MARIA HELENA TOMí‰ GONí‡ALVES (mhtome@hotmail.com)
Professora por vocação, sempre dediquei í educação e tudo a ela relacionado o máximo interesse e cuidado. Nossos filhos frequentaram as escolas que melhor lhes podíamos oferecer nas circunstâncias de vida local e profissional que nos era dado viver. Os materiais escolares eram adquiridos a cada novo ano letivo de acordo com as relaçíµes fornecidas pela escola como continua acontecendo hoje com nossas netas. Tudo continua igual, porém o número de itens das listas aumentou muito, o material escolar diversificou e cresceu em qualidade e beleza e há um mundo inteiro de novidades e atraçíµes para fazer vibrar cada coraçãozinho ao entrar nas livrarias e bazares do ramo. Tudo é cada vez mais lindo. As novas tecnologias gráficas e os novos suportes não só tornam os materiais mais práticos como também muito mais bonitos. Não há criança nem adulto que não fique verdadeiramente encantado com a variedade de capas de cadernos, com a multiplicidade de lápis e canetas, com o colorido vivo e o formato novo de todos os objetos. As tesouras são maravilhosas, as réguas são de materiais resistentes e versáteis, as mochilas e porta lápis, bem como os cadernos são temáticos. Tudo é atraente, menos a conta ao passar no caixa.
Os livros didáticos se tornaram verdadeiras obras de arte, lindos, coloridos, atraentes. E caríssimos. Os preços não correspondem nem ao conteúdo nem ao material oferecido, além de continuarem aparecendo com certos erros de impressão ou de redação. í‰ verdadeiramente um absurdo um livro escolar de quinto ano de uma só disciplina custar quase cem reais. Outro de ensino médio custar cento e oitenta reais. O conjunto de livros de uma série varia entre seiscentos e oitocentos reais. Imagino como faz uma família com quatro filhos na escola como era a nossa para equilibrar as despesas com educação a cada início de ano, a cada início de mês para manter em dia as mensalidades escolares que estão cada vez mais salgadas, fora os cursinhos de dança, de esportes, de línguas que visam complementar e enriquecer a aprendizagem escolar.
O interessante em tudo isso é que o valor que pode ser descontado per capta no item Despesas com educação na declaração de renda absolutamente corresponde í realidade. Não interessam os valores totais dos comprovantes que a família apresenta correspondentes í s suas despesas de fato, o limite está muitíssimo abaixo do montante gasto. O governo não faz corretamente a sua parte, a escola oficial pública e gratuita oferecida í população não corresponde í s nossas necessidades reais e atuais. Na maioria das escolas públicas falta de um tudo, além de também faltarem vagas. As famílias que buscam oferecer uma escola melhor na rede particular enfrentam despesas absurdas por cada aluno e não podem ressarcir tais despesas em valores reais nas suas declaraçíµes de renda.
Há uma verdadeira máfia editorial de livros didáticos oferecidos anualmente em novas versíµes dito atualizadas impossibilitando a continuidade de uso dos livros de anos anteriores por novos alunos. O descarte e o desperdício contrariam totalmente as políticas de meio ambiente quanto í reutilização de materiais. Parece que somos um país rico e de primeiro mundo quanto a recursos, mas nos comportamos exatamente como subdesenvolvidos quanto a novas formas de educação. Pais que se rebelam contra esse status quo são impedidos constitucionalmente de manterem seus filhos fora da escola e de se responsabilizarem pessoalmente pela aprendizagem… e o Ministro da Educação e os Secretários Estaduais parece que nada tem com isso e está tudo bem. Vale ainda lembrarmos a verdadeira tragédia de um quadro de professores desmotivados, mal preparados e mal remunerados, especialmente num estado que já foi primeiro lugar em educação no Brasil e hoje tem um governador que sendo ministro participou da criação de uma lei salarial com teto mínimo para os professores a nível nacional e que hoje não cumpre a própria lei que aprovou.
A cada novo ano letivo vamos í s livrarias e nos encantamos com os novos materiais escolares oferecidos a uma minoria de brasileirinhos cujos pais fazem um esforço enorme para oferecer-lhes mais. A cada nova Declaração de renda obrigatória anualmente fica maior a defasagem entre realidade e limites de abatimento permitidos oficialmente. E ninguém, absolutamente nenhum dos representantes que elegemos para governantes e legisladores olha para essa deseducada bagunça.


