E agora José?

14 de julho de 2014

 

 

E   agora, José?  
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,

e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?

E agora José?
Derrota do Brasil para a Alemanha por 7×1 causa perplexidade nos brasileiros.

 

Por Maiara Raupp

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O poema acima de Carlos Drummond de Andrade elucida um pouco do que vivemos neste momento. A última terça-feira, dia 8 de julho, marcou a história do futebol brasileiro, infelizmente de forma negativa. A derrota do Brasil para a Alemanha por 7×1 foi a maior de todos os tempos. E agora José? Será uma simples derrota? Um recomeço? Qual a lição que fica? Muitos são os questionamentos e as divergências de opiniíµes que permeiam os brasileiros. Segundo especialistas, essa derrota vai fazer o Brasil acordar e ter lucidez para lidar com seus problemas, em termos de segurança, saúde e especialmente no mundo da polí­tica, já que a eleição está perto. "í‰ preciso ter em mente que 7 a 1 é mais que uma simples derrota, é uma demonstração clara de que estávamos vivendo uma ilusão", afirmou o antropólogo e escritor Roberto Da Matta a BBC Brasil, acrescentando ainda que é uma chance para se reorganizar o futebol no Brasil."Para mim, com a minha cabeça de quase 80 anos e assistindo futebol desde os 10, esse jogo foi o fim de um ciclo. Vi o iní­cio do futebol aqui, sua ascensão, e agora isso. O antropólogo acredita também que a goleada vai provocar a reorganização do mercado do futebol no Brasil. "O futebol da seleção vai ser desmitificado. Porque o que vemos atualmente é a magia do marketing e não do futebol – e isso precisa mudar, garantiu ele.

Jornais de todo o mundo estamparam o vexame do Paí­s do futebol em sua própria casa. Nunca uma seleção foi tão vazada numa Copa do Mundo, Pior derrota da história, Um vexame para a eternidade, Humilhação que vai assombrar os brasileiros por muitas geraçíµes, Samba que desafinou, Seleção sofre a maior humilhação em 100 anos de história, Parabéns aos vice-campeíµes de 1950, que sempre foram acusados de dar o maior vexame do futebol brasileiro. Ontem conhecemos o que é vexame de verdade, Sonho do Brasil terminou em lágrimas e melancolia, Humilhação, fiasco, vergonha. Essas são algumas das manchetes que revelaram a dor dos brasileiros e a repercussão mundo afora do desempenho da seleção canarinho na Copa do Mundo.   Para expressar tamanha tristeza muitos brasileiros utilizaram as mí­dias sociais como forma de desabafo.

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A OPINIíƒO DOS TORRENSES

 

Os torrenses também demonstraram sua opinião e indignação diante desse marco histórico. Confira abaixo algumas das liçíµes que essa copa deixa.

 

"Vi hoje, talvez, a maior seleção que terei o prazer de acompanhar ao vivo na vida. Não só pelo futebol jogado de maneira magní­fica, ou pela postura tática consistente, mas mais do que nunca, pelo espí­rito esportivo e pela seriedade com que encaram o jogo e seus adversários. Esta seleção alemã possui a postura dos verdadeiros campeíµes, sem deixar a alegria de lado, mas mostrando respeito pelos adversários. Poderiam ter tocado de lado a bola desde o 3 a 0, mas seguiram com a mesma postura diante da nossa gigantesca história. Parabéns Alemanha, terão minha torcida na final! Que a CBF e o COB prestem atenção nos bons exemplos de planejamento e postura diante dos esportes, pois esta derrota é muito mais da máfia por trás do esporte brasileiros, do que dos jogadores que foram a campo!"

Lucas Lopez da Cruz “ professor

 

 

"Isso representa mais que um simples jogo! Representa a vitória da competência sobre a malandragem! Serve de exemplo para geraçíµes de crianças que saberão que pra vencer na vida tem-se que ralar, treinar, estudar! Acabar com essa história de jeitinho malandro do brasileiro, que ganha jogo com seu gingado, ganha dinheiro sem ser suado, vira presidente sem ter estudado! O grande legado desta copa é o exemplo para geraçíµes do futuro! Que um paí­s é feito por uma população honesta,  trabalhadora, e não por uma população transformada em parasita por um governo que nos ensina a receber o alimento na boca e não a lutar para obtê-lo! A Alemanha ganha com maestria e merecimento! Que nos sirva de lição! Pátria amada Brasil tem que ser amada todos os dias, no nosso trabalho, no nosso estudo, na nossa honestidade! Amar a pátria em um jogo de futebol e no outro dia roubar o paí­s num ato de corrupção, seja ele qual for, furando uma fila, sonegando impostos, matando, roubando! Que amor í  pátria é este! Já chega! O Brasil cansou de ser traí­do por seu próprio povo! Que sirva de lição para que nos agigantemos para construirmos um paí­s melhor! Educar nossos filhos pra uma geração de vergonha! Uma verdadeira nação que se orgulha de seu povo, e não só de seu futebol!"

Laí­s Pinho, estudante (via Luis Fernando Correia, médico)

 

 

"Eu ganhei muito com a Seleção Brasileira. Quando criança, eu ganhei esperança. Eu saí­ pelas ruas, escutando nos rádios dos vizinhos, e gritei: SOU CAMPEíƒO! Nada, eu não tinha nada, somente a felicidade de saber que a minha Seleção Brasileira havia saí­do campeã do mundo. Eu ganhei muito. Fui Feliz – eu sou feliz. Sou Pentacampeão. Não será agora que vou capitular. Eu sou um vencedor. Amanhã será outro dia. Aprendemos a lição. "Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou, o que importa é que sempre é possí­vel e necessário recomeçar". (Paulo Roberto Gaefke).

Jorge A. Saes, aposentado

 

 

"Vergonhosa e humilhante derrota da seleção brasileira para a Alemanha. Pior derrota de todos os tempos do futebol brasileiro e mundial. Espero que essa vergonheira sirva para acordar o povo pra realidade do nosso Paí­s. Os mandos e desmandos desse governo corrupto e todas as canalhices que vem ocorrendo a muitos anos em nosso Paí­s e que finaliza com toda a sujeira que foi essa organização da copa do mundo. As eleiçíµes estão chegando e com esse vexame chegou a hora do povo se unir e mudar o governo pelo bem do nosso Brasil. Apesar de todos os pesares, ainda acredito na mudança. ACORDA BRASIL!

Juarez Martinato da Rocha, motoboy

 

 

Acho uma vergonha os brasileiros acreditarem que Brasil é futebol! O Brasil hoje em dia é porcaria nenhuma! Não temos saúde nem educação. A maioria de nós não tem condiçíµes básicas de vida. Não vivemos, sobrevivemos. E aí­ a pergunta que não quer calar: que diferença faz ter ganhado ou não este jogo? Esta copa? Nenhuma! Diferença vai fazer se não reelegermos este governo. Dai sentirmos vergonha de perder nosso Paí­s para estes uns governantes que tentam nos enganar dia após dia!

Manoela Maggi, confeiteira

 

 

"Pela primeira vez nesta copa usei a camisa da seleção pentacampeã do mundo. Mas isso aconteceu apenas no dia seguinte a maior derrota do futebol brasileiro de todos os tempos. Fiz isto, por incrí­vel que pareça, em sinal de protesto. Em protesto ao mundo que insiste em se referir a Brazil como sendo o Paí­s do futebol. Eu quis mostrar que o futebol foi derrotado, mas em nenhum momento me senti envergonhado. E porque deveria? O Brasil não é somente forjado pelo futebol triunfante, mas também por pessoas humildes o suficiente para saber que ,como nação futebolista, estamos muito atrasados. Atrasados tanto na forma de jogo (sistemas táticos e preparação fí­sica), quanto organizacional – através da Confederação Brasileira de Futebol e todos os seus processos judiciais inacabados e corrupção. Também quis protestar contra parte do povo deste Paí­s que tende a perpetuar o jeitinho brasileiro como sendo a maior herança a ser deixada para as geraçíµes futuras. Jeitinho este que sendo bem popular se refere a ir empurrando com a barriga que vai dar certo, e caso não dê, vamos esquecer e repetir o processo novamente sem precisar refletir. Então aqui estou em uma campanha que não é a mesma da maioria das pessoas – #forçaneymar, mas sim #lembraBrasil. Somente assim vamos entender onde erramos e partiremos novamente em busca do hexa. E vou dar uma pista simples que o jogador alemão Thomas Muller disse após o jogo quanto perguntado sobre a goleada, fomos muito mais organizados.

Luiz Francisco Maggi, educador fí­sico

 

 

 

   

 


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