FOTO: Ativista no momento em que chegou a divisa de SC com RS, último estado de sua cruzada
Caminhando até 12 horas por dia. Enfrentando chuvas e temperaturas de até 40 graus. Percorrendo de 30 a 50 quilí´metros diários, empurrando uma cadeira de rodas. í‰ assim que o ativista mineiro José Geraldo de Souza Castro – o "Zé do Pedal", 57 anos, membro do Lions Clube de Viçosa – realiza sua Cruzada Pela Acessibilidade, que o levará a percorrer 10.700km, empurrando uma cadeira de rodas, passando por 20 estados (Roraima, Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Goiás, Brasília, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), finalizando no município do Chuí, extremo sul do Brasil.
O ativista mineiro José Geraldo de Souza Castro, o Zé do Pedal chegou a Torres – RS, concluindo a penúltima etapa do projeto Cruzada pela Acessibilidade, um percurso entre os extremos das fronteiras do Brasil (Monte Caburaí/Roraima ao Chuí/Rio Grande do Sul).
O ativista foi recebido na ponte sobre a BR 101 – que liga os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul – por Mirabeau Esquivel Hoppe e Tania Pauleti Hoppe, membros do Lions Clube Arroio do Sal.
A caminhada e o percurso
A caminhada de Zé do Pedal empurrando uma cadeira de rodas teve início no dia 10 de fevereiro de 2015 e o ativista já percorreu mais de 9.900 quilí´metros passando pelos estados de Roraima, Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Rio Grande do Sul é o vigésimo estado a ser cruzado pelo ativista que tem como meta chegar ao Chuí em 21 de setembro próximo, coincidindo com o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.
Durante o percurso, Zé prega um pouco mais de consciência em respeito ao próximo, cujos movimentos, provisórios ou definitivamente, o impossibilitem de andar. Ele sabe que o sacrifício de cobrir a distância entre os extremos do País, para os chamados perfeitos, é muito menor do que o percurso entre dois quarteiríµes de muitas cidades, para quem depende de uma cadeira de rodas ou de muletas para se locomover.
Inspiração
Zé disse que o projeto Cruzada Pela Acessibilidade teve sua semente lançada em junho de 2008, durante sua viagem em um kart a pedal de Paris a Johanesburgo. Na passagem pela cidade de León, no caminho francês da rota de peregrinação de Santiago de Compostela, em um dado momento, ouviu uma voz feminina dizendo no puedo (não posso). Olhou e viu uma jovem em uma cadeira de rodas tentando subir uma rampa que possuía um pequeno degrau.
Com a ajuda de outras pessoas a jovem conseguiu seu intento, mas a privação da liberdade, aliada í dependência da boa vontade alheia, tocou o coração do aventureiro: As barreiras naturais são obstáculos para todos. Porém, as arquitetí´nicas, instaladas em concretos nas calçadas, edificaçíµes e ruas de cidades são obras do homem. Se o homem consegue interferir nas obras de Deus, porque não interferir nas fabricadas por ele, o homem?, concluiu o humanista.
O objetivo do Zé do Pedal
De acordo com o ativista, o projeto, tem como objetivo precípuo entregar, nas Câmaras Legislativas dos Municípios visitados, uma proposta de Projeto-Lei sobre Normas de Acessibilidade e outra para a criação de Conselhos Municipais dos Direitos da pessoa com Deficiência. Também visa conscientizar as pessoas, principalmente aquelas com poderes de decisão, a terem mais respeito com as pessoas deficientes (hoje em dia podem-se ver pessoas em cadeiras de rodas impossibilitadas de entrar em um banco ou setor publico, por falta de rampas de acesso ou de elevadores).
FOTO: O ponto de partida de Zé do Pedal foi o estado de Roraima (foto)


