Consequência da ruptura conjugal nos filhos
1 de outubro de 2010
Quando o casal entra em crise e opta pela separação como saída, a criança pode se sentir num terreno movediço, de impotência e angústia que ameaça sua integridade psíquica.
Muitas vezes, a vivência de separação dos pais pode conduzir a criança a uma independência precoce, ao crescimento emocional prematuro. Os pais precisarão de tempo para se estabilizarem como pessoas, refazerem suas vidas, e buscarem novos relacionamentos. Eles são seres humanos falhos, como todos, que carregam dentro de si uma infância mal resolvida que pode atrapalhar sua vida adulta.
A maioria das crianças acredita pode buscar solução mágica de reconciliação dos pais, tomando para si a incumbência de uni-los. Os conflitos mais comuns da separação são: o pai se sente tendo que ser mãe e pai, a mãe sente que tem que ser pai e mãe, já a criança passa do lugar de ser cuidada para o de cuidadora dos pais. Por outro lado, muitos pais, após a separação se descobrem melhores pais, por vezes em função de competição um com outro.
Do ponto de vista da criança, ela acaba renunciando í infância, í dependência, proteção, para ter que compreender o mundo complexo das relaçíµes humanas. Sente que os pais estão tão envolvidos dentro do conflito conjugal que não conseguem estar tão disponíveis afetivamente a ela.Assim, ela passa a temer a perda do amor dos pais, a participar das conversas adultas, por acreditar que depende dela a solução do problema. Vive a separação dos pais como sendo dela, desta maneira, precisa acompanhar os acontecimentos em torno da relação do casal, não podendo se sentir livre para ser criança, brincar, e se ocupar com seu mundo em construção. Algumas vezes, a criança poderá recusar ir visitar um dos pais, quando já separados, pelo quadro que denominamos lealdade parental, em que ela se sente traindo um deles em favor, sentindo-se impedida de amar ambos, mas impelida a tomar partido daquele que se coloca como vítima e contra aquele que é culpabilizado pelo fracasso da relação. Como consequencia, ela se sentirá permanentemente dividida e culpada quando tiver que escolher, por exemplo, com quem dos dois quer passar o Natal, aniversário, imaginando estar abandonando ou traindo um deles. Assim, não é incomum que a criança demonstre sofrimento emocional através de alguns sintomas, como dificuldade de aprendizado, agressividade, e/ou medos. í‰ aconselhável, nestes casos ajuda de um profissional.


