Confiança e otimismo no futuro

18 de dezembro de 2009

 Como viver num mundo onde sentimos nossa existência ameaçada diariamente, num contexto hostil, onde prevalece a insegurança, o medo e a desconfiança? Será que não estamos nos tornando neuróticos e paranóicos? Por outro lado, parece que a paranóia resulta de um mecanismo de defesa para estarmos sempre alertas e vigilantes contra o mal. Mas então, como minimizar os efeitos nocivos da realidade muitas vezes cruel que assalta nosso psiquismo e nos inunda de uma angústia de aniquilamento?

 

 Embora a realidade externa influência em nossas reaçíµes e comportamentos, ela não é determinante para nos tornar inseguros apenas pelos fatos reais, objetivos. Existe um determinismo psí­quico, ou seja, nosso universo interior ou a realidade interna, povoada por sentimentos, fantasias, vivências, lembranças, que funciona como um intérprete daquilo que vivemos, percebemos e sentimos. Nosso Eu foi constituí­do desde o nascimento, através do ambiente e das interaçíµes familiares em que foi moldada nossa personalidade. Desta maneira, se em nossa pré-história, a partir do nascimento e da primeira relação de amor que conhecemos com nossa mãe, prevaleceu experiências frustrantes, de privação afetiva, por exemplo, maus tratos, desamparo, solidão, ou seja, se não fomos atendidos plenamente em nossas necessidades emocionais e materiais, como então poder acreditar e confiar num mundo bom, onde predomina o amor e a confiança?

 

Se o que predominou foi ódio, a agressão, a instabilidade emocional num ambiente familiar desestruturado, consequentemente, tenderemos a perceber o mundo e a vida com os olhos desesperançosos, negativista e apreensivos. Nesse contexto, o que pode nos perturbar é muito mais o inimigo e o perigo interno originário de fantasmas e monstros a partir da realidade estéril de cuidado materno no iní­cio da vida, o qual não nos imunizou contra o perigo da maldade interna.  Uma criança que não se sentiu amada e desejada, não se sentirá capaz de amar e fazer os outros amá-la. Dentro dela prevalecerá o ódio,  o rancor e a amargura. O mundo lhe parecerá muito escasso, pobre, mal, perigoso, traidor, quando na verdade ele apenas está espelhando ou refletindo as projeçíµes da realidade interior.

 Mas se prevaleceu o amor, a bondade, a generosidade, a segurança de um colo materno (esta função materna poderá ser desempenhada não necessariamente pela mãe, mas pelo pai também) teremos um antí­geno, com boas figuras de amor internalizadas em nosso Eu, que nos proporcionará uma visão benigna, confiante, generosa e esperançosa sobre a vida e o seu o futuro, por mais dura que seja a realidade em que encontremos. Deste modo, a crença num mundo melhor pode depende de como este nos foi apresentado ao nosso Eu, nosso mundo interno (psí­quico), na relação primordial com os pais, que será a matriz estruturante para as futuras relaçíµes e interpretaçíµes do nosso viver.

 


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados