontecem em Torres? Temos também que aprender a respeitar nossa cidade, que ainda é suja, mal cuidada, as pessoas não tem vergonha em jogar lixo nas ruas. No verão, nos irritamos com o turista, queremos que ele vá embora só para que possamos voltar a ter nossa vaga de estacionamento garantida.

A representante do Conselho Municipal de Turismo sugeriu que a base para educação no turismo seja fundada em quatro pontos: Conhecer-se, valorizar-se, respeitar-se e comunicar-se. O morador de Torres tem que aprender a valorizar mais sua própria cidade, tentar cuidar e limpar sua própria calçada, saber informar í s pessoas de fora o que temos de bom. Esta conferência é um incentivo para a troca de ideias, e por mais que existam ideias conflitantes, os que estão aqui concordam com a importância do Turismo para o desenvolvimento de Torres. Deus foi generoso com nossa cidade ao nos abençoar com tantas belezas naturais, e temos o ví­nculo com o conceito de qualidade de vida. Agora, cabe a nós fazer o turismo acontecer a partir do que já temos.

Dando continuidade a conferência, o turismólogo Francisco Reis da Silva (popular Chiquinho) foi responsável por uma palestra enérgica e positiva, baseada na valorização dos muitos atrativos turí­sticos que temos, não apenas em Torres, mas também nos municí­pios vizinhos. A regionalização do turismo é um marco que temos que nos apegar, para fazer também com que o visitante queira estender sua estadia na cidade. Além disso, é relevante perguntar: que tipo de turista eu quero atrair? Temos que preparar-nos para os perfis mais especí­ficos. A possibilidade, por exemplo, de buscar o Ecoturista (como em Cambará do Sul) ou o turista de Terceira Idade (que também gasta bastante). Nesse ponto, vemos a educação como ferramenta de qualificação do nosso pessoal.

 

A necessidade de qualificação

 

A importância de cursos voltados para profissionais vinculados ao trade turí­stico também foi destacada por Francisco, uma vez que os visitantes da era digital estão mais esclarecidos e exigentes, buscam por nichos especí­ficos que atendam suas necessidades. Somos prestadores de serviços, e por isso temos que gostar do turismo, buscar tratar bem o visitante que chega e saber que, eventualmente, teremos que por até nosso lazer de lado para atender aos clientes.

O turismólogo também alfinetou a falta de qualificação profissional para bem atender ao turista estrangeiro. Com a Copa do Mundo chegando, e o provável benefí­cio que este megaevento trará ao nosso turismo, temos que nos perguntar: Quantas pessoas em Torres dominam o inglês e o espanhol, quantos podem atender bem este turista? Pouca gente, eu diria, portanto é importante a qualificação na questão dos idiomas estrangeiros.

Concluindo, Francisco lembrou da relevância em valorizar os funcionários, pois um empregado bem tratado sente vontade de permanecer trabalhando na empresa. Ainda vale lembrar que a cortesia da população, como um todo, faz com que o turista se sinta bem recebido, para que ele depois queira voltar ou indicar a cidade para amigos e parentes. Gentileza, sorrisos e boa vontade para com o visitante são uma das chaves do sucesso de uma cidade turí­stica, indicou Francisco.

 

 

 

 

Planejamento Urbano para o Turismo: identificando e trabalhando com as peculiaridades da cidade

 

A terceira palestra do dia foi ministrada pelo arquiteto e professor Efrain Brignol Quintana. Na agenda da Conferência Municipal do Turismo, indicava-se que o assunto tratado no terceiro eixo seria o ˜aparelhamento turí­stico e Infraestrutura para o bem receber™, mas o tópico abordado pelo arquiteto acabou sendo o Planejamento Urbano para o Turismo.

Segundo Efrain Quintana, a atividade turí­stica se baseia na diferenciação de espaços, na busca do visitante por lugares incomuns a sua realidade, direcionada pela vontade quase instintiva de ver coisas novas e diferentes. Cidades turí­sticas se diferenciam das demais por suas peculiaridades, caracterí­sticas especí­ficas que marcam sua identidade. E a formação de uma identidade para o municí­pio está no centro de toda a questão do desenvolvimento do turismo.

E no planejar para o turismo, Efrain diz ser necessário um projeto espacial integrado com os vários setores da sociedade, que se qualifique através de um adequado planejamento urbano. Um projeto turí­stico é um projeto para o futuro, temos que enxergar além do que temos atualmente para haver um plano de ação. O caráter social também deve ser observado, sendo feito um mapeamento das caracterí­sticas da população, pois a cidade turí­stica conta com uma população permanente e outra flutuante. Por isso, a estrutura que atenda o turista deve permanecer durante o ano todo, para melhor servir também as necessidades da população, constata ele, lembrando ainda que o turismo, por si só, é uma atividade com base cultural, e que a cultura também é um produto consumido pelo turista de forma integrada com o ambiente do local.

Durante sua apresentação, o arquiteto destacou quatro pontos a serem observados para desenhar um planejamento urbano de forma integrada com o turismo. O primeiro ponto é o de Análise/Diagnóstico, onde devem ser Identificados as caracterí­sticas positivas e peculiaridades da cidade, levantando também os problemas e fragilidades da mesma. O poder público quem tem que gerir este trabalho de planejamento urbano, com participação de técnicos e consultorias capacitadas, consultando também a população. São aspectos a serem levantados para reconhecer a realidade onde se quer intervir, conhecer a identidade que vai balizar as açíµes que vêm a seguir, disse Efrain.

O segundo ponto é a definição de Diretrizes Gerais, que indicarão caminhos e princí­pios do planejamento, pensando no desenvolvimento social, econí´mico, ambiental e espacial decorrentes ao projeto. Neste ponto, o plano de mobilidade, por exemplo, irá definir os direcionamentos em relação aos meios de transporte, decidindo se haverão, ou não, incentivos aos transportes alternativos (bicicletas, skates, etc).

O terceiro ponto levantado por Efrain seria referente aos Projetos especí­ficos, feitos por técnicos e especialistas, na busca por uma ação que impacte sobre a realidade existente na cidade, com objetivo de modificar, preservar, valorizar ou redefinir esta realidade. Trata-se de definir projetos para preservar o patrimí´nio histórico, projetos para instalação de equipamentos públicos (bancos, lixeiras, canteiros), desenho do mobiliário urbano, infraestrutura de transportes. Uma ideia que vêm ganhando destaque é a de realização de concurso público para projetos de obras públicas, onde o melhor projeto será escolhido por uma comissão especializada, a partir de um valor pré-estipulado. Finalizando o raciocí­nio, o quarto ponto é o da Implementação dos projetos planejados. E a correta execução das açíµes depende da qualidade, da precisão sobre o que se quer. Deve se primar também pela existência de uma comunicação visual, projetando os espaços de forma sustentável e harmoniosa, para que a cidade não seja como uma ˜colcha de retalho™, sem padronização estética. E imitar o estilo de outras cidades também não serve, pois Torres tem pontos que fazem com que ela seja única, importante para o turismo no RS e no Brasil. Portanto o projeto urbano da cidade tem que ser único também, finaliza o arquiteto Efrain Quintana.

 

 


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