FOTO: Iara, Vera Lia e o mediador LG
Por Maiara Raupp
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Passada a época da folia de agora, nada melhor do que lembrar e reviver os carnavais de outrora. Foi o que fez um grupo de pessoas na noite da última quinta-feira, dia 4 de fevereiro, durante a 16 ª edição do projeto Conversando com a História, realizado pela Secretaria Municipal de Cultura e Esporte. Mediado pelo ativista cultural e entusiasta do samba e carnaval, Luiz Gustavo Oliveira, mais conhecido como LG, o encontro reuniu celebridades da época que compartilharam lembranças e histórias dos saudosos carnavais da mais bela praia gaúcha.
Representando os carnavais da Sociedade Amigos da Praia de Torres ( SAPT), se fez presente Iara Palmeiro da Fontoura – veranista desde 1966, que atualmente é diretora social do Clube – além de Vera Lia Cavalheiro – que é associada do clube desde criança, sendo conselheira, diretora social e hoje diretora cultural.
Participou ainda João Gilberto Teixeira, ou simplesmente Gilbertinho – torrense de família musical, filho do conhecido senhor Eliar, um sambista nato que na década de 80 fez parte como instrumentista do lendário bloco de Carnaval Terreno Baldio; Outra presença foi o senhor Alziro Ramos – que foi um grande folião no antigo Clube Atlântico Torrense e atualmente é presidente do Clube Caça e Pesca – além de neto do maestro Antonio João Ramos; Fechando a conta de convidados, estava o cantor e ator Cláudio Romário.
Iara Palmeiro
A primeira a contar sobre os carnavais torrenses foi Iara Palmeiro, que até hoje organiza os carnavais infantis da SAPT. Antigamente tínhamos na SAPT o melhor carnaval. Mesmo com a concorrência do carnaval do Clube da Praia da Cal, os bailes da SAPT eram inesquecíveis, afirmou Iara. A diretora lembrou ainda das fantasias luxuosas que a mãe Neuza Cury trazia para desfilar na SAPT. Eu inclusive desfilei com a fantasia o Príncipe da Manchúria. Era tudo muito bonito, disse ela. Iara agradeceu ainda a oportunidade de reviver esse momento. Esse espaço é uma oportunidade muito boa. O tempo passa muito rápido e í s coisas caem no esquecimento. Recordar é viver. Foi uma noite muito agradável, ressaltou.
Vera Lia Cavalheiro
A segunda palestrante da noite foi Vera Lia Cavalheiro, que também participa da organização do carnaval infantil da SAPT. Eram quatro noites de muita folia e diversão. O carnaval da SAPT sempre foi muito animado. Era 6h da manhã e ninguém queria ir embora. O conjunto tinha que terminar de cantar na praia para o pessoal ir embora, contou Vera Lia. A diretora confessou ainda que na festa dos casados, as solteiras arrumavam alianças para entrar como casadas. Até que um segurança me reconheceu e me tirou da festa, revelou sorridente. Vera contou ainda que os concursos de fantasias individuais e em bloco eram lindos. Mas assim como tudo, o carnaval também mudou. Virou carnaval de rua. Dificilmente se tem carnavais em clubes como antigamente. Os lança perfume que hoje são proibidos, foram substituídos pelas guerras de espuma, comparou ela.
A foliã nata declarou ainda que entrar no atual Centro de Cultura foi reviver literalmente o passado, já que no local era onde se realizava os bailes de carnaval da SAPT há cerca de 40 anos. Era muito alegre, uma confraternização enorme. As pessoas vibravam com o carnaval da SAPT. Eu vibro até hoje com a SAPT, garantiu ela, acrescentando ainda que os veranistas amam Torres. Nós amamos Torres. Todos fazem questão de dizer que veraneiam em Torres. Não é só quem mora aqui que tem orgulho dessa cidade, concluiu Vera Lia.
FOTO: João Gilberto, Cládio Romário e Alziro
Alziro Ramos
O terceiro a compartilhar as histórias de carnaval foi Alziro Ramos. O folião garantiu que no passado se viveu momentos maravilhosos durante os carnavais. Os carnavais de Torres começavam no entrudo, os três dias que precedem a entrada da Quaresma. Eram carnavais de salão. Tinha o famoso do Clube da Praia da Cal, do Hotel Sartori (associados do SESC), do Clube Atlântico Torrense, da SAPT, do Clubinho. Depois, em 1971, o Capesca em parceria com o Torrense também promoveu marcantes bailes carnavalescos. Eram formados vários blocos. Um queria ser melhor que o outro, lembrou Alziro, que participou do bloco Tou por um fio, no Clube da Praia da Cal.
Alziro contou ainda que alguns bailes eram tão disputados que era difícil conseguir ingresso e outros só podiam entrar se fosse convidado. Boas lembranças dos nossos velhos carnavais. Essa iniciativa valoriza e resgata a história da nossa cidade. Que bom poder estar aqui, enfatizou ele.
Cláudio Romário
O próximo a falar foi o músico Cláudio Romário, da banda Trepidasom. Cláudio se lembrou dos bailes em que cantava suas marchinhas de carnaval, muitas vezes se apresentando em mais de um baile por noite. Eu tomava suco de laranja para aguentar as quatro noites sem ficar rouco, contou ele. Cláudio mencionou ainda o nome de duas figuras importantes na história do carnaval Torrense, que foi o Dosa, mentor de escola de samba em Torres naquela época, e o Zinho. Apaixonados pela música os irmãos aprenderam a cantar e tocar sozinhos e eram bons no que faziam. Torres é uma das praias que mais tem talento. Orgulho de fazer parte dela, concluiu ele.
João Gilberto Teixeira
O último a se apresentar foi João Gilberto Teixeira. O sambista contou que os dedos ficavam arrebentados nos quatro dias de festa, mas que continuavam a tocar sem parar. A concentração era no antigo Tarrafa, na beira-mar, e seguia até a frente do Hotel Farol, lembrou ele. Gilbertinho contou ainda que no carnaval da SAPT só era possível entrar com convite de um sócio. No entanto seu bloco tinha 150 pessoas, então era difícil conseguir entrar, até que foram convidados a tocar. Os bailes da SAPT eram inesquecíveis. Como não recordar do tradicional banho de piscina na última noite? Era proibido, mas era muita gente. Mesmo com um monte de seguranças se conseguia. Jogavam até os garçons na piscina, disse ele.
O músico falou ainda dos bailes no antigo Ginásio, no Colégio das Freiras. Quando terminou os bailes de carnaval no Capesca e na Praia da Cal, iniciou no Colégio com o Indústria Nacional. Era bom demais!, confessou Gilbertinho.
Para finalizar o painel, o músico Marco Maniaudet, carioca que ama Torres e mora aqui faz 4 anos, cantou duas músicas que ele compí´s sobre a história da cidade. Uma delas é sobre a casa velha, de n °1, que tem cerca de 200 anos. A outra é sobre a lenda da lagoa do violão.


