DIA MUNDIAL DA íGUA: A relação entre o trabalho e os recursos hí­dricos

22 de março de 2016

 

No dia 22 de março de 1992, a ONU divulgou um importante documento: a Declaração Universal dos Direitos da ígua   . Este texto apresenta uma série de medidas, sugestíµes e informaçíµes que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água. Ficava institucionalizado o Dia Mundial da ígua

97% da água do planeta são água do mar, imprópria para ser bebida ou aproveitada em processos industriais; 1,75% é gelo; 1,24% está em rios subterrâneos, escondidos no interior do planeta. Para o consumo de mais de seis bilhíµes de pessoas está disponí­vel apenas 0,007% do total de água da Terra.Some-se a isto o despejo de lixo e esgoto sanitário nos rios, ou ainda as indústrias que jogam água quente nos rios – o que é fatal para os peixes.

A pouca água que existe fica ainda mais comprometida. Isto exige a construção de estaçíµes de tratamento de esgoto e dessalinização, por exemplo. E exige conscientização para que se evite o desperdí­cio e a poluição, principalmente nas grandes cidades. O Dia Mundial da ígua tem como objetivo principal criar um momento de reflexão, análise, conscientização e elaboração de medidas práticas para resolver tal problema.

 

A água e o emprego

 

A falta de fornecimento de água seguro, adequado e confiável para os setores altamente dependentes de recursos hí­dricos resulta na perda ou no desaparecimento de empregos e pode limitar o crescimento econí´mico mundial nos próximos anos, a menos que exista infraestrutura suficiente para gerenciar e armazenar a água. O alerta foi feito na terça-feira (22), Dia Mundial da ígua, pela Organização das Naçíµes Unidas (ONU).

A edição de 2016 do Relatório Mundial das Naçíµes Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Hí­dricos tem como tema "a água e o emprego". Ele mostra que 78% dos empregos que constituem a força de trabalho mundial são dependentes dos recursos hí­dricos. Nós temos algo em torno de 1,5 bilhão de pessoas no mundo que ainda têm problemas de acesso í  água, seja em quantidade ou em qualidade. Isso afeta o emprego delas também, disse o coordenador do setor de Ciências Naturais da Unesco no Brasil, Ary Mergulhão.

A Unesco estima que mais de 1,4 bilhão de empregos, ou 42% do total da força de trabalho mundial, são altamente dependentes dos recursos hí­dricos. Entre os setores mais atingidos estão a agricultura, indústria, silvicultura, pesca e aquicultura, mineração, o suprimento de água e saneamento, assim como quase todos os tipos de produção de energia. Esta categoria também inclui empregos em áreas como cuidados de saúde, turismo e setores de gestão de ecossistemas.

Também foi estimado que 1,2 bilhão de empregos, ou 36% do total da força de trabalho mundial, são moderadamente dependentes dos recursos hí­dricos. São setores para os quais a água é um componente necessário em suas cadeias de valores, como construção, recreação e transporte.

Desde os anos 80, a captação de água doce tem aumentado mundialmente em cerca de 1% ao ano, principalmente devido í  crescente demanda em paí­ses em desenvolvimento, segundo a Unesco. A redução da disponibilidade hí­drica vai intensificar ainda mais a disputa pela água por seus usuários. Isso afetará os recursos hí­dricos regionais, a segurança energética e alimentar e, potencialmente, a segurança geopolí­tica, provocando migraçíµes em várias escalas.

 

Economia verde

 

Além do aumento da demanda, as mudanças climáticas são uma ameaça í  disponibilidade de recursos hí­dricos. A mudança climática levará, inevitavelmente, í  perda de empregos em determinados setores. Uma abordagem proativa de adaptação por meio de polí­ticas pode amenizar algumas dessas perdas, afirma o relatório.

A criação de oportunidades de emprego em atividades de mitigação – e adaptação e o mercado emergente de pagamentos por serviços ambientais – pode oferecer í s populaçíµes de baixa renda a oportunidade de criar um tipo de empreendedorismo, com aumento de renda e implementação de práticas de restauração e conservação. A urbanização acelerada e o aumento dos padríµes de vida, o aumento da demanda por água, alimentos e energia de uma população mundial em constante crescimento, inevitavelmente, levarão í  criação de postos de trabalho em determinados setores (por exemplo, tratamento municipal de águas residuais) e í  perda de postos de trabalho em outros, diz a ONU.

Segundo informou para a Agência Brasil a oficial do Programa Mundial das Naçíµes Unidas em Avaliação dos Recurso Hí­dricos da Unesco na Itália, Angela Ortigara, as maiores potencialidade de emprego estão relacionadas com a economia verde. Há todo um trabalho para capacitar os empresários para essa transição econí´mica, afirma. "A produção de energia, por exemplo, como um requisito para o desenvolvimento, possibilita a criação de empregos diretos e indiretos por todos os setores econí´micos".

Segundo a Unesco, o crescimento no setor de energia renovável leva ao crescimento do número de empregos verdes e independentes de recursos hí­dricos. Podemos dizer que a geração de energia eólica e solar já cria mais empregos do que a de fonte convencional.

 

Questíµes de saúde e gênero

 

FOTO: Vilarejo no Haiti: com chuvas e sem saneamento básico, propaga-se a cólera

 

Segundo o relatório, investimentos em saneamento e em água potável de qualidade fomentam o crescimento econí´mico, com altos í­ndices de retorno. Atualmente, cerca de 2 bilhíµes de pessoas no mundo necessitam de acesso a melhor saneamento, com as meninas e as mulheres em situação ainda mais precária. Ortigara diz que isso se deve ao fato de que, em lugares sem infraestrutura, as mulheres são responsáveis pela coleta de água e destinação das fezes, ou quando precisam sair de casa e se afastar da comunidade para cuidar da higiene, muitas vezes sofrem violências nesses percursos.

E não estamos falando só de zona de guerra, disse para a Agência Brasil a oficial Angela Ortigara, sobre os problemas relativos í  água, saneamento, higiene e emprego. Ela conta que um estudo feito em Bangladesh, com a distribuição de absorventes í­ntimos em uma empresa onde 80% dos empregados eram mulheres, diminuiu as faltas ao trabalho de 73% para 3%.

O relatório da Unesco recomenda que cada paí­s, conforme a sua base de recursos, potencialidades e prioridades, identifique e promova estratégias especí­ficas e coerentes, bem como planos e polí­ticas para alcançar o equilí­brio ideal entre os setores da economia e gerar o melhor resultado possí­vel de empregos decentes e produtivos, sem comprometer a sustentabilidade dos recursos hí­dricos e do meio ambiente.

 

 

 


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